Retalhistas britânicos querem criar 100 mil empregos para jovens até 2029

Foto de Peggy_Marco Por Pixabay

Mais de 40 empresas do setor do retalho juntaram-se a uma iniciativa que pretende facilitar a entrada dos jovens no mercado de trabalho no Reino Unido. O objetivo é criar 100 mil empregos até 2029 e combater o ciclo em que é exigida experiência profissional a quem procura o primeiro emprego.

Os principais retalhistas do Reino Unido querem criar 100 mil empregos para jovens até 2029, numa iniciativa destinada a combater o aumento do número de pessoas que estão fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino.

A iniciativa, avançada pela Reuters e anunciada pelo British Retail Consortium (BRC) e pelo Department for Work and Pensions (DWP), envolve algumas das maiores empresas do setor, entre as quais Aldi, Amazon, Asda, Boots, Currys, John Lewis, Lidl, Marks & Spencer, Morrisons, Primark e Tesco.

Em paralelo com a meta de criação de emprego, foi lançado o programa Opening Shift, dirigido a jovens entre os 18 e os 24 anos que não trabalham, não estudam nem estão em formação.

O objetivo é responder a um dos principais obstáculos encontrados pelos jovens quando procuram o primeiro emprego: a falta de experiência profissional.

Quebrar o ciclo da “falta de experiência”

O Opening Shift vai proporcionar experiências profissionais com uma duração entre duas e quatro semanas, permitindo aos participantes conhecer o funcionamento das empresas e adquirir competências que possam facilitar a entrada no mercado de trabalho.

Mais de 11 mil colocações já foram disponibilizadas pelas empresas participantes. Os jovens terão acompanhamento no local de trabalho e oportunidade de passar por uma entrevista no final do programa. Sempre que exista uma vaga disponível, poderão ser considerados para um emprego permanente ou encaminhados para outras oportunidades dentro da empresa.

Os participantes poderão realizar entre 16 e 35 horas semanais de experiência profissional e continuar a receber o Universal Credit, o apoio social britânico destinado, entre outros grupos, a pessoas desempregadas ou com baixos rendimentos.

A iniciativa pretende combater aquilo que o British Retail Consortium descreve como o ciclo de “sem experiência, sem emprego”, em que os jovens precisam de experiência para conseguir uma oportunidade profissional, mas não conseguem adquiri-la porque ainda não tiveram acesso ao mercado de trabalho.

Quase um milhão de jovens fora do emprego e da educação

A medida surge num momento em que o Reino Unido enfrenta um aumento da preocupação com o desemprego e a inatividade entre os mais jovens.

Segundo o British Retail Consortium, quase um milhão de jovens britânicos encontram-se atualmente na categoria NEET (Not in Employment, Education or Training), ou seja, não estão empregados, não estudam nem frequentam formação. Isso corresponde a aproximadamente um em cada sete jovens.

O setor do retalho assume particular importância neste contexto, uma vez que, juntamente com a respetiva cadeia de fornecimento, representa quase um quarto do emprego jovem no Reino Unido.

Helen Dickinson, chief executive do British Retail Consortium, considera que a experiência profissional pode ser determinante para ultrapassar uma das principais barreiras à contratação de jovens e permitir-lhes dar os primeiros passos na carreira.

O programa resulta de uma parceria entre o setor privado e o Governo britânico e integra uma estratégia mais ampla destinada a aumentar as oportunidades de emprego e formação para os jovens.

O Governo britânico anunciou ainda um investimento adicional de 2,5 mil milhões de libras (cerca de 2,91 mil milhões de euros) até 2029 no Youth Guarantee e no Growth and Skills Levy. O objetivo é apoiar quase um milhão de jovens e criar até 500 mil oportunidades que combinem emprego e aprendizagem.

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