Durante muitos anos senti-me triste por achar que os mérito dos objetivos que tinha atingido não era meu. Os objetivos em que pus mais do meu esforço são os artigos académicos que tenho publicado nos últimos anos e o mérito desses artigos não é mesmo nada só meu.

É claro que a ideia do artigo foi minha, mas cada um dos artigos que publiquei recentemente esteve três anos a receber comentários dos três académicos anónimos do comité de revisão da revista. Cada artigo beneficiou muito e mudou muito com esses comentários. Sou eu o autor dos meus artigos porque é só o meu nome que aparece no artigo, mas o mérito não é só meu.

Durante muitos anos senti-me triste porque achava que o mérito devia ser só meu, que se eu fosse mesmo bom, devia ser capaz de publicar um artigo sem ter que o mudar muito, mas agora acho que tinha uma ideia errada do mérito e do sucesso. O mérito é sempre coletivo. O sucesso é a apropriação desse mérito coletivo.

Pode ser que haja casos em que o mérito seja completamente individual. Mas não nas empresas. Nas empresas o sucesso é a apropriação individual do mérito coletivo. Há empresas que tem mais empregados do que os habitantes de alguns países. Como é que quem manda na Apple, na Tesla ou na Microsoft pode ter mérito do sucesso da empresa que lidera? Não faz sentido nenhum. Mas é verdade que essas pessoas são vistas como pessoas de sucesso porque são elas que tem o direito de se apropriar do mérito coletivo de todas as pessoas que trabalham na empresa, tal como eu tenho o direito de me apropriar do mérito de todas as pessoas que me ajudaram a melhorar os meus artigos.

Quando percebi isto – que o sucesso é a apropriação individual do mérito coletivo – fiquei super entusiasmado com a quantidade de novas oportunidades que tinha para viver a satisfação de ter atingido objetivos desafiantes. Já não são só os artigos que eu escrevo que me permitem desenvolver ideias novas e conceitos inovadores. São também todos os artigos que eu revejo ou que comento nas revistas em que estou no comité de revisão. Já não são só os projetos que eu lidero que me permitem mudar a escola onde trabalho e o mundo que me rodeia. São também todos os projetos das pessoas que lidero, das pessoas com quem partilho ideias e até mesmo das pessoas a quem dou energia e entusiasmo.

Hoje estou mais contente. Continuo a pensar que apenas tenho parte do mérito nos meus sucessos. Mas agora estou muito entusiasmado com o mérito que posso ter no sucesso dos outros.

Nota: Caros leitores, quero dar-vos a oportunidade de reconhecerem o meu trabalho quando escrevo um texto de que gostem. É fácil, basta usar a minha página ko-fi.

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