Uma solução modular desenvolvida na Madeira que produz calor e eletricidade com recurso a biomassa e energia solar vai ser instalada no Good Shepherd Mission Hospital, em Essuatíni (antiga Suazilândia). O investimento é de 950 mil euros e parte do financiamento está a cargo da GoParity.

A dificuldade em fazer chegar energia de forma estável e eficiente a locais remotos levou a Innovakeme, uma start-up portuguesa da Madeira que desenvolve projetos de energia renovável, a criar a tecnologia SolarWood,  uma solução integrada de produção de eletricidade e calor fora da rede, com recurso a energia solar e biomassa.

A inovação está na integração de diversas soluções de produção e armazenamento de energia nos quatro contentores que constituem a SolarWood. Cada unidade tem uma função: uma produz e seca lenha; outra utiliza a biomassa para produzir de forma combinada o calor e eletricidade; o terceiro contentor produz eletricidade a partir de painéis solares; e o último é um sistema de armazenamento e gestão da energia produzida. No seu conjunto, a SolarWood terá uma potência de 150kWp (na central fotovoltaica), com capacidade de produzir 80kW de eletricidade e 160kW de energia térmica. A capacidade das baterias é de 50kWh

Este piloto irá chegar a Essuatíni em dezembro, altura em que estará uma equipa técnica responsável por operar, supervisionar e monitorizar a solução. A tecnologia será instalada no Good Shepherd Mission Hospital, em Siteki, capital do distrito de Lubombo, em Essuatíni e tem uma vida útil estimada de pelo menos 25 anos, avança a GoParity em comunicado.

Atualmente, o hospital tem um consumo anual de eletricidade de 800 MWh e 300 toneladas de carvão para aquecimento de água. “A energia consumida vem da rede nacional, a qual é maioritariamente produzida por centrais a carvão (76%). Como a rede elétrica em África, e em especial nas regiões mais remotas,  não é confiável e acontecem falhas de energia de forma regular, são utilizados geradores de emergência a gasóleo. Este projeto vai permitir uma estabilidade do abastecimento de energia ao hospital para que existam menos interrupções do funcionamento e não aconteçam falhas, por exemplo, a meio de uma intervenção médica. Além disso, a substituição de matérias primas fósseis por energia solar e biomassa certificada vai reduzir em 70% a emissão de gases com efeito estufa, ou seja, evitar a emissão de 1.350,3 toneladas CO2 por ano, o equivalente a 61.377 árvores plantadas”, esclarece Nuno Brito Jorge, CEO da GoParity.

Para além dos benefícios ambientais, o projeto terá impacto social na região com a capacitação das comunidades locais, a igualdade de género e a melhoria das condições do hospital, avança o comunicado.

15% dos lucros obtidos pelo “Special Purpose Vehicle” – a entidade financeira criada para gerir os fundos – serão direcionados para o hospital, o que permitirá à instituição melhorar as condições dos serviços prestados e alargar os serviços a mais pessoas e comunidades. A operação permitirá ainda empregar pelo menos 10 mulheres que ficarão encarregues da manutenção e monitorização da tecnologia no local.

A tecnologia SolarWood prevê um investimento de 950 mil euros que inclui a tecnologia, o fabrico, o transporte, a instalação, a formação de equipa técnica no local e monitorização.

100 mil euros estão abertos a financiamento colaborativo na GoParity (com a possibilidade de aumentar o valor a financiamento até aos 150 mil euros), com uma taxa de juro de 6,15%, a 8 anos. Qualquer pessoa, desde que maior de idade, pode investir no projeto a partir dos 20 euros

O restante capital será garantido pelo Nordic Development Fund (500 mil euros), pela Multiply Energy (150 mil euros), que é o promotor do projeto, e pela Wunder Sight (150 mil euros), uma empresa inglesa que desenvolve projetos a nível mundial de energia renovável, incluindo em Essuatíni onde já tem dois projetos instalados e um terceiro em desenvolvimento,

O Good Shepherd Mission Hospital, inaugurado em 1949, é um organismo paraestatal gerido pela Igreja Católica. Tem capacidade para 225 camas com uma taxa de ocupação que chega aos 130%, sendo a instituição responsável pelos serviços de saúde em toda a região de Lubombo, que constitui mais de 1/4 da área total de Essuatíni e onde vivem cerca de 212 mil pessoas, predominantemente de áreas rurais.

 

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