A urgência de tornar o mundo mais sustentável está a levar empreendedores de todos os quadrantes a trabalhar em propostas para uma economia sustentável, que responda às necessidade da crescente população mundial. O Fórum de Transição, que se realizou no Mónaco, é disso um exemplo.

Sucedem-se as iniciativas em todo o mundo que visam promover o desenvolvimento de soluções empresariais que contribuam para uma economia mais sustentável. Uma delas foi o Fórum de Transição que se realizou no Mónaco, e onde se reuniram instituições, start-ups e investidores sob o patrocínio do príncipe Alberto II. Organizado pela Aqua Asset Management com o lema “Mudança para estilos de vida sustentáveis”, o Fórum de Transição centrou-se em quatro grandes áreas: alimentação, mobilidade, habitação, produção e consumo.

Desde estações de carros elétricos autossuficientes, gestão de resíduos e água, produtos agrícolas sustentáveis ou iniciativas de redução de desperdício alimentar, as start-ups presentes refletiram sobre todo o espectro da economia sustentável. Estes são alguns dos projetos que se destacaram na mostra.

#The Camp
Criado em 2013, The Camp é um hub de sustentabilidade. O seu fundador, Olivier Mathiot, diz que o projeto nasceu da “raiva” de testemunhar a sobrepopulação e a consequente “sobre-metropolização” global que leva as populações a viver no modelo menos sustentável, as cidades. O projeto adopta um pensamento disruptivo, tendo como meta o futuro da próxima geração. O núcleo do projeto é um hub futurista e sustentável que  junta a equipa principal a projetos convidados interdisciplinares, e onde empresas e indivíduos podem participar na aventura. O The Camp disponibiliza espaço, formação, consultoria, trabalho em rede e laboratórios para realização de protótipos e testes. Atualmente, promove projetos sobre mobilidade, consciencialização sobre a poluição de plásticos ou tem um drone para analisar a qualidade do ar em tempo real.

#Plastic Odyssey
Ao acostar no porto de Dakar, Simon Bernard, cofundador da Plastic Odyssey, um jovem oficial da marinha mercante, ficou horrorizado com a quantidade de detritos de plástico que viu no mar. Constatou também a  realidade de inúmeras pessoas que, com poucos recursos, recolhiam o plástico para ganhar dinheiro.
Foi desta experiência que nasceu Plastic Odyssey, que tem como objetivo difundir a mensagem contra a poluição plástica nos mares e disponibilizar dispositivos de reciclagem de baixo custo. O navio será alimentado pelos próprios resíduos de plástico.

#Phenix
A start-up francesa Phenix quer tornar mais digital a gestão de desperdício alimentar permitindo aos comerciantes vender os excedentes a consumidores e organizações de caridade. Através da aplicação, disponível em cerca de 20 das principais cidades de França, Espanha e Portugal, os utilizadores podem encontrar cabazes de produtos não vendidos perto de suas casas e comprá-los por um preço mais acessível.
A start-up trabalha essencialmente com grandes supermercados, mas também quer entrar no pequeno retalho. Quando os produtos não são vendidos ao público, são oferecidos a instituições de caridade (e os retalhistas têm uma redução de impostos) e quando a comida não é mais adequada para consumo humano, é vendida para explorações agrícolas, zoológicos ou centros de recuperação de animais. A Phenix conseguiu um financiamento de 15 milhões de euros, já têm 130 funcionários e continua a crescer.

#FGRWS
Esta start-up tecnológica monegasca que promete reciclar 80% das águas residuais domésticas, com destaque para as águas da casa de banho. A água reciclada pode ser usada nas sanitas, mas também na rega ou  limpezas, por exemplo. A tecnologia foi desenvolvida para a Agência Espacial Europeia e, atualmente, é usada na estação de pesquisa antártica franco-italiana Concordia. Quando aplicado em grandes edifícios, o sistema permite reutilizar o calor.

#Agilcare
O sistema patenteado ‘Nano’ permite que a Agilcare construa edifícios permanentes ou temporários que podem evoluir com o tempo ou ser deslocados várias vezes. O sistema é evolutivo, modular, destacável e montável e usa materiais ambientalmente responsáveis.
Fundada em 2017, a start-up Agilcare já construiu “casas móveis” para famílias em dificuldades, pavilhões de exposições, além dos seus próprios escritórios. Esta proposta, que pode ser usada em instituições públicas, empresas privadas e outros, foi certificada como “Solução Eficiente” pela Solar Impulse Foundation.

#Bovlabs
Poucas pessoas sabem como gerir o seu consumo de eletricidade e a energia que geram, mas com a crescente flexibilidade do mercado de energia, há mais soluções para escolher a origem da eletricidade consumida. A Bovlabs, por exemplo, criou um mercado de energia peer to peer permitindo a interação direta entre consumidores e produtores de eletricidade através da tecnologia blockchain. Uma aplicação móvel permite que os utilizadores acompanhem facilmente as transações. Além disso, através desta tecnologia, o proprietário de um carro elétrico pode, por exemplo, colocar de volta no mercado a eletricidade extra que o carro gera.

# Lumi’in
A start-up francesa desenvolveu um conceito inovador de postes de lâmpadas solares autónomas, feitos à medida e de alta tecnologia, que permitem iluminar as cidades a um custo baixo e sem emissões, assim como recolher dados sobre o consumo de energia, o clima ou a qualidade do ar. A Lumi’in já recebeu o prémio CES Climate Change Innovators 2019 no Consumers Electronics Show de Las Vegas. Criada em 2014, emprega nove pessoas e teve uma receita de um milhão de euros.

#Urbismart
Quer promover uma revolução de logística que permita reduzir drasticamente o crescente número de entregas que geramos no mundo digital. Ao usar Inteligência Artificial, a Urbismart tenciona reduzir o número de camiões vazios que circulam nas estradas e que causam elevados níveis de poluição. A Urbismart pretende quebrar as barreiras que mantêm as empresas isoladas nas suas operações logísticas. Assim, as entregas de cinco empresas diferentes iriam num mesmo transporte, em vez de cinco, e seriam entregues num único ponto perto de todos os destinatários.

#E55c
Tendo como perspetiva a utilização generalizada de carros elétricos, a E55c desenvolveu software e estações de carregamento. O modelo de negócios é baseado no uso real feito pelos consumidores e, deste modo, garante que os parceiros e os consumidores estão empenhados em manter as estações de carregamento elétrico fiáveis e com bom desempenho.

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