A sua start-up recebeu, finalmente, aquele financiamento que lhe permite realizar os seus sonhos. Agora só tem de ter em mente que a maioria das start-ups falha porque sonha demasiado alto.

Uma das primeiras coisas que qualquer start-up precisa de obter é financiamento. É crucial ter capital suficiente para cobrir equipamento, inventário, salários, além de outras despesas de base únicas no setor. A maioria das start-ups cobre os custos iniciais com empréstimos e capital de investidores privados.

Alguns empreendedores percebem que o financiamento é o primeiro passo para o sucesso. Mas, embora seja um fator fundamental, não é garantia de sucesso. Muitas start-ups com bom financiamento falharam.

Como podem então tantas start-ups bem-financiadas fracassar? Os 90% de taxa de insucesso normalmente associado a start-ups devem-se a uma multiplicidade de fatores, como, por exemplo, mau timing, ausência de mercado e, acima de tudo, lidar com a parte financeira de forma inadequada.

Investimento e falsas esperanças
Ser financiado pode levar o empreendedor a sentir-se invencível. Ter bastante dinheiro e saber que um investidor acredita no negócio pode ser uma sensação poderosa. Afinal, os investidores são espertos, não aplicariam dinheiro numa start-up se não tivessem todos os motivos para acreditar que seria bem-sucedida, certo? Não propriamente. Por exemplo, as start-ups que se encontram em localizações tecnológicas, como Silicon Valley e São Francisco, Estados Unidos da América, costumam ter facilidade para obter capital de investidores que mal podem esperar para gastar dinheiro na mais recente novidade. Muitos ignoram o risco e apostam dinheiro na esperança de estar a investir no próximo Facebook ou Instagram. Não deve avaliar o seu potencial de sucesso com base no financiamento que recebe.

Ter muito dinheiro leva à escala prematura
Quando tem dinheiro para escalar a sua start-up, parece um desperdício não mergulhar de cabeça. Contudo, escalar demasiado cedo pode prejudicar a sua start-up.

Uma pesquisa realizada pela Startup Genome concluiu que o escalar prematuro é a causa número um para o fracasso.  A escala prematura é definida como “gastar dinheiro além do essencial para o crescimento do negócio (por exemplo, contratar pessoal de vendas, ter marketing caro, aperfeiçoar o produto, arrendar escritórios, etc.) antes de acertar o encaixe produto/mercado”.

O problema é que escalar prematuramente esgota mais rapidamente as reservas de caixa, o que pode deixar a start-up com menos dinheiro para corrigir erros e ir reajustando à medida que avança. E falhar é o que acontece quando não tem o dinheiro necessário para corrigir os erros e avançar em direção ao sucesso.

Eis o que pode fazer para aumentar a probabilidade de desenvolver uma start-up de sucesso a longo prazo:

– Economize tanto quanto possível. Por exemplo, não precisa logo de um escritório gigante com móveis caros. Trabalhe em casa e contrate uma equipa remota até que seja absolutamente necessário um espaço.

– Verifique se o custo de aquisição de cada cliente faz sentido. Saiba quanto gasta para adquirir cada cliente. Acompanhe todos os esforços de marketing e elimine os caminhos que não geram clientes leais e que paguem. Se o custo para adquirir um cliente for superior ao que este gasta na sua empresa, reveja a estratégia de marketing.

– Procure melhorar a sua inovação. Skip Prichard, presidente e CEO da OCLC e autor do “The Book of Mistakes”, aconselha as start-ups a esforçarem-se para aumentar em 10 vezes o valor de qualquer inovação que esteja a ser fornecida ao mundo. Por exemplo, se a sua empresa está a oferecer um preço mais baixo por um valor maior, procure aumentar o valor em 10 vezes.

– O dinheiro é uma ferramenta, use-a com sabedoria. Ou seja, celebre quando receber o seu financiamento, mas mantenha o dinheiro no banco para as despesas necessárias. O dinheiro é uma ferramenta que não garante sucesso, mas se o gerir com sabedoria, terá mais hipóteses de superar a taxa de insucesso normalmente associada às start-ups.

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