Tal como os homens investidores, também as mulheres procuram projetos rentáveis para aplicar o seu dinheiro. Veja algumas das características que elas valorizam.

Conhecimento, experiência, network e vontade de ajudar e apoiar os fundadores no seu percurso, que deverá resultar em alto retorno do investimento, é o que procuram as mulheres investidoras. Esta é, pelo menos, perspetiva da business angel (BA) Lilia Stoyanov, também CEO da Transformify, que num artigo publicado no Entrepreneur, reúne algumas das características a que as investidoras estão particularmente atentas quando se trata se aplicar dinheiro. Contrariamente à ideia dominante, esta  investidora entende que as mulheres não são avessas ao risco e que por isso estão, tal como os investidores homens, igualmente predispostas a serem business angels ou fundadoras de start-ups.

Os dados indicam que o número de mulheres BA está a aumentar continuamente assim como as organizações que as ajudam a encontrar empresas promissoras. Mas embora com os mesmos objetivos que qualquer investidor, uma business angel pode estar mais atentas a alguns pormenores. Eis alguns exemplos.

Dinâmica e histórico da equipa
Os membros da equipa devem fornecer equilíbrio ao projeto quer emocionalmente quer em conhecimento e técnica. São a persistência e as reações do grupo em alturas de pressão que podem salvar o projeto nos tempos difíceis que surjam ao longo do processo.

É essencial que o membro fundador da start-up tenha gerido uma pequena equipa anteriormente numa organização estruturada. Essa experiência ajuda-o a definir o ritmo e a projetar os processos de trabalho mais tarde.

Capacidade para interagir e influenciar
Mesmo que nenhum dos fundadores tenha experiência em vendas, desenvolvimento de negócios ou relações públicas, deverá haver alguém na equipa que tenha skills para comunicar o projeto, interagir com a imprensa e participar em eventos. Contratar externamente alguém para estas funções pode representar um risco alto.

Proposta de valor única
Mesmo num mercado aparentemente saturado, pode haver possibilidade conseguir quota de mercado se o produto trouxer valor ao público-alvo. O modo como a proposta de valor é definida pode chamar a atenção do investidor.

Estratégia de marketing e comercialização
A estratégia de marketing é fundamental para o lançamento bem-sucedido de um produto e, se a equipa não fez o trabalho de casa, isso é um sinal de alerta negativo. Muitas start-ups não terão nenhum especialista em marketing entre os fundadores, mas isso pode ser revisto e colmatado com trabalho de investigação prévio. Contactar um investidor sem uma ideia de como chegar aos clientes ou mesmo sobre quem eles são é um claro “não” para o investimento.

Liberdade para operar
Algumas grandes ideias de start-ups podem ser limitadas por patentes existentes, alteração da legislação ou pela necessidade de aceder, armazenar e processar dados pessoais de forma incompatível com o RGPD. Mesmo que o modelo de negócio seja fantástico e a equipa seja capaz de liderar uma organização em rápido crescimento, é altamente improvável que tais ideias recebam financiamento.

Ambição
Por vezes a grande ambição do criador de uma start-up é apenas ganhar o dinheiro suficiente para poder viver dos rendimentos sem preocupações. É pouco provável que essa perspectiva atraia investidores.

Em suma, o género do investidor tem pouco a ver com a sua atração pelo risco e a probabilidade de sucesso do investimento. Porém, é interessante ver que o número de business angels mulheres na Europa está a aumentar. A diversidade incentiva as pessoas a investirem e as ideias mais inovadoras têm mais possibilidade de serem financiadas.

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