Jovens impulsionam a agricultura com mais de 1,5 mil milhões em investimento
O B-Rural Summit 2026 colocou o tema da agricultura e da floresta na agenda e apontou alguns caminhos para atrair talento, reforçar a inovação e construir o futuro do setor.
Realizado recentemente, em Lisboa, o B‑Rural Summit 2026, um espaço de reflexão e debate sobre os desafios e as oportunidades do mundo rural, identificou um conjunto de prioridades para reforçar a competitividade e construir o futuro do setor agroflorestal em Portugal. Atrair talento, acelerar a inovação, simplificar as políticas públicas e direcioná-las para os grandes desafios do setor, bem como aproximar a agricultura da sociedade, foram algumas delas.
Promovido pela CONSULAI (empresa de consultoria em agronegócio) e cofinanciado pela Comissão Europeia, o evento reuniu especialistas, empresários, decisores e jovens profissionais e estudantes, que convergiram na ideia de que o setor reúne hoje todas as condições para crescer, criar valor e afirmar-se como um motor de desenvolvimento económico, territorial, social e ambiental.
Uma das constatações do evento foi que, nos últimos 15 anos, os jovens agricultores afirmaram-se como um dos principais motores do investimento e da renovação do setor agrícola português, sendo responsáveis por 16% do investimento total realizado na agricultura.
Neste período, revelam os responsáveis do summit, foram mobilizados mais de 1,5 mil milhões de euros, apoiados mais de 10 mil projetos e consolidada uma nova geração de empresários agrícolas que gere atualmente cerca de 252 mil hectares de superfície agrícola em Portugal.
São indicadores que demonstram o peso crescente dos jovens agricultores na modernização, na competitividade e na sustentabilidade do setor, contribuindo para a criação de valor e para a renovação geracional da agricultura nacional.
O debate em torno desta temática permitiu concluir ainda que a renovação geracional como prioridade do setor já representa mais de 5% do PIB nacional, e que apenas 4,7% dos dirigentes agrícolas portugueses têm menos de 40 anos.
O consenso entre os vários participantes do B-Rural Summit foi claro: o setor agroflorestal nacional dispõe hoje de bases sólidas para continuar a crescer, mas o seu futuro dependerá da capacidade de mobilizar pessoas, conhecimento e investimento em torno de uma visão comum.
O estudo “Evolução do Trabalho na Agricultura”, apresentado por Pompeu Pais Dias (consultor da CONSULAI), durante o evento mostra um setor cada vez mais produtivo e tecnologicamente evoluído, onde a produtividade do trabalho aumentou 277% nos últimos 30 anos, impulsionada pela mecanização, pela inovação e pela adoção de tecnologia
Também a valorização do trabalho agrícola é evidente com os salários a cresceram mais de 50% na última década. Por outro lado, os trabalhadores estrangeiros representam atualmente mais de 40% da mão de obra, refletindo o dinamismo de um setor que continua a crescer e a criar oportunidades.
Na mesa-redonda “Novas Gerações e Novas Ideias”, os intervenientes convergiram numa ideia central: a agricultura do futuro será cada vez mais inovadora, tecnológica e multidisciplinar. A inovação, a comunicação, a capacidade de trabalhar em rede e o empreendedorismo foram identificados como fatores determinantes para reforçar a competitividade do setor e captar novos perfis profissionais. Os oradores defenderam igualmente que o setor agroflorestal deve comunicar melhor a sua realidade, valorizar os seus casos de sucesso e mostrar às novas gerações as oportunidades que oferece em áreas como a gestão, a sustentabilidade, a engenharia, a tecnologia ou a comunicação.
As diferentes intervenções reforçaram uma visão comum sobre os fatores que permitirão acelerar a transformação do setor: reforçar os apoios aos jovens agricultores, apostar na formação, valorizar o empreendedorismo e aproximar a agricultura da sociedade através de uma comunicação mais eficaz.
No encerramento do B-Rural Summit, Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI, sublinhou que a renovação geracional é um desafio que ultrapassa o setor agroflorestal e constitui uma oportunidade para reforçar o desenvolvimento económico e territorial do país. Destacou ainda que aproximar o mundo rural da sociedade, combater estereótipos e dar visibilidade às oportunidades existentes na agricultura e na floresta será determinante para atrair mais novos profissionais, fortalecer as empresas e assegurar a competitividade do setor.







