Falta de talento e poucas competências digitais são ameaças à competitividade das empresas

Relatório da Marsh revela que a escassez de talento está entre as principais preocupações das organizações europeias. Já ultrapassa a preocupação com o risco cibernético.

A escassez de mão de obra é o risco humano mais crítico para as empresas europeias, já que 62% a prever enfrentar este risco nos próximos dois anos. Mais, a falta de talento está a tornar-se a principal ameaça à resiliência e competitividade das empresas, ultrapassando até o risco cibernético entre as prioridades das organizações. Estas são algumas das conclusões espelhadas no People Risks Report 2026″, um estudo divulgado pela Marsh e que identifica a combinação crescente de escassez de mão de obra, o défice de competências tecnológicas e os desafios associados à adoção da inteligência artificial (IA) como fatores que estão a redefinir a gestão de risco nas empresas europeias.

Partindo de uma base trabalho que envolveu respostas de mais de 620 profissionais das áreas de recursos humanos e risco (na França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Turquia), o relatório identifica os riscos humanos mais significativos enfrentados pelas organizações. Revela que a escassez de mão de obra apresenta a pontuação de risco mais elevada, o que é particularmente grave em setores como a indústria transformadora, energia, retalho e construção, impulsionado por alterações demográficas, desajustes de competências e uma crescente competição pelo talento.

Por outro lado, e embora o risco cibernético continue a ser, globalmente, uma das principais preocupações, o contexto específico da Europa coloca a escassez de mão de obra na linha da frente, seguida pela falta de literacia em matéria de ameaças cibernéticas e pela escassez de competências tecnológicas. Igualmente significativo, continua também o aumento dos custos com saúde e benefícios, com mais de metade dos inquiridos a classificar o seu impacto como catastrófico ou elevado.

O relatório sublinha também o facto de as organizações estarem a investir fortemente em IA, mas, todavia, estão mais preocupadas quanto à capacidade desse investimento gerar ganhos significativos em produtividade, inovação e desempenho.

Verifica-se que 58% das organizações na Europa reportam um nível de maturidade avançado ou transformador em inteligência artificial, o que sugere que esta tecnologia já está integrada nos processos centrais. Apesar disso, 40% dos profissionais das áreas de recursos humanos e risco manifestam preocupação com a implementação da IA sem formação adequada, enquanto 35% referem a potencial resistência dos colaboradores, motivada pelo receio de perda de emprego.

O “People Risks Report 2026”  destaca ainda a importância de uma maturidade avançada na gestão de risco e de uma forte colaboração entre as funções de recursos humanos e gestão de risco na Europa.  Revela que, atualmente, 37% das organizações colaboram plenamente e que 46% colaboram parcialmente na gestão de riscos relacionados com pessoas, colaboração essa associada a estratégias de mitigação mais eficazes e a uma maior estabilidade organizacional.

Outra das conclusões desta pesquisa da Marsh aponta que as prioridades de planeamento nas organizações europeias incluem o apoio à saúde mental dos colaboradores e a gestão dos desafios de mobilidade relacionados com a geopolítica (41%), a adaptação do planeamento da força de trabalho à urbanização e às tensões intergeracionais (32%), medidas de resiliência climática, como seguros contra riscos climáticos (40%-41%), e salvaguardas relacionadas com a IA, incluindo formação para identificar conteúdos maliciosos gerados por IA (38%) e medidas para responder a vulnerabilidades de cibersegurança (37%).

Miguél Ros Galego, responsável pela Mercer Marsh Benefits Portugal, destaca que “estas conclusões demonstram até que ponto os riscos humanos atuais estão interligados – e como afetam diretamente a resiliência e o desempenho das organizações –, começando pela escassez de mão de obra, o risco mais crítico na Europa”.  E, acrescenta, “as organizações podem adotar uma abordagem estratégica para atrair, reter e desenvolver competências, reforçando simultaneamente os benefícios no local de trabalho e a resiliência cibernética, de forma a responder às pressões do mercado de trabalho, bem como aos riscos cibernéticos e de saúde, e prosperar num contexto de incerteza contínua”.

O responsável pela Mercer Marsh Benefits Portugal sublinha ainda que “os riscos humanos não podem ser considerados preocupações secundárias, uma vez que afetam a saúde e o bem-estar tanto da força de trabalho como das organizações”.

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