Há mais de uma década que me interesso pela inovação e empreendedorismo social. Clarificando os conceitos, falamos de iniciativas que procuram soluções inovadoras, eficazes e sustentáveis para problemas complexos (muitas vezes menosprezados) de uma sociedade.
E, no meio das habituais previsões e profecias, chegámos finalmente a 2026. Não vou aqui debitar o cliché sobre quão decisivo será este novo ano. Cada época tem os seus desafios específicos e, como todas as outras, exigirá (boas) doses de sabedoria, coragem e determinação.
O futuro do trabalho está no centro do debate da Gestão, a nível global. Se as competências-chave destes novos tempos (soft-skills, digitais e outras) e as novas culturas desejadas (foco na agilidade e na colaboração) ocupam uma boa parte destas discussões, existe outra importante questão, que tem passado mais discreta em fóruns empresariais: o design das organizações e respectivas “estruturas” do futuro.
Alfred Chandler, economista e professor em Harvard, sentenciou há umas décadas que “unless structure follows strategy, inefficiency results”. Henry Mintzberg, estudioso da gestão, que já decretou há um tempo a obsolescência do planeamento estratégico, reforçou com a citação que dá título a esta reflexão.
Há mais de 15 anos que trabalho com equipas de gestão em matérias como liderança, cultura e estratégia. E, na atracção de talento executivo (executive search), para robustecer a gestão de topo. Como é expectável, vejo as mais diversas práticas no designado corporate governance – i.e. o conjunto integrado de regras e processos pelos quais uma empresa é dirigida e controlada.
A volátil geopolítica atual trouxe de novo para a linha da frente a importância do investimento em defesa. E, olhando a montante, para as indústrias que a suportam. A Europa, e Portugal, em particular, estarão cientes que, nas economias modernas, as indústrias de defesa desempenham um papel fundamental não só para garantir a segurança nacional, mas também para reforçar o crescimento – através das exportações.
Nos últimos seis meses, dois episódios vieram a público sobre a (in)capacidade do nosso Estado inovar. Nos seus processos e, essencialmente, nos resultados – os bens e serviços públicos que apresenta, como é sua obrigação, à sociedade portuguesa.
Europa em 2025? Já quase todos os comentários e diagnósticos foram escritos. O ano de 2024, pleno de presságios de mudança, terminou com uma sensação generalizada de pessimismo.
“The Ministry for the Future” (2020) é um romance de ficção científica e climática, da autoria do escritor norte-americano Kim Robinson. Situado num futuro próximo, o enredo inicia-se com uma onda de calor catastrófica na Índia que origina milhões de vítimas.
Direto ao problema: o Estado e as entidades públicas estão, globalmente, arcaicas na sua estrutura e processos e ineficientes no cumprimento da sua missão. Não por que tenham perdido recursos (humanos, financeiros, tecnológicos) para o fazer – antes pelo contrário, nunca, na maioria das geografias (e Portugal não escapa à regra), tiveram tanto ao seu dispor.
Estamos naquela que poderá ser a mais disruptiva década da história da humanidade. A confluência de várias tecnologias (informação, energia, materiais e biotecnologias) irá transformar a vida como a conhecemos. Como aprendemos, colaboramos, criamos e trabalhamos.
A luta global pelo talento não começou hoje. Tem décadas e acentuou-se com a globalização, a massificação das soluções de transporte e mobilidade e o incremento exponencial das tecnologias digitais.
