Conheça a Greenport, uma start-up suíça que aluga casas de banho portáteis e transforma os dejetos humanos em adubo rico para o solo.

Na primavera do ano passado, os funcionários do jardim zoológico de Zurique limparam o arvoredo de bamboo da zona tropical do zoo para plantarem árvores de fruto. Passado alguns meses os funcionários aperceberam-se que as árvores plantadas tinham crescido muito mais rápido que o normal. Martin Bauert, curador da zona tropical do jardim zoológico, mostrou-se bastante espantado com a “rapidez com que as árvores criaram raízes”.

O segredo por trás deste feito é a chamada terra preta: um adubo feito de carvão e fezes humanas. O zoo usou este composto durante 18 meses e os resultados, segundo Bauert, foram fora do comum. “A vegetação rasteira melhorou bastante” referiu o curador.

A ideia foi criada pelo fundador de uma start-up chamada Greenport. Tobias Müller, carpinteiro, inventor e intitulado “homem dos sete ofícios”, juntou-se a alguns amigos para criar este adubo que é usado no jardim zoológico suíço.

O projeto surgiu em 2010, altura em que o fundador da Greenport comprou um terreno morto, onde praticamente não havia vegetação. Depois de alguma pesquisa online, Müller descobriu um composto tradicionalmente criado por indígenas da Amazónia chamado terra preta de índio. Este composto era criado a partir de uma mistura de carvão, ossos de peixe e fezes humanas.

Com este novo produto, Müller quis “quebrar alguns tabus”, visto que, segundo o criador, é o ciclo totalmente natural: as fezes transformam-se em solo e a urina em fertilizante. Para recolher o material “em bruto”, a equipa criou uma casa de banho portátil, denominada Greenport. Estas casas de banho portáteis são alugadas a organizações de eventos ao ar livre como festivais, mercados, casamentos ou feiras de comida.

Estas instalações portáteis são feitas à mão a partir de madeira de abeto, o que dá um aspeto mais confortável do que as casas de banho comuns, feitas de plástico. Os dejetos humanos caiem num recipiente que depois é transportado pela equipa da start-up de Müller para uma instalação onde o material é tratado. Nessa instalação, os dejetos são expostos a temperaturas que chegam aos 800 graus Celsius. Este processo destrói todos os germes, vírus e hormonas que possam ser prejudiciais à saúde. O que o calor não destrói, no entanto, são os nutrientes benéficos para a produção de adubo.

Müller refere que o trabalho desenvolvido pela sua start-up passa por levar os dejetos humanos de volta a onde pertencem, à natureza. Segundo Müller, a Humanidade precisa de encontrar uma maneira de tornar os dejetos humanos em algo mais produtivo.

Por agora, a produção do composto está limitada a 200 metros cúbicos. No entanto, a start-up de Müller pode aumentar a escala de produção em breve. “O aluguer de casas de banho é um mercado multimilionário. Se conseguirmos ficar com uma parte ficamos satisfeitos”, referiu o cofundador. Num futuro próximo, toda a zona tropical e a área dos elefantes do jardim zoológico de Zurique vão ter o adubo criado pela Greenport.

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