Estudo Cegos revela tendências de RH e formação em Portugal

O “Decoding the Future, Post Lockdown”, da Cegos,  avança algumas tendências sobre o futuro dos recursos humanos e da formação no mercado nacional.

A formação continua a ser considerada uma alavanca estratégica no novo normal; a maturidade digital das organizações traduzir-se-á numa combinação crescente de metodologias de formação; as organizações irão focar-se nas soft skills para melhor enfrentar os desafios do novo cenário. Estas são apenas algumas das conclusões do estudo internacional Cegos 2020 “Decoding the Future, Post Lockdown”, uma análise do grupo Cegos ( representado pela Cegoc em Portugal) realizada quatro países – Portugal, Espanha, Itália e Inglaterra – e que teve por base a resposta à questão: Como será o futuro das empresas, dos seus colaboradores e clientes, bem como dos fornecedores de serviços no setor da formação e desenvolvimento profissional?

Portugal participou com cerca de 220 profissionais (num total de 800), entre eles diretores de recursos humanos (19%), especialistas no setor (13%) e responsáveis pela área de L&D (11%). E no que toca ao mercado nacional, o “Decoding the Future, Post Lockdown” constatou que 56% das organizações assumem que vão aplicar os seus recursos em desafios prioritários relacionados com a retoma e continuação do negócio. No entanto, irão manter as intervenções ao nível da formação que considerarem essenciais.

Por outro lado, 36% dos decisores portugueses consideram que os desafios atuais fazem da formação um tema ainda mais estratégico e pretendem aumentar os seus investimentos na área. Apenas 8% considera interromper temporariamente os seus programas de formação.

Constata-se ainda que 59% das empresas demonstram a intenção de abordar a sua estratégia de formação para 2021 com formações blended (digital/presencial), mas com maior utilização de soluções presenciais, valor ligeiramente acima da média de 55% registada entre os 800 inquiridos dos quatro países que fazem parte do estudo.

De qualquer forma, 26% das empresas nacionais irão manter a formação essencialmente digital, também por via da redução do orçamento para esta área. Verifica-se, ainda, que 15% das organizações portuguesas pretendem organizar formações com maior enfoque presencial logo que seja possível (percentagem equilibrada face ao resultado global do estudo, que aponta para 16%).

Quanto às características das formações, no caso português, 87% das empresas optou pelo formato webinar. Os módulos de e-learning foram a segunda opção, com 76%, e por último as virtual classrooms, bem como os vídeos e podcasts, surgem em quarto lugar, com 67% de menções.

Os resultados do “Decoding the Future, Post Lockdown” mostram ainda que em Portugal 38% das empresas pretendem atualizar ou desenvolver soft skills ligadas à gestão e desenvolvimento pessoal.

A pandemia introduziu mudanças radicais na forma de trabalhar das organizações e, por isso, os novos modelos e formas de relacionamento à distância são competências mencionadas por 35% dos inquiridos nacionais. A comunicação no decorrer da crise foi referida por 29% dos decisores nacionais nas áreas de RH, com o smart working, a gestão à distância e a capacidade de decisão também merecerem especial atenção, com 28%, 26% e 24%, respetivamente.

O futuro exige equilíbrio

A tendência aponta para um equilíbrio entre os vários formatos que se perspetivam como melhores práticas formativas. Ou seja, entre a aprendizagem alternada com o trabalho; a aprendizagem e o trabalho em simultâneo; a experiência, o ensinar (síncrono), a contribuição (cursos abertos), a partilha (aprendizagem social) e o digital, e, por fim, a presença em simbiose, ou seja, uma aprendizagem híbrida.

Do conjunto dos quatro países inquiridos, Portugal foi aquele em que a maioria dos responsáveis, 43%, demonstrou a sua intenção de continuar apenas com formação digital, numa perspetiva de promover o trabalho inteligente.  21% aponta para uma formação digital exclusiva, e apenas 16% das empresas têm como intenção organizar formações presenciais assim que o enquadramento social e regulatório o permita.

Numa análise mais global, para todos os países envolvidos na análise, a incerteza atual aponta para uma formação exclusivamente digital (67%). Para essa opção parece contribuir, por um lado, a necessidade de reduzir o orçamento destinado à formação (29%), e por outro, o evitar comportamentos que possam aumentar o risco de contágio.

Ricardo Martins, diretor-geral da Cegoc Portugal, frisou que “embora estejamos em pleno período pandémico, com todas as dúvidas que levanta no que concerne ao futuro imediato das organizações, temos verificado que estas têm um rumo definido, uma perspetiva estratégica para as pessoas, afinal a maior riqueza das empresas. A vontade de manter ao máximo um conjunto de ações formativas, mesmo que num crescente mix entre presencial e digital, a que se soma a perceção que a transformação digital exige, igualmente, a maior humanização possível, bem como o desenvolvimento de dinâmicas de reciclagem de conhecimentos, são aspetos relevantes, que nos dão maior otimismo para os próximos tempos”.

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