Gigantes tecnológicos chineses e robôs humanoides vão marcar o Web Summit 2026

Foto: @Link to Leaders

Gigantes tecnológicos como a Tencent, Xiaomi e XPENG estarão entre os participantes de mais uma edição do Web Summit, que contará também com quatro robôs humanoides na lista de oradores e deverá reunir mais de 70 mil pessoas.

Daqui a um mês, as luzes voltam a ligar-se na Feira Internacional de Lisboa (FIL) e na MEO Arena ao ritmo do Web Summit. Será a décima edição em Lisboa e promete novidades.

A organização do evento anunciou que irá receber, no próximo mês, em Lisboa, “a maior e mais relevante delegação de líderes tecnológicos chineses de sempre, reunida num evento tecnológico ocidental”.

“Numa altura em que se multiplicam os sinais da crescente liderança da China em diferentes áreas tecnológicas, desde a inteligência artificial (IA) e a robótica até à indústria automóvel e à computação, o Web Summit conseguiu reunir um conjunto sem precedentes de responsáveis pelas principais empresas tecnológicas chinesas”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Presidentes, fundadores, gestores e até robôs humanoides de algumas das empresas tecnológicas mais influentes da China, incluindo a Tencent, Pony.ai, Manus AI, Xiaomi, XPENG, Hisense Group, Agibot e Galbot, irão participar na conferência, juntamente com académicos e especialistas. “O objetivo é proporcionar uma visão aprofundada sobre os fatores que permitiram à China assumir uma posição de liderança em vários setores tecnológicos, bem como apresentar perspetivas sobre um futuro cada vez mais marcado pela inteligência artificial e pela robótica”, explica a organização do evento.

O Ministério do Comércio da China, responsável pela definição das políticas de comércio externo e investimento do país e pela promoção da internacionalização das empresas chinesas, também estará representado através de uma delegação. O mesmo acontecerá com a Administração do Ciberespaço da China, entidade reguladora nacional responsável pela Internet, segurança dos dados e inteligência artificial generativa.

“A adoção da inteligência artificial e da robótica chinesas não mostra sinais de abrandamento. GLM, MiMo, Hy4, Manus, Agibot e Galbot são apenas algumas das empresas e tecnologias que estamos a anunciar. Fazem parte de várias vagas de anúncios de importantes oradores e expositores chineses que estarão presentes na Web Summit”, afirmou Paddy Cosgrave, fundador e CEO da Web Summit.

“Até agora, poucos destes líderes tecnológicos chineses tinham participado como oradores em eventos no Ocidente”, acrescentou.

China ganha terreno na corrida tecnológica

A presença de representantes do setor tecnológico chinês em Lisboa é anunciada num contexto em que surgem cada vez mais indicadores de que a China está a ultrapassar o Ocidente num número crescente de áreas tecnológicas.

A OpenRouter, plataforma que acompanha a utilização de modelos de inteligência artificial por programadores, concluiu que, em junho, os modelos chineses de IA já tinham ultrapassado os norte-americanos em utilização na sua plataforma. Na semana de 14 de setembro de 2026, os modelos chineses representaram entre 57% e 67% dos tokens utilizados na OpenRouter, face aos 6% a 13% registados em fevereiro.

Por sua vez, um estudo divulgado em abril pela Andreessen Horowitz concluiu que 80% dos programadores que desenvolvem soluções com ferramentas de código aberto (open source) utilizavam tecnologia chinesa, apontando a China como líder do ecossistema de inteligência artificial de código aberto.

Também Clément Delangue, CEO da Hugging Face, afirmou recentemente à CNBC que a China está a vencer esta corrida tecnológica, defendendo que “o ritmo de progresso é muito mais rápido na China do que nos Estados Unidos”.

O progresso tecnológico da China não se limita à inteligência artificial. Os veículos elétricos chineses representam atualmente 14% do mercado europeu, uma quota que continua a crescer. De acordo com a IDC, a China foi responsável pela produção de quase quatro em cada cinco robôs humanoides enviados para todo o mundo durante o primeiro semestre de 2026.

O país é também o maior produtor mundial de tecnologias limpas, sendo responsável pelo fabrico de 85% dos painéis solares produzidos a nível global.

As capacidades chinesas no domínio da inteligência artificial e as questões relacionadas com a soberania tecnológica têm vindo a ganhar destaque nas agendas políticas dos governos ocidentais. A IA foi, inclusivamente, um dos principais temas abordados durante a recente visita do Presidente chinês, Xi Jinping, ao Presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington.

Ao mesmo tempo, têm surgido críticas às propostas de regulamentação da inteligência artificial apresentadas por algumas empresas ocidentais, com vozes a defender que estas iniciativas poderão procurar limitar a concorrência dos modelos de IA de código aberto desenvolvidos por empresas chinesas.

David Sacks, cofundador da Craft Ventures e presidente do Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia do Presidente dos Estados Unidos, defendeu a utilização de modelos chineses de código aberto, afirmando “estou a defender os programadores norte-americanos, que precisam de poder utilizar tudo o que está disponível no domínio público”.

Os dados mais recentes sobre a capacidade tecnológica da China vêm reforçar previsões feitas já em 2018 por Paddy Cosgrave, fundador e CEO da Web Summit, que há vários anos defende que, independentemente das considerações políticas, os avanços tecnológicos chineses são inegáveis.

O Web Summit deverá reunir, em novembro, em Lisboa, mais de 70 mil fundadores de empresas, investidores, decisores políticos e profissionais da comunicação social.

Ao longo das 17 áreas temáticas da conferência, estarão presentes mais de 700 fundadores e executivos de algumas das principais empresas mundiais dos setores empresarial e tecnológico.

Entre os oradores confirmados encontram-se Danielle Perszyk, diretora de Ciência Cognitiva do Laboratório de Inteligência Artificial Geral (AGI) da Amazon; Michele Catasta, presidente e responsável pela área de Inteligência Artificial da Replit; Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia; e Tao Zhang, cofundador da Manus.

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