Do Tejo ao Guadiana, pai e filho, 500 quilómetros a pedalar e muitas histórias para contar. Porque as verdadeiras viagens não se medem em quilómetros, mas em memórias partilhadas – nem servem apenas para chegar a um destino, mas para descobrir o caminho.
Há momentos em que a vida nos pede silêncio. Não aquele que vem da falta de palavras, mas o que nasce da necessidade de escutar o que a voz interior tem para nos dizer. Este meu período sabático trouxe-me algo que não cabe num currículo: tempo. Descansei e dormi quanto quis. Quase não li nem escrevi. Almocei vezes sem conta com vista para o mar. E corri, nadei e pedalei 1.200kms que marcam, simbolicamente, esta etapa da minha vida, agora terminada.
Muitas vezes julgamos uma pessoa, organização ou evento com base no que vemos no imediato, mas o que está à superfície nem sempre reflete a realidade. Mas as aparências iludem. Também na minha carreira, por diversas vezes, as aparências me iludiram.
O “work-life balance” não é uma fórmula rígida e imutável, antes dinâmica e evolutiva, na medida em que as nossas necessidades e prioridades mudam ao longo da vida. Houve momentos ou períodos da minha vida/carreira em que o meu foco esteve maioritariamente alocado a assuntos de natureza pessoal, contrastando com outros em que me dediquei, quase em exclusivo, a atividades profissionais, algo que me parece aceitável.
Portugal voltou recentemente a ser devastado por centenas de incêndios, que avançaram sem tréguas na zona Norte do país. Os incêndios são, infelizmente, inevitáveis, mas parte das suas consequências parecem-me inaceitáveis. Tanto mais inaceitáveis, quanto mais controláveis ou gerenciáveis as causas ou os motivos que os possam ter originado.
25 anos após o meu estágio de início de carreira, quis o destino que ascendesse à posição de CEO. Aqui chegado, partilho algumas breves reflexões sobre a minha jornada, incluindo a importância de manter o foco e a determinação, ou o que considero ser o verdadeiro “ás de trunfo” numa carreira, ou como usar botões de punho ou cozer botões não nos torna pessoas diferentes.
Carta a um filho: “Uma parte da geração dos teus avós emigrou para fugir à miséria. Quando terminares o teu curso, se tiveres de partir, fá-lo com alegria e determinação, não como um castigo, mas antes como mais uma oportunidade de crescimento na tua vida, para mais tarde regressares e contribuíres para um Portugal mais desenvolvido, próspero e competitivo não apenas para a tua geração, mas também para a dos teus futuros filhos.”
Governar um país é, a meu ver, uma das funções mais nobres, mas também mais complexas, difíceis e desgastantes que alguém pode desempenhar. Atrair mais pessoas competentes, sofisticadas, com “mundo” e experiência diferenciada parece-me fundamental para o seu sucesso.
"É interessante entendermos aquilo em que podemos afirmar que "somos" face ao que apenas podemos dizer que "estamos" ou que "temos". Onde "estamos" ou o que "temos" é, por definição, efémero. Mas aquilo que "somos" é nosso, por natureza, e ninguém nos pode retirar".
Portugal foi recentemente considerado por várias publicações internacionais como o melhor país do mundo para se viver, baseado na opinião de cidadãos estrangeiros. E os portugueses, concordarão que o seu país-natal é o melhor do mundo para se viver?
“Com as taxas de inflação e de juro a subirem de forma rápida e significativa, multiplicam-se as mensagens nos media: “amortize o seu crédito” ou “negoceie uma taxa fixa com o seu banco”, diz-se. Parece-me que quem o afirma não deve saber fazer contas ou então do que está a falar."
“Há sítios, momentos ou pessoas que fazem ou já fizeram parte das nossas vidas e que jamais, para todo o sempre, voltaremos a visitar, a viver ou a estar. Por isso a importância de os desfrutar, porque cada um deles é único e pode muito bem ser irrepetível.”







