Atualmente, existem dezenas de start-ups que estão a desenvolver soluções numa área médica emergente, a utilização de nanobots para combater o cancro e outras doenças.

O mercado europeu de nanobots está a crescer e já alcançou os níveis dos Estados Unidos da América, onde os dados indicam a mercado nanorrobótica deverá atingir 8,3 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros) em 2023. A relevância deste setor está patente, por exemplo, na criação, em 2016, da Galvani uma empresa de nanobots que resultou da parceria entre a Google e multinacional farmacêutica GlaxoSmithKline.

Mas o que são afinal os nanobots? Não são parecidos com o que se vê nos filmes de ficção científica. São impossíveis de ver a olho nu, não têm parafusos, porcas… medem, em média, cerca de 30 nanómetros (por exemplo, um fio de cabelo humano tem cerca de 100 mil nanómetros de espessura).
Os nanobots são feitos de materiais como nanopartículas de metal, fitas de DNA e proteínas, que quando cuidadosamente combinadas pelos cientistas, são programáveis para realizar tarefas diferentes. Os nanobots são transportados pela corrente sanguínea (de forma semelhante ao oxigénio), usam a glicose no sangue ou a ureia no trato urinário, como combustível para se moverem e atuam como poderosos aliados no combate às células cancerígenas.

Este universo está na mira de várias start-ups europeias que já estão a realizar investigações neste campo. Entre elas está a Advanced Functional Nanorobots, com sede em Praga  e liderada por Martin Pumera, que já recebeu 11,5 milhões de euros para desenvolver nanobots de diversos tipos para que estes minúsculos robôs possam ajudar a tratar desde doenças da pele a doenças orais, passando por problemas de fertilidade. Os nanobots desta start-up desenvolvidos para atuar sobre células cancerígenas já foram testados com sucesso em ratos e vão agora começar a trabalhar nos primeiros testes em humanos.

Tratar cancro e não só
Esta não é obviamente a única start-up europeia a trabalhar neste campo e além do tratamento de cancro, outras empresas europeias estão na linha da frente da investigação terapias médicas através nanobots. É o caso da francesa Eligo, fundada em 2014, que obteve financiamento de 27,4 milhões de euros (a caminho de terminar uma ronda de financiamento Série B), está a desenvolver nanobots à base de proteínas para os intestinos que destroem estripes específicas de bactérias intestinais. O nanobot reconhece as bactérias “más”, liga-se a elas e injeta o seu ADN saudável. Esta tecnologia aperfeiçoada pela Eigo pode ser usada para outros tratamentos como combater doenças infecciosas, colmatar a resistência a antibióticos, doenças oncológicas e inflamatórias, mantendo intactas as partes saudáveis do microbioma intestinal. Depois dos testes em laboratório, a start-up pretende iniciar os testes pré-clínicos em 2021.

Desenvolver diagnósticos precoces
Se nos exemplos anteriores, a investigação estava concentrada em procurar alternativas de tratamento, existem outras que estão focadas na utilização dos nanobots para a deteção precoce de doenças cancerígenas, como é o caso da Nanovery, no Reino Unido.

Uma forma para a deteção precoce de cancro consiste no sequenciamento de DNA, um processo habitualmente demorado através de análise laboratorial. No entanto, os minúsculos nanobots da Nanovery estão programados para se tornarem “florescentes” quando entram em contacto com células com mutações cancerígenas. Quando iluminadas, essas partículas podem ser rastreadas por um “leitor de placas” que já existe na maioria dos estabelecimentos hospitalares.

As start-ups que desenvolvem tecnologia de deteção de doenças através do sangue, nomeadamente cancro, ainda têm muito presente o desastre protagonizado pela Theranos, um unicórnio na área da saúde caído em desgraça no ano passado. Por isso, as empresas agora são mais cautelosas e mesmo o mercado está mais alerta para o problema.

A ligação da Nanovery a centros de pesquisa oficiais como o Northern Institute of Cancer Research, ajuda a posicionar estas empresas de forma diferente e a realizar testes noutros contextos médicos.

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