Opinião
A verdadeira revolução elétrica acontece nas nossas casas
A mobilidade elétrica é, indiscutivelmente, o principal motor para a descarbonização das nossas cidades, mas o paradigma mudou: hoje, o verdadeiro desafio a nível do carregamento de veículos elétricos não é tecnológico, mas de execução e escalabilidade.
A adoção de veículos elétricos está a acelerar a um ritmo superior ao que a infraestrutura que os suporta, e esta transição pode ser travada se não considerarmos o carregamento no local onde as pessoas passam a maior parte do tempo: em casa. Embora o carregamento público cumpra o seu papel, a realidade é que mais de 70% dos carregamentos na Europa ocorrem em espaços privados ou semi públicos, por serem mais cómodos e económicos para o dia a dia.
Mesmo existindo já soluções que dispõe de todas as funcionalidades para facilitar a vida dos utilizadores de veículos elétricos, há um obstáculo que sobressai: a esmagadora maioria dos nossos edifícios não foi concebida para suportar o carregamento simultâneo de dezenas de veículos elétricos. Até agora, a abordagem tem passado muitas vezes pela realização de instalações individuais de forma descoordenada, o que, além de colocar em risco a segurança da instalação elétrica do prédio, gera uma autêntica “selva de cabos” nas garagens.
Felizmente, o enquadramento regulatório está a mudar a nosso favor. Olhamos com uma perspetiva muito positiva para o novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 93/2025. Estas atualizações legais vieram criar as bases para a instalação de infraestruturas de “espinha dorsal”, permitindo a medição individualizada de consumos dentro das garagens sem complexidades desnecessárias e de uma forma mais organizada.
Esta regulação veio apoiar a missão dos operadores de soluções de carregamento, na simplificação de todo este processo para utilizadores, empresas e administradores de condomínios. Acreditamos que a transição tem de ser inteligente e inclusiva: não basta instalar carregadores, é preciso gerir os carregamentos e as necessidades dos utilizadores de veículos elétricos com tecnologia – daí terem surgido as soluções de carregamento coletivas para garagens de apartamentos.
De referir que a maior revolução deste tipo de soluções para os condomínios é financeira e de gestão, já que assentam num modelo de subscrição “Charging as a Service” (CaaS). Neste modelo, o operador assume a totalidade (ou grande parte) do investimento inicial na infraestrutura coletiva, bem como a sua instalação, manutenção, assistência e gestão do consumo. Para o condomínio, o custo é zero (CAPEX zero), e para os moradores que ainda não têm veículo elétrico ou não desejam aderir, também não existe qualquer obrigatoriedade ou encargo financeiro, beneficiando apenas da valorização do seu imóvel. Cada condómino interessado paga apenas uma mensalidade pelo serviço e a energia que consome, libertando completamente a administração de conflitos, gestão de custos ou reparações.
Na ChargeGuru, temos resultados que provam que este é o caminho certo: só no ano de 2025, capacitamos mais de 21.000 lugares de estacionamento em Portugal para a mobilidade elétrica, integrando uma rede europeia que já alcançou os 2 milhões de lugares preparados.
Preparar os edifícios para a mobilidade elétrica deixou de ser uma dor de cabeça para se tornar numa decisão de gestão pacífica e eficiente. Ao implementarmos infraestruturas partilhadas, tecnológicas e operadas por especialistas, estamos a transformar as garagens dos nossos condomínios nos verdadeiros motores da sustentabilidade urbana. O futuro das cidades chegou, e começa na casa das pessoas.
Artigo com o apoio de: 








