A tecnologia europeia tem um lugar de destaque na economia mundial de 2019, revela um estudo recente divulgado pela Atomico, em parceria com a Slush and Orrick.

O relatório sobre o Estado da Tecnologia Europeia efetuado pela Atomico, em parceria com a Slush and Orrick, revela que a tecnologia europeia conquistou um lugar de destaque na economia mundial ao longo de 2019, muito fruto do financiamento registado na região, que ultrapassou os 26 mil milhões de euros, bem como do montante de investimentos que rondou os 90 milhões de euros.

Já quanto ao ecossistema tecnológico português, o estudo verificou um abrandamento durante o ano já que os financiamentos e crescimento de talentos diminuíram.

São cinco as tendências chave identificadas pelo relatório da Atomico para o mercado tecnológico.

1 – À medida que o mundo se centrava nos diferendos entre os Governos norte-americano e chinês, a tecnologia europeia continuou o seu crescimento.
– O estudo refere que as empresas tecnológicas europeias estão no bom caminho para conseguirem totalizar mais de 26 mil milhões de euros de financiamento em 2019.
– No mercado português é esperado que o financiamento decresça até 66%, ficando em 126 milhões de euros em 2019. (Fonte: Dealroom)

 2 – Portugal decresce como hub deep tech
– O financiamento no deep tech em Portugal atingiu os 89 milhões de euros este ano, o mesmo valor registado na totalidade dos últimos cinco anos. (Fonte: Dealroom)

3 – A criação das normas da tecnologia europeia permanece um mistério para muitos fundadores europeus
– Quando questionados para descreverem as principais prioridades da Comissão Europeia em termos de normas tecnológicas, 40% dos fundadores e colaboradores das start-ups afirmaram não se sentirem suficientemente informados para comentarem. (Fonte: Survey)

– Apesar desta falta de conhecimento, todos os inquiridos votaram na comissária da concorrência Margrethe Vestager como sendo a pessoa com maior influência (boa ou má) na tecnologia europeia em 2019. (Fonte: survey)

– O estudo constatou ainda que os parlamentares europeus não estão a dar a devida atenção às fintech e à saúde digital, dois setores para onde os investidores canalizaram 10 mil milhões de euros no ano passado.

 4 – Os números da diversidade da Europa ainda são sombrios
– Em 2019, entre Portugal e Espanha, 92% de financiamento foi todo para equipas de homens, um nível semelhante ao de 2018. (Fonte: Dealroom)

– Entre Portugal e Espanha, 63% de mulheres que trabalham em capital de risco reportou um crescente foco na participação de eventos com forte participação de diferentes fundadores. O número correspondente para homens que trabalham com capital de risco foi de apenas 33%, o que sugere que os parceiros masculinos estão a deixar o problema da diversificação europeia para as mulheres presentes no mundo de capital de risco.

5 – Fundadores europeus tentam tentar resolver problemas do mundo
– Um em cada cinco fundadores europeus afirma que a sua empresa já está a medir o seu impacto social e/ou ambiental. (Fonte Survey)
– Apenas 14%dos fundadores não acredita que é relevante para a sua empresa. As fundadoras estão mais avançadas na sua abordagem para a medição de impacto. (Fonte: survey)
– Os trabalhadores estão a estabelecer um grande ênfase na responsabilidade social corporativa, com 57% a reafirmar a importância no questionário do Estado da Tecnologia Europeia. (Fonte: survey)

Outra componente do relatório da Atomico envolveu um inquérito a 5000 membros do ecossistema, incluindo 1000 fundadores, que traçaram o perfil do tipo de pessoa que abre uma empresa tecnológica na Europa. As conclusões referem que para os fundadores tech o bem-estar mental é uma preocupação constante, com ¼ dos fundadores a frisar que a fundação da sua empresa teve um grande impacto negativo na sua saúde mental.

Por outro lado, as pessoas que se sentiram negativamente impactadas são as que afirmaram sentir mais dificuldade com desafios como, por exemplo, encontrar o equilíbrio na relação trabalho-vida pessoal, além de sentiram mais solidão quando estão no top, comparados com os colegas que disseram que criar uma empresa foi maioritariamente uma experiência positiva para a sua saúde mental.

Este inquérito, concluiu ainda que as pessoas com antecedentes socioeconómicos mais baixos lidam com mais barreiras financeiras para se tornarem empreendedores. 81% dos empreendedores vivia confortavelmente antes de fundarem a sua empresa, comparado com 39% dos europeus que dizem estar a viver bastante facilmente, facilmente ou muito facilmente segundo a Eurostat. Este relatório resultou de um inquérito realizado em setembro e outubro deste ano, e envolveu 5 mil pessoas.

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