Conheça as inovações tecnológicas que prometem marcar 2026
iPhones dobráveis, robôs domésticos, tecnologia de leitura da mente e supercarros elétricos são algumas das inovações tecnológicas que o The Wall Street Journal aponta para 2026.
Prever de que forma os avanços tecnológicos irão marcar este ano é praticamente impossível. Ainda assim, a equipa de tecnologia do The Wall Street Journal decidiu arriscar as suas previsões, dentro e fora do universo da inteligência artificial. Entre elas estão mais carros autónomos nas ruas (pelo menos nos EUA), internet via satélite mais rápida e abrangente, implantes cerebrais, supercarros elétricos e um iPhone dobrável.
Veja a lista das tecnologias que vão mudar o dia a dia este ano, segundo o jornal norte-americano.
1. Siri renovada – e Apple aposta no universo da IA
Quando hoje se pensa nos três grandes players da IA, raramente se fala na Apple. Mas isso poderá mudar em breve, com a atualização da Siri. Após sucessivos atrasos nas melhorias de IA generativa da assistente, a Apple garante que o progresso está a acontecer. Em junho passado, Craig Federighi, vice-presidente sénior de engenharia de software da Apple, afirmou que a empresa está a reconstruir a Siri sobre uma nova arquitetura subjacente, com o objetivo de potenciar a sua inteligência artificial. A Amazon teve de seguir um caminho semelhante para desenvolver a Alexa+.
Nos bastidores, também se registaram alterações significativas. O antigo responsável de IA, John Giannandrea, deixou a empresa, e Amar Subramanya — que ajudou a supervisionar o chatbot Gemini do Google antes de se transferir para a Microsoft — vai juntar-se à Apple como vice-presidente de IA.
2. Robôs entram em casa
Duas start-ups de robôs humanoides planeiam iniciar testes residenciais nos EUA: a 1X, com o seu Neo cinzento, e a Sunday Robotics, com o Memo, que usa um boné de basebol. O objetivo é recolher dados do mundo real para tornar os robôs mais capazes em tarefas como dobrar roupa ou esvaziar a máquina de lavar loiça.
No entanto, no caso da 1X, muitas destas tarefas ainda serão executadas por um operador humano à distância – alguém na sede a controlar o robô através de um headset de realidade virtual. E, embora o CEO da Sunday Robotics, Tony Zhao, assegure que os testes domésticos envolverão robôs totalmente autónomos, este grupo inicial de testes será bastante limitado.
3. Malware assustadoramente inteligente
Em 2024, registou-se um aumento de 400% nas informações pessoais roubadas com sucesso através de phishing — em grande parte devido à inteligência artificial. “A IA torna os malwares mais sofisticados acessíveis a um maior número de pessoas, e isso é péssimo”, afirmou Trevor Hilligoss, ex-agente da Força-Tarefa Cibernética do FBI e atual vice-presidente sénior da empresa de segurança SpyCloud Labs.
Hackers com pouco conhecimento técnico podem agora recorrer a modelos de IA para criar deepfakes convincentes ou criar sites e e-mails desenhados para capturar senhas e códigos de autenticação de dois fatores. E, com os navegadores da web a integrar assistentes de IA, estes agentes mal-intencionados podem esconder instruções maliciosas em páginas concebidas para desviar os assistentes de IA do caminho correto.
Mais recentemente, o Google detetou uma ameaça ainda maior: softwares impulsionados por bots capazes de ofuscar o próprio código para evitar a deteção e criar novas capacidades maliciosas em tempo real.
4. Um iphone que dobra
Durante anos, a Samsung e outros fabricantes de telemóveis Android lançaram dispositivos dobráveis em estilo de mini-tablets e aparelhos tipo flip, evocando a nostalgia dos anos 2000. A Apple deverá entrar em breve nesta tendência. O primeiro iPhone dobrável deverá ser lançado juntamente com a linha iPhone 18, no segundo semestre. Será do tipo “livro”, com várias câmaras e Touch ID em vez de Face ID, segundo a Bloomberg.
Lembra-se do iPhone Air, absurdamente fino? O dobrável será semelhante a dois telemóveis empilhados. A Apple terá também feito um trabalho rigoroso de engenharia para reduzir o vinco no meio — uma das críticas antigas aos dobráveis.
5. A IA vai além dos modelos de linguagem
Os grandes modelos de linguagem que alimentam o ChatGPT e outros chatbots de IA generativa vieram para ficar. Mas também têm limitações e provavelmente não nos conduzirão à “inteligência artificial geral” ao nível humano. Um grupo crescente de investigadores já está a trabalhar no que virá a seguir.
Uma alternativa são os world models (modelos de mundo). A “madrinha da IA”, Fei-Fei Li, e o antigo cientista-chefe de IA da Meta — e “padrinho da IA” — Yann LeCun, desafiaram start-ups a desenvolver esta abordagem. Num modelo de mundo, a IA consegue explorar um ambiente virtual, aprendendo através da experiência e da interação, em vez de apenas absorver livros, filmes e outros conjuntos de dados.
6. A Starlink ganha concorrência
Pessoas em regiões remotas do mundo podem agora aceder à internet a partir do espaço, em grande parte graças à megaconstelação de satélites de órbita baixa Starlink, da SpaceX. Mas, em 2026, a empresa de Elon Musk terá rivais de peso. A Amazon começou a lançar os seus próprios satélites para o programa Leo (anteriormente Kuiper), assim como diversos projetos apoiados por governos, como o Eutelsat OneWeb. Até ao momento, a Amazon já colocou em órbita mais de 150 destes satélites. Em 2026, a empresa começará a fornecer acesso de alta velocidade a clientes comerciais, como a JetBlue, que utilizará a tecnologia da Amazon para oferecer internet rápida a bordo.
7. Uma identidade digital que pode chamar de sua
Como prova a sua identidade na internet? Códigos enviados por mensagem? Selfies? Infelizmente, os hackers exploram as vulnerabilidades destes sistemas. Além disso, muitas pessoas ficam bloqueadas fora das suas próprias contas, incapazes de provar que são realmente quem dizem ser. Com o aumento de agentes de IA maliciosos, pedidos cada vez mais frequentes de verificação de idade e bots a atrapalhar tudo — desde aplicações de encontros a vendas de bilhetes —, surgem novas necessidades de identificação.
Em 2026, mais pessoas terão uma identidade digital — uma identificação verificada, armazenada no telemóvel. Nos EUA, dispositivos Android e agora também iOS suportam versões digitais de passaportes. A Apple afirma que estas identidades digitais funcionarão como o Apple Pay, permitindo comprovar a identidade e a idade, presencialmente ou online. O Google garante que os utilizadores Android poderão usar a sua identidade digital para recuperar contas da Amazon ou verificar perfis na Uber e noutras plataformas.
A União Europeia exigirá identidades nacionais digitais já no próximo ano — e setores regulados, como bancos e educação, terão de as aceitar até 2027. Singapura e Índia já utilizam este sistema. Por sua vez, o projeto World, apoiado por Sam Altman, pretende digitalizar a íris de todas as pessoas no planeta para a sua plataforma de identificação anónima — se as preocupações com a privacidade não o impedirem.
8. Leitura da mente como diversão
A neurotecnologia, ou seja, interfaces digitais que captam sinais do nosso cérebro e dos nervos, será a grande novidade num futuro próximo. Uma das opções será a interface direta cérebro-computador, como as que estão a ser desenvolvidas pela Neuralink, de Elon Musk, e por outras empresas, que exigem cirurgia. No entanto, a maioria das pessoas deverá preferir soluções não invasivas.
A pulseira da Meta é um excelente exemplo atual. Ela lê sinais nervosos no pulso do utilizador e traduz essas informações em ações nos headsets de realidade virtual e nos óculos inteligentes de realidade aumentada da empresa. Em 2026, este tipo de tecnologia chegará à nossa cabeça. Uma nova técnica de “legendagem da mente” poderá traduzir pensamentos em palavras ou até em frases. A nova start-up de neurotecnologia de Sam Altman, a Merge Labs, utiliza ultrassons para ler a atividade cerebral. Em laboratório, já é possível controlar dispositivos ou até cadeiras de rodas apenas com os pensamentos.
9. Veículos autónomos ganham terreno nos EUA
2025 foi um ano excelente para os veículos autónomos nos EUA. A Waymo, da Alphabet, expandiu-se para mais cidades; a Zoox, da Amazon, começou a transportar passageiros fora das listas de espera em Las Vegas e São Francisco; e os robotáxis da Tesla chegaram às ruas de Austin, no Texas. O crescimento deverá continuar este ano.
A Waymo planeia operar em Miami, Dallas, Houston, San Antonio e Orlando, continuando também a expansão para autoestradas em São Francisco, Los Angeles, Phoenix e outras cidades. A empresa está agora a avançar para a Costa Leste, uma região onde tem sido mais lenta devido ao frio e à neve, com testes em Nova Iorque, Baltimore, Pittsburgh, St. Louis e Filadélfia. A Zoox pretende expandir-se para Austin e Miami, mantendo testes em Los Angeles, Atlanta e Washington, D.C.
10. IA e saúde mental
Para pessoas com problemas de saúde mental, conversar com IA pode ter consequências perigosas, podendo validar ideias perturbadoras ou incentivar delírios. Nos EUA, as leis estão a pressionar os developers de IA a intervir. Neste novo ano, uma nova regulamentação da Califórnia exige que a IA interrompa a conversa quando detectar sinais de automutilação e envie lembretes de pausa a cada três horas para utilizadores com menos de 18 anos. Leis em Illinois e Nevada proíbem qualquer comunicação terapêutica via IA.
Há, no entanto, quem acredite que a IA poderá ajudar a enfrentar a crise de saúde mental no país. Custos, escassez de profissionais e estigma continuam a ser barreiras ao acesso a cuidados profissionais. Ferramentas de IA treinadas em terapias baseadas em evidência têm potencial para serem seguras e eficazes, afirma Tanzrem Choudhury, professora de saúde integrada e tecnologia na Cornell Tech.
11. Supercarros elétricos chegam às ruas
Os veículos elétricos modernos já apresentam desempenhos impressionantes. Mas, em termos de aceleração, velocidade máxima e funcionalidades, os supercarros elétricos estão prestes a tornar-se verdadeiramente extraordinários. Novos lançamentos da Polestar, Alpine e Porsche estão para chegar, juntamente com o primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari. Recentemente, a Mercedes AMG apresentou um carro-conceito com um motor elétrico inovador de fluxo axial, com mais de 1.000 cavalos de potência e peso de apenas 12,7 kg.
A combinação única de binário instantâneo, conjunto motopropulsor de força leve e centro de gravidade baixo — devido à colocação das baterias pesadas — significa que estes veículos poderão assemelhar-se a carros de Indy legalizados para as ruas. No entanto, também representam um desafio para a segurança rodoviária, já que os veículos elétricos potentes e pesados começam a danificar guard-rails e outros elementos de proteção.








