Em 2017 escrevi para o Link To Leaders um artigo intitulado “Vestuário é mensagem”,  no qual começava por afirmar que “A imagem é o que nos distingue dos outros e, por isso, devemos cuidar de todos os aspetos que possam contribuir para a sua melhoria, nomeadamente a forma como nos vestimos. Não apenas pelas mensagens subtis que a roupa transmite para pessoas mais atentas (uma gravata de marca, um fato de lã com bom corte), mas também pela mensagem óbvia e que todos decifram: se é ou não uma pessoa desleixada”.

Continuo a subscrever esta afirmação, mas, neste regresso ao trabalho dentro de um escritório depois de dois anos de teletrabalho, é altura de repensar num novo guarda-roupa executivo mais confortável e adaptado aos tempos que vivemos.

Nos locais onde se continuou a trabalhar presencialmente, a mudança não será tão notória. Mas quem trabalhou durante dois anos de calças de treino (ou pijama) e t-shirts terá dificuldade em vestir (e, sobretudo, investir) em fatos completos e camisas formais.

É importante que cada um se sinta bem com com o que veste, mas respeitando um código não-escrito sobre a aparência profissional. Mesmo com calças de ganga e sapatilhas, o conjunto deve transmitir informalidade e não desleixo.

No primeiro dia de regresso ao trabalho no escritório convém observar as mudanças de vestuário das outras pessoas do seu emprego. As coisas mudaram muito e estou convencida de que o vestuário formal só será exigido aos níveis hierárquicos superiores das grandes empresas e da administração pública.

A diferença é já abissal entre o vestuário de quem voltou a fazer o atendimento num serviço público e as chefias desses serviços. Nas empresas privadas o rigor do vestuário de quem está na primeira linha de atendimento e a formação que lhes foi dada, contribui para uma imagem mais cuidada e coerente da empresa ou instituição que representam.

Nas empresas mais tradicionais, o traje adequado para trabalhar continua a ser aquilo que em países anglo-saxónicos se designa por “business suit”: um fato claro no verão e mais escuro no inverno, ou um blazer com calças de cor diferente, camisas de manga comprida e gravata. Uma hipótese nas empresas menos conservadoras será o “smart casual”: um blazer ou um casaco com calças de outra cor e uma camisa sem gravata.

Este deverá ser o novo “dress code” para eventos profissionais, reunindo clientes, fornecedores e colaboradores de uma empresa porque a maioria dos executivos que está agora no terreno já só veste fato completo escuro em eventos muito formais como, por exemplo, nos casamentos.

No caso das executivas, a hipótese de regressarem a trabalhar num escritório parece ter sido recebida com algum entusiasmo. Qualquer executiva que passou os últimos meses a tratar da casa e dos filhos, no mesmo local em que desempenhava funções profissionais à distância, sente vontade de voltar a ter uma vida estruturada como tinha antes da pandemia.

Arranjar-se para sair de casa faz parte da nova normalidade das executivas. As roupas continuarão a ser confortáveis, os sapatos também, desde que o conjunto resulte elegante. Grande parte da roupa usada durante a pandemia não estará em condições de ser vestida em reuniões com outros executivos e executivas. Antes de investir num guarda-roupa novo, deve procurar saber qual vai ser o novo “dress code” no escritório. Talvez as sapatilhas possam substituir os sapatos de salto alto, ou talvez não.

Talvez as calças de ganga sejam aceitáveis, mas as calças de treino não. Os vestidos continuam a ser uma opção, desde que não sejam túnicas de praia transparentes e muito compridas. Uma camisa branca por cima de umas calças escuras dá um ar profissional se lhe juntar um colar ou um lenço. Também pode usar uma túnica, se a favorecer mais. Para ocasiões formais, basta acrescentar um casaco e alguma bijuteria.

Para terminar, diz-se que a elegância começa no arranjo do cabelo e só termina nos pés. Ou, mais exatamente, nos sapatos e que é por eles que se avalia o gosto de uma pessoa. Sapatos confortáveis, mas discretos e em estado impecável tanto para os executivos como para as executivas. Com bom senso, vai ser fácil ajustar-se às regras não escritas do novo guarda-roupa profissional e continuar a transmitir a melhor Imagem com o maior Sucesso!

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Sobre o autor

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Isabel Amaral é Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo desde 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em... Ler Mais