Há uma empresa algures no interior de Portugal. Fundador com 67 anos. Sem filhos na empresa. EBITDA sólido, carteira de clientes estável, margem acima da média setorial. Toda a gente no setor sabia que o senhor queria sair. O processo nunca chegou a acontecer.
O mercado de M&A nunca teve tanta atividade, tantos dados disponíveis e tantos intervenientes qualificados. Ainda assim, a frustração é transversal: processos longos, decisões adiadas e oportunidades que desaparecem antes mesmo de chegarem à mesa.
Na vida militar, diz-se muitas vezes que “o verdadeiro inimigo não é o que vês, é o que não estás preparado para enfrentar”.
A cena repete-se há décadas. Founders trancados numa sala, a discutir, logos, pixels, frameworks e roadmaps. Horas infinitas a decidir se o botão deve ser azul ou verde, se o algoritmo já está otimizado, se a versão só pode sair quando estiver perfeita.
No mundo do empreendedorismo é fácil culpar fatores externos. O mercado que não respondeu. O investidor que recusou. A equipa que falhou. O cliente que desapareceu. É sempre mais fácil apontar o dedo para fora.
O investidor não é teu amigo. Ele não está aqui para te salvar, nem para acreditar em ti quando nem tu acreditas. Quer retorno, quer multiplicar capital, quer apostar em cavalos que correm rápido.
Não te iludas. Há sempre quem esteja a observar, à distância, à espera do teu fracasso. Não é inveja. Não é ódio. É simplesmente o comportamento humano de quem nunca teve coragem para arriscar.
Não foi em teoria, foi em sangue, suor e silêncio. Lama nas botas. Olhos sempre abertos. Missão sempre ligada. Dormir era um luxo. Desistir? Nunca foi opção.
Já vivi o peso de ter zero euros na conta. Apresentei ideias que foram ignoradas, outras que foram motivo de riso. Esperei meses por um único “sim”. Lancei produtos que ninguém quis saber.
Criar produtos de tecnologia e start-ups não é apenas uma questão de inovação, código, financiamento e mercado. É um reflexo direto da forma como vemos o mundo e tentamos resolver problemas. Mas estamos mesmo a solucionar algo essencial ou apenas a criar distrações sofisticadas?
Escalar uma start-up não se trata apenas de contratar mais pessoas ou aumentar a receita, trata-se de evoluir como líder. Uma das lições mais contraintuitivas, mas essenciais, para fundadores e primeiros colaboradores é a importância de passar os seus Legos.
Garantir financiamento é um passo crítico para a maioria das start-ups, mas apresentar-se a investidores de capital de risco (VCs) pode ser um processo desafiante.
