Neste que é o meu primeiro artigo de opinião escolhi o tema da mudança dado que integra em si inúmeros vetores que irei explorar com mais detalhe em artigos futuros.

O que é então a mudança, (n.f.) que significa a modificação, transformação ou mutação da condição de alguma coisa; metamorfose física e/ou moral: mudança de atitude. Um tema que está em discussão permanente há muitos séculos e em contextos diversos, e muitas são as frases célebres de vários pensadores sobre o tema sendo a minha preferida a atribuída a Charles Darwin, embora alguns evolucionistas discordem da atribuição, “Não é o mais forte das espécies que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que mais reage à mudança”.

Mas a mudança sobre a qual pretendo elaborar a minha opinião é aquela que ocorre em contexto de empresa, e principalmente no contexto português, dado que a cultura influência de sobremaneira a predisposição para a mudança.

Muitas foram as vezes em que me cruzei com transformações e mudanças de algo que não precisava de ser mudado, mas ia ser mudado porque estava “na altura” e era “preciso”, por isso o primeiro exercício que necessitamos fazer quando pretendemos mudar algo é avaliar a necessidade de mudança. Deixo-vos mais uma das minhas frases preferidas “if it ain’t broke, don’t fix it”. Identificada a real necessidade há que iniciar então o plano de transformação e mudança.

O sucesso de uma transformação, que levará a uma mudança, está para mim intimamente ligado à liderança, à capacidade de comunicar e sobretudo à capacidade de gerir expetativas e impactos nas pessoas, porque no final haverá sempre pessoas que serão afetadas por toda e qualquer mudança, é inevitável.

Não acredito em mudanças por decreto. Acredito, contudo, numa liderança forte que mantem o rumo e o foco no objetivo final definido, mas que tem a capacidade de envolver e escutar o maior número possível dos envolvidos, sobretudo quem está mais perto dos problemas.

Em todas as transformações que estive envolvido não foi impossível agradar e colher todas as opiniões de todas as pessoas envolvidas. Eu diria que é normal e aceitável em processo de transformação, mas também assisti à adoção da mudança de forma exemplar de muitos opositores iniciais quando bem informados. É este balanço e equilíbrio que faz a diferença.

Uma mudança, só traduz o efeito esperado se todos os stakeholders envolvidos a entenderem, aceitarem, tanto quanto possível, e sobretudo puderem emitir a sua opinião, por isso é preciso produzir informação clara e pragmática sobre o que vai ser mudado, como vai mudar e porquê, até porque sem uma clara definição inicial não será possível avaliar os impactos finais, é essencial medir o ponto de partida nos seus diferentes âmbitos de atuação, medir a sua implementação (que nos permitirá ajustar os planos à realidade), e medir os resultados finais.

Por isso abracemos a mudança como algo normal, sejamos melhores líderes e sobretudo melhores comunicadores. As pessoas agradecem.

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Alberto Jorge Ferreira é um gestor executivo de renome internacional, que já liderou a transformação e renovação de empresas em 14 países e nos quatro continentes, sendo especialista na restruturação e transformação digital de organizações com as mais diferentes culturas... Ler Mais