Transformação Digital e MES: o futuro da indústria em debate no Manufacturing Tech Summit 2025

O Manufacturing Tech Summit 2025, organizado pela Muvu Technologies na Microsoft Portugal, reuniu mais de cem profissionais para debater como a transformação digital, a Inteligência Artificial e a competitividade industrial estão a moldar o futuro da indústria portuguesa.

A Microsoft Portugal recebeu a segunda edição do Manufacturing Tech Summit, organizado pela Muvu Technologies. O evento reuniu mais de uma centena de profissionais da indústria, tecnologia e inovação, que se juntaram para discutir como a transformação digital, a Inteligência Artificial (IA) e a competitividade industrial estão a moldar o futuro da indústria portuguesa.

Na abertura do Summit, José Maria Pimentel, professor e consultor em Pensamento Crítico e Tomada de Decisão, destacou a importância do elemento humano na era da automação e reforçou que, apesar da tecnologia ser cada vez mais sofisticada, competências como pensamento crítico, análise e decisão contextual continuam a ser insubstituíveis.

Seguiram-se duas mesas-redondas centrais. Na primeira, representantes da Esteve, da Introsys e dos CTT mostraram como a adoção de tecnologia exige mais do que ferramentas: é preciso mudar mentalidade, desenvolver competências nas equipas e alinhar estratégia para que a inovação tenha impacto real.

A segunda mesa, explorou a fragilidade estrutural da indústria portuguesa face a dependências externas, matérias-primas críticas e instabilidades geopolíticas; debatendo a urgência de reforçar a autonomia industrial, promover uma reindustrialização verde e digital e exigir maior compromisso e visão estratégica dos líderes da indústria.

Inovação, competitividade e tecnologia

Na primeira mesa-redonda, Sandra Guerreiro, diretora Global de Qualidade, Saúde, Segurança e Ambiente na Esteve, falou sobre a importância da inovação tecnológica e da competitividade para a transformação digital das empresas.

Raquel Caldeira, responsável pelo departamento de Inovação da Introsys, abordou a perspetiva da automação industrial, destacando o desafio de inovar quando os clientes reconhecem problemas, mas não conseguem defini-los com clareza. Na Introsys, essa incerteza exige clarificação constante, gestão de expectativas e desenvolvimento de soluções modulares, equilibrando a customização com a ambição de criar produtos escaláveis.

Jorge Gomes apresentou a transformação dos CTT, que passaram de uma organização centrada no correio para uma empresa de logística moderna e digital. Os CTT tiveram de responder ao crescimento do e-commerce através do desenvolvimento interno de tecnologias como lockers, máquinas de self-service e sistemas financeiros automatizados.

O painel integrou ainda duas lightning talks. A primeira, apresentada por Bruno Silva, Head of Research and Development na MUVU, que desmistificou a ideia de que as soluções tecnológicas surgem de um dia para o outro. Usando a metáfora do iceberg, mostrou que, por trás da Inteligência Artificial, existe um longo percurso científico que culminou em modelos como o ChatGPT. “A IA não surge isolada. É necessária colaboração entre pessoas e tecnologia para gerar valor real. Mais filósofos, menos programadores”, afirmou.

Na segunda lightning talk, Bárbara Almeida, especialista em soluções Azure da Microsoft, mostrou como a IA pode acelerar a inovação e tornar as empresas mais competitivas, mantendo sempre o foco no ser humano. O evento reforçou que a automação não substitui talento, mas complementa-o.

Reindustrialização, resiliência e inovação

No painel seguinte, Catarina Caria (analista de Assuntos Internacionais), Pedro Santos (gestor de Projeto na PRODUTECH) e Flávia Barbosa (coordenadora de Investigação no INEGI), debateram a necessidade de a Europa assumir um papel mais ativo na política industrial.

Catarina Caria destacou a fragilidade europeia na indústria de defesa: “Portugal, tradicionalmente dependente de Bruxelas para defesa, matérias-primas críticas e parcerias estratégicas, nunca desenvolveu uma base industrial robusta. A dependência de materiais críticos, o choque energético e episódios como grandes apagões tornaram visíveis vulnerabilidades estruturais, agravadas por ameaças híbridas e cibernéticas, reforçando a necessidade de maior resiliência digital.”

Para Pedro Santos, “os custos só são um problema quando não temos clientes que os paguem”. A inovação, segundo ele, é a procura de fatores diferenciadores que garantam vantagem competitiva. Considera que Portugal tem excelentes empresas, mesmo perante a burocracia existente.

Flávia Barbosa reforçou a importância de se criar ecossistemas colaborativos, alinhando empresas, universidades e parceiros industriais no desenvolvimento de protótipos. Apesar de parecer um “caminho óbvio”, salientou que esta realidade ainda não se verifica em Portugal.

O Manufacturing Tech Summit 2025 mostrou que Portugal tem condições para reforçar a sua posição na indústria global, mas que é necessário investir em talento, inovação e colaboração entre empresas, academia e tecnologia.

A Muvu Technologies anunciou ainda a próxima fase do RAILES MES, um software que integra IA e sistemas de gestão industrial, desenhado para simplificar processos e aumentar a eficiência das operações. A empresa convida todas as organizações interessadas a marcar demonstrações ao vivo e a descobrir como podem transformar as suas operações industriais.

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