O Presidente da República encerrou ontem mais uma edição da Web Summit. Num discurso entusiasta e otimista congratulou-se com o facto de Lisboa se ter tornado numa peça chave da revolução digital e tecnológica.

“Lisboa e Portugal tornaram-se a cidade e país no centro da revolução digital, da revolução tecnológica”. Foi com este statement que, ontem, Marcelo Rebelo de Sousa iniciou o discurso com que encerrou a Web Summit 2019.

O Presidente da República falou das mudanças que o evento antecipou nos últimos anos e lembrou as passagens pelo Web Summit de Stephen Hawking, que falou de ciência, morte, passado e presente; de Al Gore que antecipou as alterações climáticas, quando tantos diziam que não era um problema; e de António Guterres que defendeu o multilateralismo quando todos falavam de unilateralismo. “Este ano, com Michel Barnier falámos do papel da Europa num mundo global. E com Vestager falámos da concorrência no digital. Estamos a ver além do nosso tempo”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa.

No seu discurso de encerramento, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou ainda as questões da privacidade no mundo digital, um tema que discutido por muitos dos oradores presentes nos quatro dias de conferência. “Precisamos de instituições internacionais mais fortes, precisamos de regras mais fortes e de uma democracia mais forte”.

O seu alerta foi contundente: “Não devemos deixar ninguém para trás, nenhuma região do globo, nenhum país, nenhuma parte da sociedade, nenhuma geração. Temos de nos juntar. Em 2016 falei de uma revolução silenciosa. Ela já não é silenciosa, é uma revolução ruidosa”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa durante a sua intervenção.

Referiu também que “Portugal mudou com o Web Summit e que o mundo está a mudar com o Web Summit, porque não temos medo de falar de todos os temas, democrática e livremente com pessoas que representam todo o mundo”.

O presidente da república salientou ainda que “devemos continuar a antecipar o futuro, não temos medo do futuro, somos imparáveis. Ninguém nos vai parar”, concluiu, despedindo-se do Web Summit com um “até 2020”.

Comissária Europeia está preocupada com concentração de poder nas empresas
Quem também subiu ontem ao palco principal da Web Summit, para um debate que contou também com o secretário-geral da Amnistia Internacional, Kumi Naidoo, foi a Comissária Europeia para a Justiça, Consumidores e Igualdade de Género.

“Eu vivi metade da minha vida num regime totalitário. Agora dou comigo a pensar que isto é quase igual, não temos o direito de preservar a nossa privacidade”, começou por dizer Vera Jourová. A Comissária defendeu que a implementação na União Europeia (UE) do Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD) foi um passo importante e disse esperar que sejam criados padrões globais para a proteção de dados. “As multas, que podem ascender a 4% da faturação global de uma empresa, já podem ter um efeito dissuasor assinalável”, reiterou.

Vera Jourová contestou ainda o argumento de que as empresas têm de ser grandes para poderem competir com as tecnológicas chinesas. “Não vejo porque é que a Europa há-de ser o campo de batalha entre os EUA e a China”, conclui.

A Comissária Europeia referiu ainda que a possibilidade de desmantelar as grandes empresas tecnológicas, as chamadas “big tech”, será sempre um último recurso.

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