Candidatos recém-graduados têm poucas soft skill

Foto: Hays

Segundo o Guia Hays 2026, 59% dos empregadores indica que os candidatos recém-graduados têm competências comportamentais, as chamadas soft skills, pouco desenvolvidas.

Num contexto de rápida transformação do mercado laboral, impulsionada pela digitalização e pela inteligência artificial, o conhecimento técnico pode não ser suficiente. A capacidade de adaptação, a gestão da frustração, a interação humana e a aprendizagem contínua emergem como fatores críticos de diferenciação num processo de candidatura a um emprego.

Na avaliação do perfil dos candidatos recém-graduados, o Guia Hays 2026 revela que 59% dos empregadores consideram que estes têm competências comportamentais (soft skills), pouco desenvolvidas e aquém das necessidades do mercado, contra 34% dos empregadores dizem que os candidatos chegam preparados. A lacuna é apontada e associada à pouca preparação proporcionada pelas instituições de ensino.

De acordo os dados apurados pela análise da Hays, parece existir um desfasamento na perceção, uma vez que a 64% dos candidatos sente-se confiante de que as suas competências são relevantes e atuais, 39% reconhece a necessidade de atualização/expansão e 27% está a trabalhar ativamente na melhoria.

O peso crescente das competências relacionais responde também à evolução das formas de trabalho, marcadas, em particular, à adoção de modelos híbridos ou totalmente remotos, que se tornam desafiantes para o funcionamento eficiente das equipas. Ou seja, passa a ser imperativo comunicar com clareza, atuar de forma concreta e desenvolver inteligência emocional de forma a manter a coesão, mesmo quando a equipa não partilha o mesmo espaço físico.

Os novos ambientes laborais converteram-se também na procura de competências de agilidade, uma vez que as empresas procuram profissionais capazes de se adaptarem com rapidez a novas ferramentas e a novos processos, sem que isso afete o rendimento ou a relação dentro das equipas.

Matilde Moreira, Strategic Accounts Director da Hays Portugal, sublinha que “estes indicadores apontam para disponibilidade de aprendizagem, que deve ser canalizada por trilhos claros e oportunidades aplicadas já em contexto de trabalho. É importante que os empregadores continuem a apostar em programas internos de formação, plataformas ou outras iniciativas, de forma a investir nas competências dos candidatos, sejam estas técnicas ou comportamentais”.

Perante este cenário, o Guia Hays 2026 revela dados que comprovam o investimento das empresas na formação dos profissionais em contexto de trabalho. A oferta de programas internos é o meio mais procurado, com 82% dos empregadores a optarem por esta via.  55% usa plataformas online e 42% concede apoio financeiro para cursos e certificações. O recurso a mentoria/coaching representa 31%.

“O investimento que as empresas fazem nos seus profissionais já não é apenas em hard skills, ou seja, nas competências técnicas. Há uma necessidade crescente em otimizar a organização das equipas e a forma como se relacionam, e os empregadores valorizam cada vez mais a capacidade de adaptação, de aprender de forma continuada e que estas competências se desenvolvam de forma natural em ambientes onde podem ocorrer mudanças. O conhecimento técnico continua a ser imprescindível, mas as soft skills permitem aplicá-lo de forma mais eficiente e assegurar o crescimento das equipas”, conclui Matilde Moreira.

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