Escrever um artigo no início do ano parece, inevitavelmente, empurrar-me para balanços e promessas. Há algo no calendário que nos condiciona, quase sem darmos por isso, a medir, listar, comparar e projetar versões “melhores” de nós próprios.
Chegou finalmente aquela altura do ano em que começamos a abrandar o ritmo, dedicamos um pouco mais de tempo à família, abusamos nos doces e nas refeições tradicionais, sonhamos com aconchego em frente a uma lareira crepitante, uma boa manta e um filme de pastilha elástica, enquanto lá fora chove – ou para os afortunados, neva –, tudo isto com o tilintar de luzes coloridas nas árvores de Natal que decoram os nossos lares.
"So this is Christmas. And what have you done? Another year over. And a new one just begun". Assim começa uma das minhas músicas favoritas de Natal, "So this is Christmas", de John Lennon.
Chegou a altura do ano em que se fazem retrospetivas, balanços e revisões. Também costuma ser época de projeções, desejos e resoluções, cuja taxa de concretização é notoriamente baixa, como quase todos sabemos por experiência e, já agora, também por o que a ciência nos demonstrou.









