Empresas ainda não exploram o potencial transformador da IA, revela relatório

Ainda existe um “limite inexplorado” no potencial da IA, porque apenas uma minoria das organizações está a operacionalizar a IA em escala empresarial real, revela o relatório do Deloitte AI Institute.

Deloitte AI Institute divulgou seu relatório “The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge e mostra como as organizações estão a interagir atualmente com a inteligência artificial (IA) e os impactos, mudanças e considerações que a tecnologia está a  introduzir.

O estudo – que entrevistou, de agosto e setembro de 2025, 3.235 líderes de negócios e de TI, em 24 países –, explora o potencial transformador e o ímpeto da IA, apresentando ações críticas que os líderes devem considerar ao prosseguirem a sua jornada com a IA. Uma das revelações desta análise aponta para o facto de a IA estar rapidamente a passar da fase de experimentação para uma implementação mais ampla. Todavia, o relatório também chama a atenção para a existência do que designa de “limite inexplorado” do potencial da IA, na medida que apenas uma minoria das organizações está a operacionalizar a IA numa escala empresarial real ou a redesenhar o trabalho e os modelos de negócios.

A transição da fase piloto para a produção é um passo crucial para capturar o valor da IA. No entanto, embora a experimentação com IA esteja a acelerar, a pesquisa revelou que apenas 25% dos entrevistados levaram 40% ou mais de seus projetos piloto de IA para a produção.

Ainda assim, 54% dos entrevistados esperam atingir esse nível nos próximos três a seis meses. As organizações enfrentam a concorrência de investimentos em inovação necessários para se manterem competitivas no futuro. Neste momento, 25% dos líderes referem que a IA está a ter um efeito transformador nas suas empresas, e que os ganhos de produtividade são generalizados. Contudo, apenas 30% das organizações estão a redesenhar os seus processos-chave com base na IA e 37% relatam usar a IA apenas superficialmente, com pouca ou nenhuma mudança nos processos de negócios subjacentes.

A IA Agentic está preparada para crescer, com quase três quartos das empresas a planear implementá-la nos próximos dois anos. No entanto, apenas 21% dessas empresas relatam ter um modelo maduro para governança de agentes. As empresas mais bem-sucedidas neste processo, adotam uma abordagem ponderada, começando com casos de uso de menor risco, desenvolvendo capacidades de governança e escalando de forma deliberada. Na era da IA, a governança é o catalisador para o crescimento responsável, avança o relatório.

Outro dado curioso nesta análise da Deloitte é que 77% das empresas consideram o país de origem na seleção de fornecedores e que quase três em cada cinco constroem suas infraestruturas de IA principalmente com fornecedores locais. Além disso, a IA está a tornar-se rapidamente uma parte integrante das operações em todo o mundo, com os setores de manufatura, logística e defesa a liderarem o caminho. A sua adoção deverá atingir 80% em dois anos, ditando o ritmo da próxima onda de automação industrial.

O “The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge” identifica os principais desafios e oferece passos práticos para líderes que procuram ativar a IA em escala, reimaginar o trabalho e construir vantagens competitiva num cenário onde a adoção de tecnologia é agora um elemento central da estratégia e da resiliência. Como salienta Nitin Mittal, líder global de IA da Deloitte, as organizações começam a mudar o foco da experimentação para a integração da IA ​​no núcleo dos negócios, com foco em escala e impacto. “À medida que as organizações procuram desbloquear todo o valor da IA, os líderes devem viabilizar o valor empresarial, integrando conscientemente a IA na estrutura dos seus fluxos de trabalho e através de uma melhor combinação entre pessoas e inteligência artificial”.

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