Há empresas que investem milhões em tecnologia, instalações, pessoas, dados e distribuição, mas continuam a tratar a marca como se fosse apenas um logótipo, uma campanha ou uma escolha estética. É um erro caro.
Nos primeiros anos da inteligência artificial generativa (IA), as empresas preocuparam-se sobretudo em experimentar, testar ferramentas e perceber onde a tecnologia poderia ser aplicada. Agora que a IA começa a assumir tarefas concretas e a entrar efetivamente nos processos de negócio, a questão mudou. Já não basta perguntar quanto custa utilizar a IA. A pergunta decisiva é outra: que valor está a gerar para o negócio e para o cliente?
Vender serviços consistia em dominar a informação, conhecer o mercado e construir uma relação de confiança. Um agente de seguros, um gestor bancário, um consultor imobiliário ou qualquer profissional da área comercial nos serviços distinguiu-se até hoje, pela sua capacidade de aconselhar, apresentar alternativas e conduzir o cliente até à decisão. Mas esta realidade está a mudar rapidamente.
Os conceitos de curto, médio e longo prazo coincidem muito pouco com aquilo que se aprendeu nos bancos das faculdades de economias e gestão.
Persiste a ideia de que liderança, marketing e estratégia são áreas separadas. Na prática, são dimensões inseparáveis da mesma realidade.
Num mercado cada vez mais saturado e competitivo, a proposta de valor não se pode cingir a um mero exercício de comunicação. Deve afirmar-se como um dos pilares estruturantes de qualquer organização.
A humanização e a qualidade no atendimento deixaram, há muito, de ser meros fatores diferenciadores para se tornarem condições básicas de sobrevivência num mercado cada vez mais transparente, informado e exigente.
O insucesso comercial raramente resulta de um único erro. Na maioria dos casos, é consequência de um conjunto de decisões desalinhadas, tomadas seja ao nível estratégico, operacional ou humano.
Num momento em que os líderes empresariais enfrentam a volatilidade dos mercados, tempos incertos, pressão sobre custos e uma aceleração tecnológica sem precedentes, o marketing deve assumir-se como um verdadeiro barómetro da maturidade da gestão.
Estamos a assistir a um ponto de viragem na forma como as empresas pensam a estratégia, o marketing estratégico e os modelos de gestão.
Imagine-se uma reunião da Comissão Executiva dentro de alguns anos: na sala, além dos diretores, está presente um assistente de IA, projetado em tempo real, capaz de analisar cenários, simular impactos e questionar pressupostos. Não substitui a liderança, mas funciona como um “espelho crítico” que desafia a intuição e reforça a qualidade das decisões.
A revolução já começou — e poucos parecem verdadeiramente preparados para ela. A Inteligência Artificial (IA) não é apenas mais uma tecnologia emergente: é a força que está a reescrever, em tempo real, as regras do marketing contemporâneo.
