Disclaimer inicial: sou totalmente a favor da utilização da inteligência artificial. É impossível parar este movimento e será virtualmente impossível regular as ramificações.
A combinação de macrotendências com a adoção de tecnologias pode abrir uma oportunidade única aos mais velhos. Porquê? Porque têm experiência de trabalho, curva de aprendizagem já conhecida sobre processos de mudança, exposição à incerteza e invulgar capacidade de adaptação.
Não consigo compreender bem esta cultura maluca de feedback constante que se instalou.
No geral o homo sapiens atual fabricou uma sociedade, à falta de melhor termo, onde se empenha por ter como pináculo o seu propósito. E um propósito permanente. Nada contra. E também nada contra a palavra, mas é preciso acautelar que ela não é mais que uma derivada de meta ou grande objetivo – já muito batidas – ou até de finalidade ou sentido de vida.
Muitos ex-alunos (e não só) me procuram para insights, dicas, opiniões. Cada vez mais, esses ex-alunos têm idades próximas da minha ou são mais velhos que eu. Quando se começa cedo nesta profissão de professor há uma altura em que há muita gente mais velha que nós próprios. Mais tarde estamos na média.
É cada vez mais frequente sentar-me numa mesa de almoço ou jantar e ter à minha volta pessoas que se focam em cumprir objetivos individuais. Pessoais. Percorro todos os dias 5 km a correr. Ando todos os dias 10 km. Todos os dias corro 20 km. Já fiz as maratonas de Tóquio, de Nova Iorque, de Paris, do Dubai, do Rio de Janeiro. Faço 100 piscinas por dia. Percorro 20, 30, 50 quilómetros de bicicleta todos os dias. Temos desde corredores e maratonistas até iron men e women. Temos quem tenha corrido no Alasca ou na Antártida. Temos quem tenha corrido ou feito provas em todo o lado. A maioria delas individuais.
Ajudar a potenciar os resultados das empresas familiares é o objetivo da mais recente proposta formativa do Iscte - Executive Education.
Um amigo meu trata-me, desde que nos conhecemos, por “mais velho”. Eu trato-o por “mais novo”. Temos uma diferença de idades que é superior a 20 anos. Nunca nos demos mal por isso. Sempre nos entendemos e inclusive já trabalhámos, há uns anos, juntos. E correu tudo bem no projeto que fizemos. Aliás, era um projeto em África em que o “mais novo” era o responsável pelo “mais velho” e me veio convidar para participar em tal aventura. Cultura africana de valorização de Soba, digo eu. E o “mais novo” não é original de áfrica, apenas africanista.
Duas frases emblemáticas com que vou rechear, em pensamento, este meu escrito. A primeira de Martin Luther King, Jr., que afirma que “o líder autêntico, em vez de buscar o consenso, molda-o”. A segunda, de Margaret Thatcher e bastante mais assertiva, assenta na célebre frase “o consenso é a ausência de liderança”.
Sei o quão importante é o papel do ensino na liderança. Quer em tenra idade quer, posteriormente, aquando da entrada na idade adulta e na identificação com determinados role models e professores que marcam, positiva ou negativamente, os vários estudantes. De resto, escrevi já sobre isto algumas vezes. Ou seja, sobre a correlação entre ensino, e que modelo de ensino, e a forma de trabalhar lideranças.
Recentemente fui a Madrid visitar uma escola de formação digital. A minha grande conclusão sobre este e outros temas é quase sempre a mesma: a necessidade que temos de não falar de digital sem sabermos o que envolve. Há imenso bullshit digital em todo o mercado. Como há muito pouca gente que sabe o que diz com rumo e norte nestas matérias.








