Janeiro é sempre tempo de resoluções. Pessoais e profissionais. Ainda no outro dia em Lisboa chovia a cântaros e lá seguia uma senhora a correr debaixo da chuva. Resoluções cumprem-se com resiliência. E sobretudo com isso mesmo: ação.
O tema tem um nome pouco conhecido: cobertura ou encobrimento. No inglês “covering”. De que se trata, afinal? Simples e todos já o fizemos, provavelmente. Quer de um lado, quer de outro.
Falarei de forma mais incisiva e até admito que visto na perspetiva económica pelos mais liberais ou pelos adeptos dos GAFA será até mesmo condenável. Falarei de uma ideia que não é nova e que é hoje facilitada sem termos (digo eu) devidamente ponderado os seus reais impactos.
Por vezes esquecemos quanto para os nossos clientes é tão importante a ideia do que fazemos ser bastante clara. Se Nike é just do it, a Delta é portugalidade e a Nespresso sofisticação, a Zara moda rápida a preços acessíveis, a Volvo é segurança...E o que é a sua marca? Os seus clientes têm dela a mesma ideia que a sua equipa? É clara e imediatamente reconhecida? Mas...e se aplicarmos esta reflexão a “outra” marca. Ora vejamos.
Para quem salta de paraquedas (não é o meu caso, acreditem!) este tema é naturalmente aprendido e conhecido. Cada um salta e cada um dobra o seu próprio paraquedas. Mas e caso falhe?
No meio da estratégia e do plano e do budget e das reuniões de comissão executiva e do financiamento das iniciativas... Muito se passa de permeio, mas ao líder, ao verdadeiro líder, a tarefa que jamais esquecem como crítica é unir as partes, juntar os extremos, reunir pontos de vista numa visão do amanhã – hoje.
As escolhas que fazemos – já o sabemos – têm impacto. Até uma não decisão tem implicações. E mesmo que falemos de coisas aparentemente simples, como reorganizar os vários ecrãs e as apps no nosso smartphone, podem ser bem mais prementes, profundas e de resultados dramáticos (positivos ou negativos) do que imaginávamos à primeira vista.
Dado o contexto pode estar neste preciso momento a ler este parágrafo tentando perceber se este humilde trecho de texto falará de Covid. Mas não. Não fala. Nem tão pouco tem contextualização ao que se passa hoje, nestes dias.
Um efeito de rede é algo poderoso e virtuoso. Tem sido entendido e experimentado mais recentemente pelo surgimento das redes sociais. Mas não só.
As empresas, salvo raras exceções, vão passar por muitas dificuldades. Os seus colaboradores também. Esperar que haja ventiladores de negócio milagrosos só pode ser perigoso. E a alternativa não pode ser esperar pela visão cintilante do líder. Como na pandemia, a solução passa por todos trabalharem em conjunto.
Virámos o ano e simultaneamente a década. Tempo de balanços e listas de resoluções. Na web somam-se várias previsões do que mudará no mundo. Mas o meu convite é para que se volte para dentro de si. Nesta década não pense nos outros e não pense nas coisas. Pense em si.
Em junho de 2011 a Google lançava a sua nova tentativa de entrar no mundo das redes sociais e enfrentar o Facebook com o Google+. A mais forte característica era os “círculos”, uma forma que cada um tinha de delimitar em círculos de amigos o que era possível ver. Durante quase uma década a rede lutou, mas foi ao Facebook que todos continuaram a aderir. Mas o insight estava correto. Talvez aplicado cedo demais, ou na forma menos própria, mas poder criar limites e muros está hoje a moldar o futuro das redes 2.0
