O lançamento do “Facebook Spaces” foi para mim “uma espécie de upgrade do Second Life, mas a funcionar com redobrado interesse” (dou de barato que esta é uma análise simplista e bárbara para o mundo da tecnologia), mas para mim foi uma peça para a minha reflexão sobre o valor de “Inovar” ou “Copiar”, influenciado pela minha última estadia na China.

Na verdade, é complexo definir o que é “novo” no mundo digital – no atual contexto de partilha de informação, facilidade de acesso a ferramentas de pesquisa cada vez mais completas e um ambiente de competição permanente – e o que recebeu uma “influência” que gera a dita “inovação”. Mas é igualmente violento dar o nosso melhor por uma ideia, uma empresa, uma visão, não conseguir ter sucesso e ser ultrapassado por uma nova utilização de uma ideia, com mais recursos, novo tempo para o mercado, uma espécie de reencarnação, fora do nosso controlo, onde todo o sucesso observado foi construído na base de tantos outro insucessos, porque, apesar de podermos carpir as mágoas numa Fuckup Nights, a verdade é que todos ambicionamos o melhor para as nossas ideias, empresas e visões.

Sempre foi mais nobre a visão de “Inovar”, como se “Copiar” fosse a arte de quem é menos inteligente, menos capaz, uma espécie de parasita. Mas, num mundo tão grande e diverso, não podemos ter todos a mesma vocação, nem o tempo é igual para todos (não no sentido cronológico).

No processo que a Oriente se define como a Chinalização da Economia, já não é mais tempo do C2C (Copy to China), em que a estratégia era copiar para a China modelos de negócio ou produtos. Agora é o novo tempo CFC (Copy From China), em que já se olha para aquela geografia e se perscrutam tendências e produtos, até porque o custo com a mão de obra já não é a sua maior vantagem competitiva.

“Inovar” não, primeiro “Copiar”; agora “Inovar” … para que outros possam “Copiar”. Em que ficamos… “Inovar” ou “Copiar”?

Olhamos agora para o Facebook. Depois de muita inovação… copiaram o “Snapchat” e a resposta de Zuckerberg foi confirmar que “copiaram e que não estava preocupado”. Em Silicon Valley, a Terra Santa da Inovação, esta Páscoa comprovou-se uma vez mais que o dilema “Inovar” e “Copiar” permanece, que “Copiar” não é uma realidade da China, mas do Mundo (sempre foi, mas não tão mediatizada)! Quem não arrisca não petisca, mas o risco aumenta para as pequenas empresas, não que esteja já tudo inventado, ou que não haja espaço para inovar muito mais.

Depois da febre das “Start-Ups”, faz sentido uma nova abordagem que traga as grandes empresas para junto dos centros de inovação, que aproxime os centros de investigação do ensino superior das empresas e se potencie a geração com mais competências e vontade de inovar nos setores ditos mais tradicionais, menos “Start-Ups” mais “Spin-Offs”! Uma nova era em que as empresas beneficiariam em aproveitar muito mais as ferramentas de apoio ao desenvolvimento de novas empresas, para repensarem modelos de negócios, produtos e inovação, porque hoje se pode fazer mais rapidamente, com melhor qualidade e maior rendimento.

Muitos empresários a Oriente e Ocidente partilharam comigo em inúmeras oportunidades, a ideia “outros que inovem e falhem, nós filtramos os sucessos e replicamos as melhores práticas”. Nada estaria errado, a meu ver, se houvesse forma de monetizar o falhanço diretamente… Como não há… a questão fica no ar, não tenho uma resposta ou solução.

O lado bom de falhar é que aprendemos com cada falhanço, tendemos a falhar menos a cada nova oportunidade. O que se aprende no processo é único e nenhum MBA nos capacita, mas o potencial valor gerado a longo prazo retribuirá o investimento e as oportunidades desperdiçadas. Na vida dos empreendedores, como em certos investimentos financeiros, a lógica não pode ser de curto prazo.

“Inovar” ou “Copiar”? Não há um mais nobre do que o outro. Importante é o valor que o produto ou serviço acrescenta ao mercado. A verdadeira democracia está onde vence quem gera mais valor, não quem chega primeiro ou faz melhor, mas quem resolve problemas!

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Alexandre Pinto iniciou a sua carreira académica pela História, vida que abandonou para se dedicar ao empreendedorismo! Teve a oportunidade de liderar alguns projetos e ser cofundador de start-ups, com as quais em diferentes momentos angariou capital de risco de... Ler Mais