O 2026 Global Leadership Study, da Harvard Business Impact, tem um mérito: tira a liderança do território confortável das boas intenções e coloca-a no território dos números. Foram ouvidos 1.139 líderes seniores, em mais de 15 países; 49% trabalham em organizações com receitas superiores a 10 mil milhões de dólares e 46% em empresas com mais de 20 mil colaboradores. Não estamos a falar de teoria. Estamos a falar de terreno.
Steve Jobs percebeu, há anos, algo que muitos gestores ainda não perceberam e não querem perceber: contratar pessoas inteligentes para depois lhes dizer exatamente o que fazer é um desperdício monumental.
Leão XIV publicou a Magnifica Humanitas para lançar uma pergunta central: conseguiremos continuar humanos na era da inteligência artificial? Eu acrescentaria outra. Conseguiremos continuar líderes e a moldar lideranças?
Há equipas que ganham jogos. Há equipas que ganham respeito. Cabo Verde não ganhou e, no entanto, apurou-se na fase de grupos. E conseguiu muito mais que respeito: saiu do mundial 2026 como o exemplo de liderança.
Há uma pergunta incómoda a aparecer nas universidades, nas empresas, nas organizações e no Estado. Não é apenas saber se as novas gerações querem trabalhar. Essa é a formulação fácil. Talvez até injusta. E parece-me que cada vez mais óbvia, simplificando, na resposta.
Deixámos de ter heróis. Ou, pior ainda, deixámos de os apresentar como tal. As novas gerações crescem rodeadas de estímulos, ecrãs, personagens, influenciadores, ruído e consumo, mas com poucos modelos sólidos de identificação.
A tensão no estreito de Ormuz traz novamente ao mundo uma verdade antiga: basta um estrangulamento na energia para toda a economia tremer.
Consistência é a capacidade de manter direção, critério, comportamento e qualidade ao longo do tempo, mesmo quando tudo muda. E se tudo muda mesmo.
Portugal tem vivido, de forma quase contínua, sob o impacto de cheias e ventos fortes associados à passagem sucessiva de frentes de baixas pressões com nomes sofisticados: Francis, Goretti, Harry, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta.
Portugal discute saúde como quem discute futebol: todos opinam, todos sabem, todos reclamam, todos vêm à televisão e à rádio falar sobre saúde.
Falas de propósito como quem fala de fé. Dizes que queres uma equipa alinhada, inspirada, comprometida. Mas, diz-me: quando foi a última vez que explicaste o porquê de fazeres o que fazes? Ligaste o propósito da empresa/organização ao sentido do trabalho de cada pessoa? Antes disso: sabes o que é o propósito da empresa/organização? Ou será que também tu já transformaste o propósito num slide fluffy que ninguém lê?
Há um momento em que o barulho das reuniões, das ideias, das urgências e das opiniões se cala. E ficas tu, diante das tuas próprias decisões. É o instante em que percebes que, por mais que partilhes, delegues ou oiças, há sempre uma parte da liderança que ninguém pode viver por ti.
