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Joaquim Costa

Joaquim Costa

Joaquim Costa é líder de produto e empreendedor em série. Atualmente cofundador e CEO da Closedata, plataforma de deal sourcing para mercados privados, foi também cofundador e CPO da BlockBee e Diretor de Produto no KuantoKusta. A sua entrada no ecossistema de produto e startups, em 2015, seguiu-se a uma carreira militar de sete anos ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa e da NATO, marcada por missões internacionais no médio oriente e norte de África, funções em operações e várias condecorações, uma escola de disciplina e execução sob pressão que continua a moldar a sua forma de construir empresas. Em mais de dez anos como empreendedor, lançou mais de 14 projetos e foi cofundador de quatro startups, com dois exits. Em 2023 publicou Become a Product Manager, onde partilha, de forma prática e direta, os métodos que usa para criar e lançar produtos com impacto. Consultor de produto, mentor de start-ups e orador convidado em conferências do setor, defende uma abordagem pragmática: lançar a 75% done e iterar com rapidez e foco on the fly, e nunca comprometer os padrões de qualidade e a experiência do utilizador.

A empresa que vale o que o dono acha que vale

Um empresário do setor alimentar, segunda geração, decidiu que a empresa valia 8 milhões de euros. Era o número que tinha na cabeça há anos. Apareceu um comprador sério, com acesso a capital, genuinamente interessado. A conversa durou três reuniões. Nunca chegaram perto. O empresário ainda tem a empresa.

Chegar primeiro. O novo imperativo do M&A em mercados privados.

Há uma empresa algures no interior de Portugal. Fundador com 67 anos. Sem filhos na empresa. EBITDA sólido, carteira de clientes estável, margem acima da média setorial. Toda a gente no setor sabia que o senhor queria sair. O processo nunca chegou a acontecer.

O M&A moderno ainda pensa como em 2005. E está a pagar por isso.

O mercado de M&A nunca teve tanta atividade, tantos dados disponíveis e tantos intervenientes qualificados. Ainda assim, a frustração é transversal: processos longos, decisões adiadas e oportunidades que desaparecem antes mesmo de chegarem à mesa.

A obsessão pelo produto mata mais start-ups do que a concorrência

A cena repete-se há décadas. Founders trancados numa sala, a discutir, logos, pixels, frameworks e roadmaps. Horas infinitas a decidir se o botão deve ser azul ou verde, se o algoritmo já está otimizado, se a versão só pode sair quando estiver perfeita.

A maior guerra do empreendedor é contra si próprio

No mundo do empreendedorismo é fácil culpar fatores externos. O mercado que não respondeu. O investidor que recusou. A equipa que falhou. O cliente que desapareceu. É sempre mais fácil apontar o dedo para fora.

Verdades duras do jogo das start-ups

O investidor não é teu amigo. Ele não está aqui para te salvar, nem para acreditar em ti quando nem tu acreditas. Quer retorno, quer multiplicar capital, quer apostar em cavalos que correm rápido.

Estão a ver-te. À espera que caias.

Não te iludas. Há sempre quem esteja a observar, à distância, à espera do teu fracasso. Não é inveja. Não é ódio. É simplesmente o comportamento humano de quem nunca teve coragem para arriscar.

Não precisas de um plano. Precisas de uma luta.

Já vivi o peso de ter zero euros na conta. Apresentei ideias que foram ignoradas, outras que foram motivo de riso. Esperei meses por um único “sim”. Lancei produtos que ninguém quis saber.

Estamos a construir start-ups por necessidade ou apenas por vício?

Criar produtos de tecnologia e start-ups não é apenas uma questão de inovação, código, financiamento e mercado. É um reflexo direto da forma como vemos o mundo e tentamos resolver problemas. Mas estamos mesmo a solucionar algo essencial ou apenas a criar distrações sofisticadas?