No meio da estratégia e do plano e do budget e das reuniões de comissão executiva e do financiamento das iniciativas… Muito se passa de permeio, mas ao líder, ao verdadeiro líder, a tarefa que jamais esquecem como crítica é unir as partes, juntar os extremos, reunir pontos de vista numa visão do amanhã – hoje.

Quando a internet surgiu era o futuro impensado. Mas um território virgem permite a loucura e a experimentação. Sã ou menos sã. Os rebeldes, os desalojados, os perdidos e os visionários. Todos se reuniram neste território quase sem lei. Mentira. Não se reuniram. Simplesmente vieram todos para este espaço. E também não é verdade que fosse sem lei. As regras da WWW estabeleciam-se, mais ou menos documentadas e peremptórias mas aceites. Mas existiam. O que teve então a web que permitiu aos verdadeiros líderes vingar?

Estou em total desacordo com a imagem do líder visionário que distribui diretrizes e tudo sabe e tudo imaginou e basta o séquito de soldados prontos a atuar, pondo o plano em marcha, que o mesmo vingará bastando a execução ser fiel à imagem do líder iluminado.

Ao invés, a experiência pessoal e a literatura dedicada ao tema parecem convergir na ideia de que, tal como na web, o que permitiu a revolução que hoje vivemos foi conseguir unir talento distinto.

Veja-se o paralelismo dos rebeldes assaltantes nos filmes de Hollywood. A mestria não está no plano. Mas na equipa. O plano pode deslumbrar-nos, mas nunca será suficiente. Sabemos que aquele plano sem os elementos certos nunca teria sucesso. Os imprevistos não seriam respondidos convenientemente. E o plano antes de mais nem sequer teria sido melhorado ao nível dos limites até aí ignorados.

O segredo da web nas suas primeiras décadas foi permitir esta liberdade de vários rebeldes assaltantes de um território inexplorado se poderem juntar. Mas a união desconcertada de pouco valeu nesses primórdios. Até que grupos formaram cadeias de ideias open-source para software, motores de busca, redes sociais, etc. E junto de si souberam copiar a ideia chave dos grandes clássicos do cinema – rodear-se dos melhores, saber puxar as pontas soltas, as peças inimaginavelmente impossíveis de unir, os talentos de polos opostos, do software ao hardware, da inteligência artificial ao marketing, aos recursos humanos, às finanças, ao design.

O verdadeiro talento dos verdadeiros líderes é cultivar equipas. Diferentes. Complementares. Que se desafiam e se questionam. Se respeitam mas se provocam. É ser um rebelde sereno. Mas infelizmente, essa não é a imagem que vende livros.

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Ricardo Tomé é Diretor-Coordenador da Media Capital Digital, empresa do grupo que gere a estratégia e operação interativa para as várias marcas – TVI, TVI24, IOL, MaisFutebol, AutoPortal, etc. – com foco especial na área mobile (Rising Star, MasterChef, SecretStory)... Ler Mais