Que a disrupção digital apanhou vários negócios de rompante já sabemos. Que a velocidade desta revolução é o que mais surpreende, idem. E como as organizações, e adicionalmente, as suas pessoas e como estão a agir fazem parte de um contexto único, presente, jamais verificado, também. Então, o que fazer nesta crise? Para muitos: nada.
À primeira vista poderia arrancar dissertando sobre como a sala do futuro pode transformar as nossas vidas e a experiência nas nossas casas. Mas na verdade falo de outra sala. A nova sala de estar. A sala de convívio e entretenimento dos automóveis. Mas repare que evitei a expressão “dos nossos automóveis”. Porque em 10 anos, e para os nossos filhos em menos de 5, a realidade de hoje será dramaticamente (sem juízos de valor de melhor ou pior) diferente.
Decerto terá visto nas últimas semanas no Facebook ou Instagram um certo #10yearschallenge. E decerto terá encontrado num qualquer acesso a um website a pergunta e o pedido para ceder permissões e aceitar os cookies para continuar a navegar. Correto? O que têm as duas coisas em comum? E com o título acima? Mais do que imagina!
Ainda se lembra quando em 2009 a Apple, a propósito do recém lançado iPhone, criou e popularizou a expressão “there’s an app for that”? O mundo do browser havia cessado como a forma generalizada de nos ligarmos e obtermos informação e conteúdos na web e, no espaço de uma década e com a massificação do smartphone, as app impuseram-se mesmo. O que tem isto a ver com o título deste artigo? Tudo.
A tecnologia é fantástica. Deixa-nos abismados não pela sua intrínseca e intrincada engenharia e a sua capacidade, mas pela veia da nossa imaginação sobre o seu potencial. Mais do que aquilo que ela faz, deixa-nos impacientes e excitados naquilo que pode fazer e, por vezes até mais, do que pode vir a fazer.
São as melhores. Mais fantásticas. Mágicas. E no entanto nunca as conseguimos elaborar. Parece que ficamos eternamente presos nesse ardil das ideias simples...
Este é daqueles artigos que bem poderá fazer sorrir de ironia e candura quando daqui a duas ou três décadas for revisitado.
Este é um daqueles títulos que poderia ser clickbait. Mas não. A ideia pode parecer disruptiva, mas nem é. Até é verdadeiramente simples. Passo a explicar.
Desde há mais de 20 anos que os bloggers foram definindo a paisagem mediática. Primeiro a digital. Hoje sem a separação pelo meio. Já para além de bloggers, storytellers, influenciadores, líderes de opinião. E a somar ao weblog, o Facebook, o Instagram, o Youtube, o Twitter, o Linkedin... A rede.
E, de repente, todos querem ser donos. Tal como na famosa série da HBO, onde vários reis e rainhas lutam para assumir o trono de ferro e reclamar o reinado de Westeros, também pela nossa terra mágica, de repente, vários são os que se colocam em marcha e se dizem os donos do conteúdo.
A presença digital de uma marca pessoal não é assim tão diferente da presença digital de uma marca comercial. Os princípios regem-se por uma âncora comum, forte e difícil de gerir, pois tem de base uma longevidade, onde o curto prazo não entra.
