Ainda se lembra quando em 2009 a Apple, a propósito do recém lançado iPhone, criou e popularizou a expressão “there’s an app for that”? O mundo do browser havia cessado como a forma generalizada de nos ligarmos e obtermos informação e conteúdos na web e, no espaço de uma década e com a massificação do smartphone, as app impuseram-se mesmo. O que tem isto a ver com o título deste artigo? Tudo.

Já olhou para as estatísticas do seu telemóvel? Aí reside a resposta ao título. Decerto poderá encontrar o Facebook. Ou o agora mais sexy e popular Instagram. Ou se tiver filhos ainda de forma mais proeminente o Youtube. Mas ali ao lado relegadas para outra categoria (injustamente) estão as redes sociais que mais darão que falar em 2019 e anos seguintes. Para os usos já habituais e pessoais, mas ainda mais para os negócios.

Refiro-me às grandes vencedoras de 2018, sim.
As apps de chat.

No total, as três maiores (Whatsapp, Messenger e WeChat) somam perto de 4 mil milhões de contas ativas mundialmente. Mesmo que considerando metade destas contas como sendo duplicadas (o que será injusto, porque também temos a nossa conta no Facebook e no Instagram e no Youtube e não as desduplicamos) isto significaria, ainda assim, 2 mil milhões de cidadãos únicos a utilizar de uma forma regular e diária uma app de chat. Mas isto torna-se mais evidente quando somamos outro facto: tempo de uso.

Daí perguntar-lhe pelas estatísticas no seu telemóvel. Elas mostram (Tempo de Ecrã no iPhone e Wellbeing no Android) por ordem de tempo de uso quais as apps mais usadas. Adivinhe quem disputa a liderança? As apps de chat. Seja porque a elas recorre para combinar a futebolada no domingo, combina a troca de PDFs no grupo de trabalho, envia uma piada ao grupo dos amigos da faculdade, porque está ligada ao Marketplace do Facebook e ali fecha a compra e venda de produtos usados…

Há uns anos a Google tentou romper com a hegemonia do Facebook criando o Google+ e a ideia dos círculos, ou seja grupos definidos pelos utilizadores para só nesses círculos/grupos partilhar certa informação. Foi a ideia certa no tempo e na forma erradas. Quase lá. Genial, só faltou mesmo desenvolver no seguimento do que o Whatsapp já o havia feito. Sem complicações. Apenas com base num banal número de telefone já guardado na lista.

De facto, mostram vários estudos desde 2017 (EUA, Europa, América do Sul, sobretudo) que estamos a passar mais tempo nas Apps de Chat. Muito mais tempo! Em vez de partilharmos tudo com todos, estamos hoje mais seletivos. Temos grupos para tudo. Desabituámo-nos de ligar pelo telefone ou mandar mensagens e hoje segue tudo por texto pelo chat ou até cada vez mais por segmentos gravados de áudio/voz.

A “next big thing” é semi-privada. Não é mais um feed indiscriminado. É criteriosa, não é mais broadcast para toda a rede de seguidores. Considere com tempo como atuar neste ecossistema. Ainda tem. Mas quem sabe o seu concorrente já lá está a experimentar e a preparar-se para atacar e em força em 2019…

À meia-noite de 31 já sabe para onde vai uma resolução de uma das passas.

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Ricardo Tomé é Diretor-Coordenador da Media Capital Digital, empresa do grupo que gere a estratégia e operação interativa para as várias marcas – TVI, TVI24, IOL, MaisFutebol, AutoPortal, etc. – com foco especial na área mobile (Rising Star, MasterChef, SecretStory)... Ler Mais