As máquinas estão cada vez mais inteligentes, já se sabe. Chegará a altura em que serão espertas o suficiente para extrair as mensagens exatas num qualquer texto ou até mesmo em qualquer comunicação oral. Já aí estaremos, porventura, lá ou muito perto, pelo menos.
O que lhe acontece quando alguém lhe diz que tem de “pensar fora da caixa”? E quando lhe dizem, na mesma sequência, que precisa de “sair da sua zona de conforto”? Se é como eu, quando oiço uma dessas duas expressões, que fico com uma espécie de urticária metafísica, o mínimo será algo próximo de revirar os olhos. Creio existirem boas razões para uma reação adversa.
A necessidade de obtermos respostas deixou alguns de nós com a presunção de as sabermos todas, para nós e, pior, para os outros.
“Afinal quem são eles?” é o título de um pequeno livro em que os autores, Steve Ventura e BJ Gallagher, com poucas palavras e alguns desenhos, nos mostram que no mundo das empresas “eles”, “os outros”, não podem ser sempre os responsáveis por o que de mau acontece.
É sabido que a linguagem não é estanque, evolui. Os significados das palavras mudam mais rápido do que as atualizações dos dicionários e as utilizações que fazemos das mesmas vai variando. Para além disso, como se costuma dizer, “a língua portuguesa é traiçoeira”. E não é apenas para a malandrice.
Há uns dias ouvia um episódio de um podcast que tipicamente se dedica à criatividade. O convidado desse episódio é um conhecido “evangelista” no Vale do Silício que explicava, com uma forma “muito americana”, como nos devemos apresentar e compor o nosso espaço quando estamos a comunicar via videoconferência.
Regresso das férias deste verão para uma notícia triste. Um dos pensadores contemporâneos que mais admiro faleceu no passado dia 3 de forma inesperada, sem que se conheça a causa à data em que escrevo.
“Só sei que nada sei” é a célebre e mal citada frase de Sócrates, o grego que terá vivido há mais de 2000 anos, para não haver confusões. Alegava o ateniense que só em relação à dúvida e ao desconhecimento é possível estarmos certos; a consciência da própria ignorância era, portanto, a última virtude.
A decisão de escrever este texto não foi isenta de tormento e de dúvida. O respeito que tenho pelo tema e o receio de ser mal interpretado fizeram sentir o seu peso. Com o progresso pandémico do vírus, que rapidamente se espalhou pelo mundo e nos está a mudar as vidas e as rotinas de forma radical, a indecisão tomou proporções ainda maiores.
Estou espantado com a quantidade de pessoas à minha volta que andam “numa busca pela sua verdade” ou que, já a tendo encontrado, a utilizam como argumento que se equipara aos usados numa birra infantil: “(…) pois, mas é a minha verdade”, como quem diz “temos pena” ou “é sim porque sim” ou “não porque não”.
Há uns dias almoçava sozinho numa esplanada. A cidade do Porto estava fria e solarenga. Reparei num grupo de adolescentes, todos rapazes. Eram seis, parece-me. Sentaram-se aconchegados - estava frio, de facto - à volta de uma mesa para quatro, mesmo à minha frente.
Como em todas as eras, as evoluções tecnológicas que foram surgindo continham promessas de poupança, de recompensa e até de libertação. Os seres humanos seriam (serão?) os principais beneficiários da sua inventividade e do seu engenho.
