O setor das fintech recebeu mais financiamento na Europa do que qualquer outra área. No ano passado, as fintechs europeias receberam no total 8,5 mil milhões de dólares (7,49 mil milhões de euros). Os fundos de capital de risco têm sido os principais financiadores do boom fintech dos últimos cinco anos.

Há um grupo de investidores particularmente ativos que apoiam centenas de fintech, na Europa. Para conhecermos quem são, o Sifted listou as empresas de capital de risco que foram mais ativas nas fintech europeias entre 2015 e 2019. O ranking foi desenvolvido com base no número de rondas pré-semente, semente e Série A, nas quais as fintech participaram (em oposição aos valores totais investidos ou número de empresas).

Os dados mostram que os principais financiadores em estágio inicial são empresas de capital de risco do Reino Unido e Alemanha. Estes são também os países que recebem o maior financiamento global para investir em fintech.

1.NFT Ventures
Principais investimentos: Capcito (após 2015),  Credit Kudos.
Última avaliação do fundo: Não Disponível (ND).
Informação essencial: Fundada em 2014, a NFT Ventures é um fundo de capital de risco da Suécia que desenvolveu um dos maiores portfólios de fintech da Europa. É um fundo de investimento para start-ups em fase inicial. Também já apoiou várias start-ups de viagens e serviços de entregas.

Tendo investido principalmente em fintechs suecas, a empresa criou recentemente um segundo fundo focado na Finlândia. Para este VC, os serviços bancários e financeiros vão sofrer o mesmo nível de inovação tecnológica registada em dispositivos móveis, media e companhias aéreas.

2. Speedinvest
Principais investimentos europeus em fintech: WeFox, Curve, Tide (fase final).
Última avaliação do fundo: 100 milhões de euros em fevereiro 2019).
Informação essencial: Apesar de ser um fundo generalista, o austríaco Speedinvest desenvolveu um nicho em fintech, elevando o ranking de investimentos nos últimos cinco anos. Tem um interesse particular em apoiar empresas para inovar esquemas de benefícios, seguros, cobrança de dívidas, “tecnologia mais antiga” e “Amazon Web Services (AWS) para serviços financeiros”.

A equipa de fintech da Speedinvest tem uma divisão igualitária de género. Três dos seus investimentos em tecnologia financeira são liderados por cofundadoras, uma meta apenas ultrapassada pelo fundo Anthemis.

3. Seedcamp
Principais investimentos europeus: Revolut, WeFox, TransferWise (após 2015), Monese (após 2015).
Última avaliação do fundo: 60 milhões de libras em 2018 (69,2 milhões de euros).
Informação essencial: A Seedcamp é um fundo de investimento de risco britânico criado em 2007, assumindo-se como o primeiro acelerador pan-europeu. Agora realiza investimentos pré-semente e semente em todos os setores. O fundo ganhou visibilidade por ter apoiado a TransferWise e a Revolut – fintechs da Europa – logo no início. Já investiu em mais de 300 empresas europeias, com as fintech a representar o maior volume de negócios.

O quarto fundo captou 60 milhões de libras (69,2 milhões de euros) em 2018 de grandes investidores de risco, como LocalGlobe, Index e Atomico, além de business angels como Taavet Hinrikus, da TransferWise. Hoje, o Seedcamp é liderado por Reshma Sohoni e Carlos Espinal, conhecidos por apoiar uma abordagem prática com as empresas do portfólio.

4. Kima Ventures 
Principais Investimentos: TransferWise (após 2015), Revolut.
Última avaliação do fundo: ND.
Informação essencial: O fundo de capital de risco Kima é um dos mais ativos do mundo, apoiando duas start-ups por semana. O fundo francês conta com o TransferWise entre os seus primeiros e mais bem-sucedidos projetos de fintech, assim como Curve, Spendesk e a aplicação de gestão financeira pessoal Emma.

O fundo está particularmente interessado em apoiar start-ups em fase inicial, com 88% dos seus negócios de fintech em fase semente. O Kima Ventures foi cofundado por Xavier Niel, um grande nome da cena tech Europeia, com uma riqueza estimada em 6,1 mil milhões de dólares (5,3 mil milhões de euros), segundo a Forbes.

5. Anthemis
Principais Investimentos europeus: CurrencyCloud, eToro (ambos após 2015), Tide, Truelayer.
Última avaliação do fundo: 106 milhões de dólares em março de 2018 (93,3 milhões de euros).
Informação essencial: Antes de criar a Anthemis, há mais de uma década, os fundadores Nadeem Shaikh, Amy Nauiokas e Sean Park trabalhavam no setor bancário interessados em “investimentos angelicais”, com o objetivo de inovar os serviços financeiros. Após investimentos esporádicos, os dois investidores criaram o fundo Anthemis,  focado em fintech com mais de 500 milhões de dólares (440,6 milhões de euros) em capital.

Com mais de 100 empresas no seu portfólio, tem um foco particular em insurtech, com um terço do portfólio da Anthemis alocado neste subsetor. Nos últimos anos, o fundo começou a explorar como a tecnologia financeira pode maximizar a eficiência em setores como energia, mobilidade e agricultura. A empresa também se orgulha de 42% da sua equipa de investimentos serem mulheres.

6. Passion Capital
Principais Investimentos (pré-semente): GoCardless, Monzo.
Última avaliação do fundo: 45 milhões de libras em 2015 (51,9 milhões de euros).
Informação essencial: Com sede em Londres, a Passion Capital já financiou 70 start-ups de tecnologia em fase inicial, mais da metade das quais foram de fintechs na Europa. Foi um das primeiras empresas a investir no Monzo, um êxito no ecossistema fintech do Reino Unido, e foi identificado pelo Dealroom como um dos fundos de capital de risco com taxas de conversão no quartil superior entre semente e a Série A.

7. Picus Capital
Principais Investimentos: Billie.
Última avaliação do fundo: ND (Financiado por iniciativa privada; investiu mais de 50 milhões de euros nos últimos três anos).
Informação essencial: O fundo de capital de risco Picus estabeleceu uma presença em vários continentes, de África à Europa. Não está focado num só setor e investe em empresas em fase inicial, assim como em rondas subsequentes até Série D. O setor fintech está entre as três maiores divisões da empresa.

O fundo Picus investiu em 11 empresas de tecnologia europeia nos últimos cinco anos e também se comprometeu com 19 pré-sementes ou mais rondas de série A para essas empresas. O fundo apoia ainda o seu portfolio em ações práticas como RH . Alexander Samwer é o sócio fundador e foi um dos primeiros investidores no Zalando e no LinkedIn.

8. Global Founders Capital
Principais Investimentos europeus em fintech: Revolut, SumUp, iwoca, Funding Circle.
Última avaliação do fundo: Mil milhões de dólares, em 2017 (888 milhões de euros).
Informação essencial: A berlinense Global Founder Capital (GFC) é um fundo global de capital de risco, investindo em vários setores, focando nas fases semente e crescimento, tornou-se conhecido pelo apoio à Away e Slack.

A empresa gere mais de 2 mil milhões de euros em capital, como o braço de investimentos da Rocket Internet, gerido por 50 investidores e 10 parceiros distribuídos por 17 escritórios. Dentro da ecossistema fintech europeu, a empresa “possui” unicórnios como Revolut e SumUp. Fez uma saída bem sucedida no Funding Circle lançado em 2018. Os investimentos menos positivos incluem uma pequena participação na aplicação do banco digital Loot.

9. Partech 
Principal Investimento europeu em fintech: Alan.
Última avaliação do fundo: 143 milhões de dólares em janeiro 2018 (125,8 milhões de euros).
Informação essencial: Serviços financeiros, tecnologias e infraestrutura são algumas das áreas mais fortes da Partech, representando quase 20% do seu portfólio. A Partech também está fortemente empenhada no investimento em fintech. Dos 26 investimentos em start-ups fintech, este fundo liderou 11. A empresa gere mais de mil milhões de dólares (888 milhões de euros) ativos, concentra-se essencialmente em start-ups escandinavas. Adiou os planos de expansão para o Reino Unido devido ao Brexit.

10. Index
Investimentos destacados: TransferWise, Adyen (saída), Revolut.
Última avaliação do fundo: 1,25 mil milhões de dólares em julho de 2018 (1,09 mil milhões de euros).
Informação Essencial: Um dos fundos de capital de risco mais antigos do Reino Unido, a Index Ventures possui o raro benefício de mais de duas décadas de experiência. Até o momento, arrecadou um total de 7,25 mil milhões de dólares (6,37 mil milhões de euros) e construiu um portfólio de 160 empresas americanas e europeias (incluindo seis unicórnios fintech). A sua experiência inclui uma série de investimentos sementes proeminentes e rondas da Série A.

 11. London Co-investment Fund (LCIF)
Investimentos destacados: Curve, WageStream, Railsbank.
Última avaliação do fundo: ND.
Informação essencial: LCIF é um fundo generalista com foco exclusivo em start-ups com sede em Londres. É um fundo de capital de risco público-privado avaliado em 85 milhões de libras (97,8 milhões de euros). As empresas da fintech formam uma parte importante dos seus investimentos. São empresas apoiadas que oferecem melhorias diretas aos negócios ou aos consumidores, bem como aquelas que oferecem ganhos permitidos pela tecnologia para operações de back-office.

12HV Holtzbrinck Ventures
Investimentos destacados: SumUp (unicórnio, investimento após 2015), Penta.
Última avaliação do fundo: total de 306 milhões de euros.
Informação essencial: O fundo alemão de capital de risco HV Holtzbrinck Ventures começou como braço de financiamento de risco do grupo editorial Holtzbrinck. Tornou-se numa empresa independente em 2010. O seu portfólio inclui alguns dos maiores nomes do cenário de start-ups da Alemanha, investindo principalmente no mercado interno nos dois primeiros anos em fase inicial e série B. No setor fintech, apoia tanto as ofertas B2B quanto as B2C; plataformas de suporte que possibilitam financiamento de retalho e software bancário (por exemplobanco aberto, software de emissão de hipotecas, software de empréstimo, back-end como serviço (BaaS) etc.)

13. LocalGlobe
Principais Investimentos (estágio posterior): Monzo, TransferWise.
Fintechs de destaque em fase inicial: Yapily, Tide, Zego.
Última avaliação do fundo de semente: 115 milhões de dólares em 2019 (100 milhões de euros), mais um fundo de 180 milhões de dólares (158 milhões de euros) Série B e seguintes.
Informação essencial: Apesar de ser um fundo de capital de risco generalista, o setor fintech é uma parte significativa do fluxo de negócios da LocalGlobe, um resultado natural da sua presença em Londres, uma cidade proeminente para a fintech. O fundo interessou-se por serviços bancários abertos e pela Diretiva de Serviços de Pagamento da UE (PSD2), insurtech e serviços de pequenas e médias empresas (PME). Porém, estão entre três a cinco anos de desenvolvimento até estarem disponíveis ao consumidor.

Os fundadores – dupla de pai e filho – Robin e Saul Klein criaram o fundo em 2015, mas rapidamente se tornou numa das empresas de capital de risco que mais investe em fase inicial. Grande parte da reputação do fundo decorre dos históricos empresariais e de investimento dos fundadores – Saul Klein foi co-fundador da LoveFilm, cofundador da Seedcamp e ex-sócio da Index Ventures.

14. Finch Capital
Principal Investimento: Zopa (após 2015).
Última avaliação do fundo: 125 milhões de dólares em 2017 (109,7 milhões de euros).
Informação essencial: Lançado em 2013, Finch Capital investiu fortemente em várias vertentes do mercado de fintech: da banca aos pagamentos passando à insurtech. Está focado na Europa, embora tenha feito alguns investimentos no sudeste asiático. Pretende criar pontes entre a Europa e a Ásia, abrindo caminho para as empresas do seu portfólio que pretendem expandir o Oriente. O fundo tem uma profunda experiência do setor em serviços financeiros, com sua base limitada de parceiros também formada por veteranos em finanças.

15. Point Nine Capital
Principais Investimentos: Revolut, Kreditech.
Última avaliação do fundo: 75 milhões de euros em junho 2017.
Informação Essencial: Tendo apoiado a Revolut na fase inicial, a Point Nine desde então apoiou empresas de fintech em 14 países europeus diferentes. O setor de fintech é o seu maior segmento por fluxo de negócios, embora teoricamente participe em qualquer setor. Além da fintech, o fundo também investiu em educação e saúde – exclusivamente em estágio inicial. Investiu fortemente em empresas B2B (business-to-business), focadas em software como serviço (SaaS) e mercados.

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