Há uma frase que ouço com frequência crescente vinda da boca de CEOs, administradores e líderes de unidades de negócio: "Quero resultados agora."
Há algo de estranho nas salas de aula atuais. Trabalhos impecavelmente escritos, frases estruturalmente perfeitas, textos organizados, sem erros ortográficos, sem hesitações e, muitas vezes, sem alma.
Há uma curiosa tranquilidade em muitas organizações quando o tema é cibersegurança. Não porque estejam seguras, mas porque acreditam que estão. Têm políticas, têm documentos, têm relatórios e, mais recentemente, têm também NIS2. E, aparentemente, isso basta para dormir melhor à noite.
Grande parte da inovação europeia nasce de forma defensiva. Regulamos para proteger, inovamos para mitigar risco, digitalizamos para cumprir requisitos. A intenção é nobre e, em muitos casos, necessária.
Neste artigo de início de ano de 2026, decidi escrever sobre um “elefante da sala” que está a engordar muito rapidamente, mas há muitas pessoas e organizações que estão em negação.
Portugal tem-se habituado a confundir transformação com digitalização e é precisamente essa confusão que explica o marasmo em que ainda se encontra boa parte da Administração Pública.
Nos anos 80, havia um anúncio famoso cujo slogan dizia: “E se um desconhecido lhe oferecer flores? Isso é Impulse, o seu desodorizante!” Quarenta anos depois, poderíamos trocar as flores pela tecnologia e a frase faria todo o sentido: “E se um desconhecido lhe oferecer Inteligência Artificial? Isso é… o seu novo “salvador” digital!”
Durante anos ouvimos — e repetimos — que a transformação digital era inevitável. Que ou as organizações se transformam ou desaparecem. Que é preciso investir em tecnologia, automatizar processos, adotar ferramentas cloud, IA, dados. Tudo isso é verdade. Mas é apenas parte da verdade.
No passado dia 28 de abril de 2025, um apagão generalizado atingiu Portugal e Espanha. Num instante, o que era automático deixou de funcionar: sistemas energéticos colapsaram, vários meios de transporte público pararam, e as redes de comunicação entraram em silêncio. Foi mais do que um corte de luz – foi um lembrete brutal da nossa vulnerabilidade estrutural num mundo cada vez mais dependente do digital.
Aviso imediato: este artigo pode parecer demasiado ficção científica… mas, se está a ler isto, tenha a consciência que não é!
Desde os primórdios da humanidade, a evolução do ser humano tem sido marcada pela adaptação às suas condições e pela inovação. Do Australopiteco, que caminhava sobre duas pernas há cerca de quatro milhões de anos, ao Homo Sapiens, que desenvolveu a linguagem e a capacidade de raciocínio complexo, cada passo na escala evolutiva trouxe transformações significativas.
Em 1993, quando decidi ir tirar Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico, disseram-me por muitos anos: “tens emprego para toda a vida” e “isso é que é o curso do futuro!” (de notar que não foram estes os motivos da minha decisão de entrar nesta formação).
