Thomas Mann precisou de centenas de páginas para narrar, em Os Buddenbrook, a lenta decomposição de uma dinastia mercantil. A sabedoria popular portuguesa resolveu o mesmo problema em seis palavras: “pai rico, filho nobre, neto pobre”. Ambas as narrativas possuem uma elegância fatalista. E ambas são, talvez, convenientes em excesso.
Há uma forma simples de fazer um grande programa de investimento parecer bem-sucedido: gastá-lo todo. Milhões contratados, projetos aprovados, empresas apoiadas, equipamentos adquiridos.
Costuma dizer-se que existem três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. A frase atravessou gerações não porque as estatísticas mintam, mas porque existe uma tentação antiga, e profundamente humana, de lhes atribuir uma autoridade que nunca podem ter por inteiro.
Há uma pergunta que se impõe com crescente frequência quando se observa a evolução do tecido empresarial: durante quanto tempo pode uma organização continuar competitiva quando a sua dimensão já não acompanha a sofisticação, a velocidade e a intensidade de capital exigidas pelo mercado?
Durante décadas, empresas, investidores e decisores públicos habituaram-se a interpretar a economia através da lógica dos ciclos. Expansão, desaceleração, recessão e recuperação sucediam-se com relativa previsibilidade, permitindo estruturar investimento, calibrar risco e antecipar tendências.
Há momentos na história económica em que a realidade resiste ao entusiasmo, obrigando a uma leitura mais fria dos factos. A inteligência artificial é, hoje, um desses momentos.
