Esta semana o planeta Terra foi posto à prova com o desaparecimento do grupo Facebook do mapa. Foram cerca de seis horas de mundo sem Facebook, Instagram e WhatsApp. O impacto negativo no grupo é sério e vai com certeza obrigar a repensar a estratégia de integração das três redes.

Há uma máxima que diz que colocar os ovos todos no mesmo cesto não é o mais acertado. Com este apagão, esse pensamento deve estar bem patente na mente de Mark Zuckerberg; ou não! Também está na cabeça de todos aqueles que profissionalmente dependiam da rede do Facebook.

A Internet não é só Facebook …

Mas afinal o que aconteceu? Bem, a tecnologia, por mais avançada que seja, tem falhas, quer por erro humano ou “defeito” da tecnologia em si.

Como é sabido, a Internet é uma enorme rede de redes. Para as unir, existe o Border Gateway Protocol (BGP) que se encarrega de  analisar e escolher as melhores rotas para enviar os dados. O BGP enuncia as redes para as outras redes, após identificadas pelas próprias. É um protocolo de roteamento externo responsável por conectar as redes que formam a Internet.

Após realizar configurações incongruentes nos ‘routers’ (roteadores ou encaminhadores de dados) dos seus ‘data centers’, o Facebook tornou-se invisível ao protocolo BGP, sendo assim ignorado pelos ‘providers’ (fornecedores de acesso), pois era como se a rede do Facebook não existisse.

Como consequência directa, os sistemas DNS (Domain Name System) de todo o mundo, pararam de converter os nomes de domínio do Facebook e subsequentes redes conectadas pelo BGP mal configurado. Assim, no seguimento do efeito cascata, gerou-se uma onda gigantesca de tráfego DNS adicional, porque aplicações e outros sistemas tentavam alcançar, em vão, os domínios do Facebook repetidamente, assim como grande parte dos utilizadores do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Os sistemas DNS em todo o mundo viram-se então obrigados a lidar com um volume de consultas 30 vezes superior ao normal, causando assim problemas de latência e instabilidade em outras plataformas sociais.

O Facebook terá aprendido a lição, mas nós também. Não criar sistemas totalmente dependentes de outros sem ter métodos alternativos, caso contrário a redundância fica seriamente comprometida.

Imaginem o que seria se os hospitais adoptassem sistemas de suporte de vida dependentes das redes do Facebook e estas falhassem a sua função como esta semana aconteceu!

O lado bom de tudo isto — até mesmo para o Facebook —, é que o mundo teve a oportunidade de experienciar um ‘detox’ de Facebook, Instagram e WhatsApp.

Ainda que muito reduzida, esta desintoxicação ofereceu um vislumbre de um mundo sem alguma (demasiada) toxicidade digital.

Nota: Este artigo não obedece, propositadamente, ao Novo Acordo Ortográfico..

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Empreendedor, Programador e Analista de Sistemas, Henrique Jorge é o fundador e CEO da ETER9 Corporation, uma rede social que conta com a Inteligência Artificial como elemento central, e que atualmente está em fase BETA.

Desde sempre ligado ao mundo da tecnologia, esteve presente no início da revolução da Internet e ficou conhecido pela introdução da Internet e das tecnologias que lhe estão associadas em Portugal, sendo um dos pioneiros nessa área.

Passando por vários episódios de desconstrução e exploração das linguagens dos computadores, chegou à criação da rede social ETER9, um projeto que tem conhecido projeção internacional, e que ambiciona ser muito mais que uma simples rede social. Através de Inteligência Artificial (IA) pretende construir a ponte entre o digital e o orgânico, permitindo a todos deixar um legado digital ativo no ciberespaço, inclusive pela eternidade. Fora do espaço virtual, é casado, pai de duas filhas, e “devora” livros.

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