A versão original deste ensaio, em inglês, foi escrita a 4 de Janeiro de 2026, poucas horas depois de surgirem relatos de que os Estados Unidos tinham capturado o presidente venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar.
Certas palavras chegam já gastas, como moedas que passaram por demasiadas mãos. “Sinergia”, “disruptivo”, “transformação”, “holistico”, “impacto”. Pronunciamo-las sem pensar, automaticamente, como quem diz “bom dia” - sem desejar realmente que o dia seja bom - ou pergunta “tudo bem?” - sem realmente se interessar pela resposta. São palavras que perderam peso, que flutuam em vez de pousar.
À conta da minha formação académica, habito frequentemente espaços de conversação e de apresentação de ideias sobre psicologia e desenvolvimento humano. Confesso que ouvir ou ler esta expressão - “desenvolvimento humano” - me causa arrepios de desconforto e faz-me involuntariamente semicerrar os olhos.
Somos testemunhas de uma transformação sem precedentes na história humana. Como observadores participantes desta mudança, encontramo-nos numa posição singular: simultaneamente arquitectos e sujeitos de uma revolução que redefine fundamentalmente o que significa ser humano na era digital.
Existe uma contradição curiosa no mundo empresarial hodierno: quanto mais se fala de autonomia, menos autonomia parece existir. Quanto mais se proclama querer pessoas maduras e responsáveis, mais infantis se tornam as práticas de gestão e os rituais corporativos.
A obsessão pela perfeição: um diagnóstico do nosso tempo. Vivemos numa era obcecada pela otimização. Do momento em que acordamos, rastreados por aplicações que analisam os nossos padrões de sono, até ao instante em que nos deitamos, após termos contabilizado cada caloria ingerida e cada passo dado, estamos num estado de incessante avaliação e perpétuo aperfeiçoamento.
O verão instalou-se, confortável, quente, trazendo consigo a promessa de férias e uma pausa bem-merecida. Será que é isso que são as férias: uma pausa?
A primeira vez que li a frase que escolhi para título deste escrito foi em inglês. Planning is guessing, escreveu o Jason Fried em 2017 [1]. Senti-me aliviado. Alguém tinha escrito de forma simples e direta o que sempre sentira sobre planos, orçamentos e exercícios afins. Alívio é a palavra certa.
Quanto vale uma conversa? Não me parece ser uma pergunta que permita uma resposta simples. Para quem insista em simplificar encontrar-se-ão, certa e facilmente, platitudes suficientes para servir de resposta satisfatória.
O fenómeno a que me referirei nas palavras seguintes não é novo. Aliás, lembro-me de, numa fase muito precoce da minha experiência profissional, me aperceber da sua existência e de ter acesas conversas em equipa, há praticamente 20 anos.
No final dos anos 80 do século passado, duas investigadoras[1] colocaram a seguinte hipótese: “as pessoas deprimidas tendem a inferir de forma mais realista do que as pessoas não deprimidas.”
As consultoras Way Beyond e pur’ple uniram o seu conhecimento de mercado e estão a trabalhar juntas. Partilham escritório, mas mantém-se independentes.








