Opinião

2025 e a lição que mais importa: pensar a estratégia

Pedro Celeste, diretor-geral da PC&A

Estamos a assistir a um ponto de viragem na forma como as empresas pensam a estratégia, o marketing estratégico e os modelos de gestão.

Depois de um longo período dominado pela urgência, pela experimentação tática e pela obsessão com métricas de curto prazo, tornou-se evidente que eficiência sem direção não cria valor sustentável.

A primeira grande ilação é a de que a estratégia empresarial cada vez mais se deve assumir como escolha consciente, e não como uma mera reação ao mercado. Num contexto de instabilidade geopolítica, pressão sobre margens, aceleração tecnológica e consumidores mais informados, as empresas percebem que não podem servir todos, estar em todos os canais ou competir apenas pelo preço. A clareza estratégica deve ser assumida como um ativo crítico de sucesso.

No marketing estratégico, 2025 marcou o fim da ilusão do crescimento contínuo suportado apenas em performance digital. Muitas marcas descobriram, tarde demais, que otimizar cliques não significa criar relação. Assistiu-se a um reforço do investimento na marca e em fatores como a confiança e coerência, tanto em B2C como em B2B. O storytelling deixou de ser meramente cosmética para passar a ser estrutural, através de propostas de valor claras, provas concretas e experiências consistentes ao longo de toda a jornada do cliente.

O ano também evidenciou múltiplos casos de miopia de negócio. Empresas focadas exclusivamente em reduzir custos degradaram o serviço e perderam clientes estratégicos. Outras, obcecadas com eficiência operacional, complicaram processos digitais ao ponto de afastar utilizadores menos tecnológicos. Em B2B, houve organizações que automatizaram o relacionamento, substituindo gestores experientes por fluxos genéricos, falhando precisamente onde o cliente esperava proximidade, compreensão e decisão. Em B2C, marcas que confundiram personalização com intrusão viram a confiança deteriorar-se rapidamente.

Ao nível da gestão, há uma aprendizagem que nos deixa 2025, através da consolidação de um novo modelo: gerir deixou de ser apenas controlar indicadores históricos e passou a ser orquestrar decisões futuras. Modelos de gestão excessivamente financeiros revelaram-se insuficientes para lidar com a complexidade, incerteza e a mudança acelerada. Nesse contexto, cresceu a adoção de frameworks de antecipação estratégica, com cenários alternativos, indicadores prospetivos e reflexão estruturada sobre riscos de irrelevância.

A inteligência artificial assumiu aqui um papel decisivo, não apenas como ferramenta de automação, mas como suporte à decisão estratégica: previsão de procura, pricing dinâmico, segmentação avançada e simulação de impactos. Contudo, 2025 mostrou claramente que a vantagem competitiva não está na tecnologia em si, mas na qualidade do pensamento estratégico que a orienta. Sem visão, a IA apenas acelera más decisões.

No mercado B2B, destacou-se a maturidade crescente do marketing estratégico, com foco em valor económico demonstrável, confiança e relações de longo prazo. No B2C, a prioridade deslocou-se da aquisição para a retenção, da notoriedade para a experiência total do cliente.

Mais do que antecipar 2026, uma conclusão impõe-se: as empresas vencedoras não serão as mais rápidas, nem as mais digitais, mas as que pensam melhor. Reforçar o pensamento estratégico, evitar a miopia do curto prazo e colocar o cliente no centro das decisões reais — e não apenas dos discursos — será determinante.

Votos de um Excelente Ano a todos!

Comentários
Pedro Celeste

Pedro Celeste

Doutorado em Gestão pela Universidade Complutense de Madrid. Diplomado pelo INSEAD, London Business School, Wharton School, University of Virginia, MIT Management Sloan Management School, Harvard Business School, Imperial College of London, Kellogg School of Management de Chicago e IESE Business School. Na Católica Lisbon School of Business & Economics é Diretor Académico dos Executive Master in Management e coordenador do Programa Avançado de Marketing para Executivos, do Programa de Gestão Comercial e Vendas, do Programa de Gestão em Marketing Digital... Ler Mais..

Artigos Relacionados