O crescimento do negócio digital, seja na versão meramente comunicacional, rede social ou e-commerce tem crescido de forma exponencial desde que teve início a pandemia.

Até esse momento os gigantes tecnológicos tinham dado provas de que a economia iria transitar paulatinamente para uma lógica de transformação digital, fosse ao nível dos serviços públicos, do funcionamento das empresas e na lógica de consumo. Mas mantinha-se alguma incerteza sobre o desempenho de algumas empresas nativas digitais, que agora se começa a desvanecer passados 6 meses debaixo do caos pandémico.

Basta olharmos para a evolução de cotação do NASDAQ, que cresceu 64% desde fevereiro ou de algumas das principais empresas que compõem este índice, como por exemplo a Amazon, que se valorizou 95% e está avaliada em 416 mil milhões de dólares, para percebermos que este momento se revelou uma enorme oportunidade de desenvolvimento do negócio tecnológico.

No que respeita ao valor das marcas não é diferente: face a 2019, a Apple valoriza 14%, Microsoft 30%, Instagram 50%, tal como as chinesas Baidu (30%) ou a Tencent (15%).

Por tudo isto, é muito interessante acompanhar a discussão de quem irá liderar o protagonismo tecnológico mundial, num jogo sem tréguas entre EUA e China, que vai conhecendo momentos cada vez mais decisivos, o último dos quais assenta na vontade da Oracle comprar a rede social Tiktok.

A TikTok, a rede social chinesa que já tem 800 milhões de utilizadores e gerou cerca de 4 mil milhões de euros de lucro no último ano, pretende ganhar o mercado ocidental e, por exemplo, criar 3.000 empregos no Reino Unido onde pensa instalar a sua sede global com um investimento não inferior a 4 mil milhões de euros. Isto ocorre na mesma altura em que se discute se deve ser banida neste e noutros mercados, tal como já ocorreu na Índia e se vislumbra que possa ocorrer nos EUA. Os receios circunscrevem-se novamente aos temas da privacidade e também da geolocalização, mercado muito apetecido por Google e Apple.

Nefasta e apetecível? Como compreender que uma empresa focada exclusivamente em B2B (Oracle) que vale 166 mil milhões de dólares, entre na disputa com a Microsoft pela compra de uma marca que só funciona em B2C (TikTok) e que está avaliada em cerca de 30 mil milhões de dólares? Recorde-se que também o Twitter se mostrou interessado na compra, mas o elevado valor da rede social chinesa frustrou a expetativa.

A Microsoft já tinha manifestado essa intenção, com o aval do presidente dos EUA e agora a Oracle entra na corrida para assumir o controle de todas as operações nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, juntamente com empresas de capital americano como a Sequoia Capital ou General Atlantic, por forma a não estar sujeita a pressões políticas.

O governo norte-americano estabeleceu o prazo de 12 de novembro como data limite para a Tiktok se instalar nos EUA, ao mesmo tempo que se acusa a rede social de ameaçar gravemente a segurança dos EUA.

É caso para dizer: quem quer casar com a carochinha que é tão “perigosa” e chinesinha?

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Doutorado em Gestão pela Universidade Complutense de Madrid. Diplomado pelo INSEAD, London Business School, Wharton School, University of Virginia, MIT Management Sloan Management School, Harvard Business School, Imperial College of London, Kellogg School of Management de Chicago e IESE Business... Ler Mais