Porque regulação e política pública são instrumentos económicos, quer se admita ou não. Retomando a lógica desta série, depois de percorridas a centralidade das grandes empresas, a fragilidade do mercado de capitais e a arquitetura do poder económico, chega a hora de tratar o interlocutor mais mal compreendido do debate económico português, o Estado.
Há uma pergunta incómoda a aparecer nas universidades, nas empresas, nas organizações e no Estado. Não é apenas saber se as novas gerações querem trabalhar. Essa é a formulação fácil. Talvez até injusta. E parece-me que cada vez mais óbvia, simplificando, na resposta.
Meritoriamente, a temática da Reforma do Estado passou a estar no discurso político oficial. Contudo, devemos interrogar-nos sobre as razões que levam a que apesar, anos e anos, de anúncios oficiais sucessivos e recorrentes anunciando simplificações da burocracia, acessos facilitados das empresas e cidadãos aos serviços do Estado, a máquina do Estado só tem aumentado e criado um ónus acrescido para a economia e a sociedade.
Tenho uma visão liberal da sociedade. Nomeadamente, no que concerne à capacidade da sociedade civil criar e implementar muitas das soluções necessárias para a nossa vida colectiva.
O protocolo em Portugal está vivo e de boa saúde, não é uma velharia obsoleta e inútil, uma relíquia do passado, um conjunto de formalidades e rituais anacrónicos.
Portugal gosta de se ver como um país institucionalmente estável, europeu, previsível. Mas por baixo dessa superfície existe um padrão persistente: decisões públicas estruturais que demoram décadas, soluções que chegam tarde, caras ou tecnicamente amputadas, e um Estado que, mesmo quando quer mandar, parece pedir licença.
Portugal tem-se habituado a confundir transformação com digitalização e é precisamente essa confusão que explica o marasmo em que ainda se encontra boa parte da Administração Pública.
Satisfazer uma necessidade é o ponto de partida de toda a economia, mas também o reflexo das condições sociais de um povo. O que distingue necessidade de procura é o que cada um, segundo a sua capacidade financeira pode, de facto, transformar em ato de consumo.
A discussão em torno do anteprojeto de revisão do Código do Trabalho tem gerado reações imediatas e, por vezes, desproporcionadas. Surgem afirmações dramáticas, declarações inflamadas e slogans fáceis, sempre com o mesmo tom alarmista: "é um retrocesso nos direitos dos trabalhadores".
A Geração Z está cada vez mais presente no mercado de trabalho. Segundo dados da Eurofirms, mais de 1/4 dos candidatos têm menos de 25 anos.
Nos últimos seis meses, dois episódios vieram a público sobre a (in)capacidade do nosso Estado inovar. Nos seus processos e, essencialmente, nos resultados – os bens e serviços públicos que apresenta, como é sua obrigação, à sociedade portuguesa.
Portugal conta já com perto de 5.000 start-ups, que representam um volume de negócios combinado de 2.602 milhões de euros e 1,4% do total das exportações nacionais em 2023.















