Thomas Mann precisou de centenas de páginas para narrar, em Os Buddenbrook, a lenta decomposição de uma dinastia mercantil. A sabedoria popular portuguesa resolveu o mesmo problema em seis palavras: “pai rico, filho nobre, neto pobre”. Ambas as narrativas possuem uma elegância fatalista. E ambas são, talvez, convenientes em excesso.
Poucas famílias com grandes patrimónios preparam atempadamente a passagem do controlo à geração seguinte. Especialistas ouvidos pela CNBC alertam para os riscos de esperar por sinais de declínio cognitivo e deixam quatro recomendações para evitar uma crise de sucessão.
Há uma empresa de componentes metálicos em Braga. Fundada em 1987. O fundador tem 71 anos. Os dois filhos trabalham na empresa, mas nenhum quer ficar com ela. O pai sabe. Os filhos sabem. Nunca falaram sobre isso.
Planear a sucessão antes de ser urgente: aumenta o valor, baixa o stress e protege a cultura. “Temos tempo.” O fundador tinha sessenta e oito anos, uma empresa saudável, clientes leais e dois filhos a viver no estrangeiro. À sua frente, o advogado de sempre e um calendário em branco.
Filipe Bergaña, fundador da Audaz Capital, quer "dar continuidade a negócios que já provaram o seu valor ao longo dos anos". Com mais de 20 anos de experiência nos mercados financeiros internacionais e uma herança familiar de várias gerações de empresários, acredita que é possível preservar o legado de negócios sólidos, combinando continuidade e profissionalização, sem sacrificar cultura e identidade.










