Tendências no mercado de capital de risco que deve acompanhar

Em 2020, as empresas de capital de risco angariaram mais dinheiro do que o expectável. E, segundo os especialistas, a tendência parece estar para continuar.

A atividade de venture capital parece ser uma exceção no cenário caótico em que muitas empresas e start-ups que se viram envolvidas devido à pandemia. O dinamismo dos investidores e a grande procura de inovação e aceleração digital que se registou no último ano, contribuíram para a performance positiva daquele setor.

O Wall Street Journal (WSJ) tentou perceber junto de investidores e empreendedores quais as tendências que se adivinham para esta indústria nos próximos tempos.

  1. Um ano positivo

Os especialistas em capital de risco preveem outro ano positivo, em parte devido às mudanças regulatórias no setor, mais favoráveis ​​para a concretização de novos investimentos. Steven N. Kaplan, professor de empreendedorismo e finanças, na Booth School of Business da Universidade de Chicago, referiu ao WSJ que os retornos dos fundos de risco, em 2020, foram espetaculares em comparação com os retornos do mercado público”.

A maior fluidez e a circulação de capital também poderá ser possível se ocorrem as mudanças regulatórias necessárias para private equity e capital de risco, explicou também Allison Baum Gates, sócia da SemperVirens Venture Capital, em São Francisco.

  1. Melhor distribuição de fundos

Segundo alguns observadores do setor, espera-se que as firmas de capital de risco estabelecidas assegurem a maior parte do dinheiro que circula no mercado. Nos últimos anos, as empresas estabelecidas – aquelas que lançaram quatro fundos de investimento ou mais – tiveram mais sucesso na atração de capital do que as empresas emergentes, que lançaram três ou menos fundos.

De acordo com a WSJ, em 2020 as empresas estabelecidas representavam quase 75% do capital total levantado para fundos de risco. Essa é a maior parcela do total desde 2012, de acordo com o PitchBook. Por outro lado, alguns observadores da indústria sugerem que as grandes quantidades de dinheiro que entrarem no ecossistema poderiam ser distribuídas por um maior número de participantes.

  1. Problemas  de pipeline

Há alguma preocupação sobre como as empresas mais jovens se sairão em termos de financiamento este ano. Apesar das incertezas no início da pandemia, os investidores fecharam, aproximadamente, o mesmo número de acordos em 2020 e em 2019, de acordo com as estimativas da PitchBook. Michael Chow, diretor de pesquisa da National Venture Capital Association, equacionou a possibilidade haver uma desaceleração no financiamento inicial em 2021, potencialmente levando a problemas de pipeline. “Sem investimentos seed e investimentos de business angels, há naturalmente uma ‘pool’ menor de novas empresas com potencial para crescer, amadurecer e receber financiamento adicional em rondas de financiamento”, afirmou.

  1. Problemas de inclusão

Alguns especialistas continuam preocupados com a capacidade das empresas lideradas por minorias e por  mulheres angariarem dinheiro junto de venture capitalist. “Apenas nos últimos anos tem havido um esforço concentrado para encorajar as  mulheres e as minorias em empresas de tecnologia e, portanto, o pipeline de fundadores com potencial ainda não está onde deveria estar”,  justificou Allison Baum Gates. Além disso, agora mais do que nunca, os investidores e gestores de fundos tendem a querer fundadores com histórico, o que pode dificultar a vida às empresas lideradas por mulheres e minorias, mais recentes nesta atividade, conclui. Ainda assim, e apesar das lacunas, de acordo a PitchBook, as empresas fundadas por mulheres estabeleceram um recorde em termos de valor do negócio em 2020.

Fundadoras do sexo feminino levantaram um total de 22,1 mil milhões de dólares em cerca de 2.418 negócios, comparativamente aos 21,8 mil milhões de dólares e aos 2.751 negócios de 2019. No geral, quase um quarto de todos os negócios de VC foram para empresas com, pelo menos, um fundador feminino.

  1. Atividade SPAC

A atividade de empresas de aquisição de propósito específico (SPACs), que visam abrir o capital sem passar pelo processo de IPO tradicional, quebrou recordes em 2020, com 250 empresas a arrecadarem coletivamente, 75,1 mil milhões de dólares, comparativamente a 2019, quando 53 SPACs levantaram 11,1 mil milhões de dólares, revela o WSJ. Os SPACs são geralmente formados por executivos que possuem conhecimentos específicos e pretendem adquirir negócios nessa área.

Com o número de SPACs a crescer exponencialmente, haverá um aumento nas oportunidades de compra. Isso pode ser um bom presságio em 2021 para os fundos de risco que queiram uma estratégia de saída, salienta Steven N. Kaplan, professor de empreendedorismo e finanças, na Booth School of Business da Universidade de Chicago

Resta apenas saber se os SPACs vieram para ficar como uma alternativa séria aos IPOs. O diretor de pesquisa da National Venture Capital Association diz que 2021 continuará a testar o modelo se os retornos forem menores do que o modelo de IPO tradicional.

  1. Setores a ter em conta

Existem várias áreas que os venture capitalist acreditam estar em alta em 2021. A saber: tecnologias emergentes (incluindo biotecnológicas e tecnologia focada na saúde mental); requalificação de emprego; Machine Learning e IA; segurança cibernética, privacidade, antitrust, comércio e tributação; e empreendimentos com foco social de investidores não tradicionais.

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