Escrevi em tempos um outro texto sobre este mesmo tema. O facto de ter dado o mesmo título escusar-me-ia de escrever a primeira frase. Ainda assim, a bem da clareza, da transparência e dos links internos (dizem que favorece a descoberta dos textos novos), desta forma possibilito o acesso a um pouco mais de contexto a quem tome contacto com esta perspetiva pela primeira vez.
Recentemente conversava com duas colegas sobre uma experiência de aprendizagem que uma delas tinha conduzido para um grupo de pessoas de um cliente nosso. Perguntara-lhe como tinha corrido. A sua resposta fez despontar a tal conversa. Procurávamos entender e definir o que tornaria as nossas experiências de aprendizagem diferentes de tantas outras. Como tínhamos chegado a estes modelo e estilo?
Desenvolvimento pessoal. Conceito abrangente, demasiado abrangente, onde tudo cabe e quase tudo serve. Sempre a apontar para o progresso, com mais e melhores competências que são arrumadas em modelos ora simples e pragmáticos, ora complexos e sofisticados. Procuram-se estados tão díspares como a produtividade, a eficácia, a tranquilidade, a felicidade, o equilíbrio, o sucesso. A lista poderia continuar até se atingir o limite de caracteres deste artigo.
O contexto bélico das conversações nos dias de hoje. Milan Kundera (2014), na sua obra Festa da Insignificância, escreve:
Da minha experiência no mundo das organizações, o politicamente correto continua a fazer das suas. E, sim, no contexto das relações interpessoais, em grande parte das empresas portuguesas, acredito que continua a produzir resultados bastante negativos. Voltemos à merda.
Alerto-o/a, caro/a leitor/a, que, com a exploração que vou propor sobre os muitos efeitos negativos que tenho encontrado em quem segue, com exagero e extremismo, a doutrina do “politicamente correto”, correrei o sério risco de enveredar pelo caminho contrário.
Nas férias li dois livros muito diferentes um do outro: “A história natural da estupidez”, de Paul Taboori, e “A utilidade do inútil”, de Nuccio Ordine. As suas diferenças parecem evidentes em diversos sentidos.
“É muito trabalhador” ou “tem grande capacidade de trabalho”; “é a primeira a entrar e a última a sair”. Quais as primeiras ideias que lhe surgem ao ler estas frases? O que sente?
Imagine que está numa sala com uma criança com quem tem um laço afetivo. A sala é ampla, desafogada, com janelas grandes que deixam passar uma luz abundante; tem uma escadaria encostada a uma das paredes e está decorada de forma moderna e minimalista onde, apesar disso, se sente confortável e em segurança.
Recentemente, após uma nova leitura e com a distância de algumas semanas, consegui aperceber-me que um artigo que escrevi (1) neste mesmo portal me lançara as bases necessárias para continuar a refletir sobre o mesmo tema, tendo por base a seguinte pergunta-hipótese: que mudanças têm de acontecer, ou ser provocadas, para que o conceito de “trabalho” passe a estar mais ajustado à realidade actual e proporcione um índice mais alto de saúde e de satisfação para quem trabalha?
Depois da Inteligência Artificial, propus-me a escrever sobre outro tema da moda: a nossa crescente permeabilidade às tretas. Pelos vistos vivemos na era das fake news e da “pós-verdade” (será isto tretas sobre tretas?).
Este ano, cujo fim se aproxima, tem sido marcado por uma expressão e pela sigla correspondente. Inteligência artificial ou IA têm sido regularmente incluídas em títulos de peças noticiosas, artigos de opinião, escritos científicos e académicos, nacionais e internacionais, tanto em publicações de especialidade como nas generalistas.
