A Mottion é uma nova start-up, com sede no Porto, que atua no setor dos transportes de luxo de passageiros. Sebastião D´Ávilla, CEO e um dos cofundadores, explicou ao Link to Leaders as bases do projeto e os planos que crescimento, que, por agora, já levaram a Mottion a Espanha e à Suíça.

Como e quando surgiu a Mottion?
A ideia inicial surgiu há cerca de quatro anos. A partir de uma constatação empírica e pontual, a ideia inicial foi crescendo e amadurecendo. Notámos que era possível apresentar uma proposta mais ampla, que fosse ao encontro das necessidades de um cliente com um perfil específico. Estivemos no último ano e meio a analisar o mercado e fomos dando forma a este negócio.

O investimento de 300 mil euros foi vosso ou recorreram a investidores?
Foram investidos cerca de 135 mil euros em capitais próprios e 170 mil em financiamentos bancários, num total investido de 305 mil euros. Somos três proprietários. Eu, como CEO, o Tiago Elói Santos, CFO, e o Javier Raña, nosso sócio de Espanha. Desde o início abraçámos este projeto de igual forma, e cada um tem dado um grande contributo para que a Mottion, um sonho comum de vários anos, voe cada vez mais alto.

Quais são os serviços da empresa e os preços?
A Mottion é uma empresa que atua no setor do transporte executivo, em duas áreas: transporte terrestre de passageiros em viaturas de luxo e transporte de passageiros em jatos privados, com todos os serviços complementares.
No transporte executivo, diferenciamo-nos pelo pormenor, pelos nossos tours e pelos serviços diplomáticos de escolta. No transporte aéreo em code-share, partilhamos do mesmo modelo de trabalho que o transporte terrestre, ou seja, distinto. Os preços são definidos de forma não linear, um aspeto que está intrínseco ao nosso modelo de negócios. Prestar um conjunto de serviços personalizados, implica que os preços finais sejam variados, dependendo do modelo de viatura ou avião e rota.

Há mercado no setor do transporte premium em Portugal?
As informações recentes mostram que há um crescimento do mercado de luxo no país e por outro lado identificámos que faltava uma proposta de valor integrada na área de transporte para o segmento premium, onde os clientes procuram maximizar o seu tempo e pretendem um serviço sem limitações. Isto é, com uma oferta que inclui todos os detalhes da viagem – desde a preparação até ao destino final, incluindo comodidades como segurança personalizada e catering na viatura ou no avião.

Como carateriza o tipo de clientes que procuram ou possam vir a procurar a Mottion?
Na nossa carteira de clientes podemos distinguir dois segmentos essenciais: executivos, em que o perfil do cliente inclui o típico businessman, mas também pessoas do mundo das artes e do futebol. Este último cliente procura os nossos serviços pela necessidade de viajar com conforto, segurança, e tendo em conta o tipo de agenda e ritmo de vida, precisam de um serviço taylor made.
Na vertente corporate, as empresas têm-nos procurado pela facilidade dos serviços de reservas e faturação, numa plataforma inovadora que acabámos de desenvolver. A certificação dos motoristas pela IBA – International Bodyguard Association, bilingues também tem sido referenciada pelas empresas como um atrativo.

A Mottion tem delegações em Espanha e na Suíça. Como atuam nestes mercados? Qual a maior diferença que encontram nestes países em comparação com Portugal?
A empresa está vocacionada para o mercado interno e externo. Nestes países trabalhamos em parceria com agentes locais e o nosso plano de expansão prevê para os próximos anos crescer nestes mercados, em particular na Suíça.
É necessário abrir portas em Portugal com parcerias externas, que nos permitem desde o primeiro momento estender a nossa linha de atuação através do mercado europeu, funcionando em rede. A diferença essencial está no perfil do cliente, que varia de país para país. Por exemplo, no caso suíço ficou clara a existência de uma procura para este tipo de proposta, havendo uma predisposição no segmento de luxo para os serviços do tipo prestado pela Mottion.

Para assegurar os vossos serviços, contam com quantas pessoas?
Começámos com 14 pessoas e já somos 26, dos quais 21 motoristas, só em Portugal. Acreditamos que é um número bastante considerável para uma start-up que está apenas há alguns meses no mercado. Os nossos motoristas receberam formação específica para lidar com este nível de cliente e na realidade este foi um dos principais desafios para a implementação do negócio. A mão-de-obra qualificada neste setor é essencial, mas nem sempre é um desafio fácil de ultrapassar. Quando lidamos com clientes premium a responsabilidade é muito elevada.

Qual a estratégia de expansão da empresa?
Enquanto empresa criada de uma ideia, um simples conceito, de dois empreendedores, tínhamos os pés muito assentes no chão sobre os riscos que envolvem este negócio. Em particular esta atividade, dado o risco acrescido na medida em que fornecemos um público extremamente exigente. Neste sentido, a nossa estratégia é depois desta fase de lançamento, consolidar a nossa presença de norte a sul do país.
Estamos sediados no Porto, mas também estamos presentes em Lisboa e Faro. O perfil dos clientes para cada uma destas cidades é distinto, por isso o nosso foco inicial está em reforçar continuamente a presença no território nacional, mantendo um serviço individualizado.
Seguidamente, a estratégia é entrar no mercado londrino, tendo em conta a sua importância para validar a nossa presença no mercado europeu. Seguidamente, a perspetiva é lançar os nossos serviços em diferentes cidades da Europa através de franchising.

Quais os planos da empresa em termos de crescimento até final do ano?
Os dados nos primeiros meses de atividade revelam que efetivamente vamos conseguir atingir as metas previstas, pois a receção do mercado está a ser excecional, superando todas as expectativas. O break-even da totalidade do investimento inicial deverá ser atingido, esperamos, em 1 ano e meio, cujo objetivo é reinvestir continuamente em soluções inovadoras e na procura constante de melhorar a experiência do cliente.

Querem também apostar no franchising. Como pensam pôr em prática este modelo?
A implementação do franchising faz parte da expansão da nossa atividade e, neste sentido, a ideia é depois da consolidação do mercado londrino, desenvolver esta outra modalidade para diversos mercados europeus. Esta é uma etapa que deverá acontecer à medida que a empresa for crescendo no mercado nacional e em Inglaterra.Tratando-se de uma empresa de transportes integrados, destinada essencialmente para o mercado europeu, o franchising faz necessariamente parte da nossa perspetiva de expansão.

Que iniciativas têm em carteira?
No imediato o mercado prioritário é o nacional. Entretanto, o nosso plano de expansão contempla a entrada em Londres nos próximos seis meses, com frota própria de viaturas. O projeto para a capital inglesa está moldado para replicar o mesmo modelo aplicado em Portugal, isto é, entraremos com mais viaturas Mercedes Benz e a operação com jatos é realizada através de code-share, já que os nossos parceiros na área do transporte aéreo atuam em todo o mercado europeu.

Como vê a Mottion dentro de cinco anos?
Enquanto start-up a nossa visão de médio prazo é atingir novos mercados, permitindo a expansão do negócio. Entretanto é também nosso objetivo manter uma estrutura interna com reduzida dimensão, altamente eficiente e flexível. A nossa visão é que a Mottion se mantenha uma empresa jovem, capaz de criar continuamente soluções inovadoras, com o franchising como um dos pilares da nossa opção estratégica de crescimento para os próximos anos.

Respostas Rápidas
O maior risco:
 A aquisição de frota própria.
A melhor ideia:  A criação de uma plataforma online de reservas e gestão de fatura de serviços para os clientes corporate. E a cobertura de o mercado nacional com o serviço terrestre.
A maior lição: Que o serviço personalizado e dedicado é realmente um valor acrescentado e valorizado pelo setor em que atuamos.
A maior conquista: Atingir metas de conquista de clientes corporate de seis meses em três meses
O maior erro: A entrega de serviços a parceiros quando não temos disponibilidade. Ao fazê-lo estamos a perder o controle sobre a qualidade do serviço. É preferível não adjudicar se não houver disponibilidade.

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