Opinião

Turbulência, cautela e investimentos

Daniela Meirelles, empreendedora e business advisor
Foto: Daniela Meirelles

2022 tem-se mostrado um ano desafiador. Depois de várias demissões em massa realizadas por algumas start-ups e redução de investimentos por parte de investidores. Bem diferente do ano passado, quando as start-ups chegaram a contratar mais de 100 mil pessoas, recorde no ecossistema de inovação brasileiro, segundo o Relatório 2021 Wrapped Brazilian Startups elaborado pela plataforma Sling.

As turbulências no cenário económico do país, aprofundadas pelas incertezas da crise gerada pela pandemia, e pelas consequências de uma guerra sem prazo para terminar, têm inviabilizado os aportes e a atratividade desse negócio começa a mostrar sinais de fraqueza. Inflação, subida dos juros, consumo em queda, aumento da pobreza e consequente queda na procura de serviços de tecnologia com a volta presencial ao trabalho, eventos etc. dão a tónica de um novo cenário nada acelerado para esse modelo de negócio.

Neste momento, o mercado começa a segurar os investimentos mais arriscados para buscar rentabilidade em ações mais seguras e estáveis e essa não é uma preocupação apenas das start-ups brasileiras. O ouro do investimento está comedido, escasso e cada vez mais conservador no mundo todo.
Segundo Felipe Ladislau, sócio da Orgânica, “o relatório da CB Insights apresenta a tendência que os investimentos em start-ups continuem diminuindo, o que no primeiro trimestre de 2022 significou uma diminuição para pouco mais de 140 biliões de dólares e 20% a menos em relação ao período anterior. E o mesmo patamar de retração é esperado para o segundo trimestre do ano”.

Grandes start-ups anunciaram dispensa de colaboradores neste ano. A Loft, unicórnio brasileiro, em sua segunda ronda de demissões desligou 12% da folha. Outras start-ups informaram a sua saída do país por falta de investimentos. O momento atual é o de adotar qualidade e estruturas financeiras mais saudáveis além de ser fundamental gerir a caixa com sabedoria e crescer de forma sustentável.

“Apesar disso tudo o Brasil continua tendo uma grande quantidade de problemas estruturais oferecendo assim um excelente berço para soluções de start-ups: o mercado de tecnologia ainda será um dos principais vetores de criação de valor e produtividade para a sociedade brasileira nas próximas décadas”, conclui Gustavo Gierun, CEO do Distrito.

Mesmo num momento delicado, a HRtech Se Candidate, Mulher!, que capacita mulheres para se candidatarem a vagas de trabalho, recebeu um aporte de R$ 1,2 milhão para dar uma turbinada nas operações. A companhia oferece a plataforma SCM Academy que reúne informações sobre mentoria e carreira para que as mulheres tenham acesso a processos seletivos em todo o país, além de conteúdo para o desenvolvimento pessoal e profissional, como comunicação, oratória e preparação para entrevistas de emprego.

A plataforma que ajuda músicos profissionais ou amadores em ensaios, a Moises, fundada por Geraldo Ramos captou um aporte de US$ 8,6 milhões no final de agosto. A ronda seed foi liderada pela gestora brasileira Monashees e pela Kickstart Fund, dos Estados Unidos.

A Softex, desenvolveu o estudo “O Panorama da inovação Aberta nas Empresas do Brasil”, com o apoio da Accenture, da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI), da BR Angels, da ACE e de outros parceiros. Segundo o estudo, as start-ups representam 67% do perfil de parceiros nos projetos de open innovation nas empresas brasileiras. Com isso, as start-ups que representam inovação para grandes corporações devem se beneficiar e continuar a receber investimentos.

A boa notícia é que na semana passada, o Fundo Monetário Internacional elevou a estimativa de crescimento do PIB brasileiro para 1,7% em 2022. Em abril, essa taxa foi calculada em 0,8%. Se a projeção da organização estiver correta, podemos esperar um segundo semestre bem melhor que o primeiro para as start-ups nacionais.
A ver como 2022 termina, visto ainda as eleições no Brasil. Em todo caso, ainda há esperança de que
termine bem.

Fontes:
https://startups.com.br/noticias/88-das-empresas-brasileiras-ja-criaram-acoes-de-inovacao-aberta/
https://softex.br/estudoinovacaoaberta/#download_pesquisa_inov
https://startups.com.br/noticias/se-candidate-mulher-levanta-r-12-mi-para-acelerar-empregabilidade-feminina/
https://neofeed.com.br/blog/home/mare-baixa-desembocara-em-um-ecossistema-mais-maduro-para-a-inovacao-aberta/

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Daniela Meirelles

Daniela Meirelles

Daniela Meirelles é empreendedora, business advisor, mentora de start-ups e palestrante (Branding, Empreendedorismo e Liderança). Foi fundadora da DBRAND, consultora de branding, marketing e inovação; fundadora/CEO da Yuppy, start-up de media, marketing e eventos; mentora nos programas Startup Rio, Startup Weekend e Founder’s Institute; palestrante; e também atua na organização do II Chapter da Singularity University, no Rio de Janeiro. Tem 15 anos de experiência em marketing, branding e desenvolvimento de novos negócios. Desenvolveu inúmeros projetos para pequenas, médias e... Ler Mais..

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