Start-up portuguesa que usa IA para salvar vidas em zonas de conflito reconhecida pela AWS
A Hala Systems, que transforma dados complexos em decisões que protegem civis em zonas de conflito, acaba de ser distinguida a nível europeu, com a seleção para o projeto AWS Pioneers, iniciativa da Amazon Web Services.
A start-up Hala Systems, com sede em Portugal, em colaboração com organizações humanitárias e com o apoio da tecnologia da Amazon Web Services (AWS), tem vindo a desenvolver tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) para salvar vidas em zonas de conflito e crises humanitárias.
Fundada há mais de dez anos com a missão de proteger civis em contextos de guerra, crises humanitárias e desastres, a start-up transforma dados complexos — recolhidos a partir de satélites, sensores remotos, redes sociais e outras fontes de informação — em decisões que ajudam a proteger populações vulneráveis e a apoiar respostas governamentais e de ONG. A Hala Systems executa os seus complexos sistemas de análise de dados e de alerta na infraestrutura de cloud da AWS, o que permite que a organização construa, teste e implemente rapidamente as suas soluções nos mais diferentes cenários de crise. Ao confiar na infraestrutura de cloud, a equipa consegue adaptar-se a diversos contextos operacionais e escalar os seus serviços conforme necessário.
Entre os seus projetos está o Sentry, uma plataforma de alerta precoce desenvolvida inicialmente para a Síria. O sistema combina sensores instalados em infraestruturas críticas, contributos de voluntários no terreno e análise automatizada de dados para avisar os civis sobre ataques aéreos iminentes. Estima-se que tenha alcançado mais de dois milhões de pessoas, proporcionando uma média de oito minutos de aviso prévio e contribuindo para uma redução de vítimas entre 20% a 30%. A tecnologia foi, inclusivamente, exibida no Smithsonian National Air and Space Museum, em Washington.
Mais recentemente, no contexto da guerra na Ucrânia, a Hala Systems tem vindo a colaborar com a ONG Save Ukraine na monitorização de informações relacionadas com a deslocação forçada de crianças. Através de uma ferramenta que analisa redes sociais e outras fontes abertas para identificar referências à movimentação de menores – incluindo menções a campos de treino militar –, a organização tem apoiado operações que resultaram no resgate de 207 crianças até à data, um número que continua a crescer.
A empresa tem vindo a reforçar o seu uso de agentes de IA para analisar grandes volumes de dados, cruzar fontes de informação e atribuir níveis de confiança aos conteúdos, combatendo a desinformação – um desafio crescente em contextos de conflito. Está também a desenvolver sistemas multiagente, capazes de processar diferentes fontes de dados em paralelo, mantendo sempre a supervisão humana no processo de tomada de decisão.
A agilidade e a escalabilidade da tecnologia de cloud da AWS são cruciais para a Hala Systems, o que lhe permite adaptar-se rapidamente às necessidades de cada conflito. “Não existem dois conflitos iguais, e temos de desenvolver diferentes tecnologias para diferentes regiões. A AWS permite que sejamos adaptáveis”, afirma Begoña Sesé de Lucio, Head of Product da Hala Systems.
A start-up portuguesa foi selecionada recentemente para o projeto AWS Pioneers, uma iniciativa europeia que reconhece empresas que utilizam a tecnologia para gerar um impacto positivo e real na sociedade.
“A Hala Systems está a usar IA para enfrentar desafios críticos, desde a resiliência social até à segurança humana. Ao reconhecer o seu trabalho, estamos a destacar não só a inovação de ponta que emerge de Portugal, mas também o profundo impacto humano que esta pode ter. Histórias como a da Hala demonstram o verdadeiro potencial da tecnologia”, afirma André Rodrigues, Porta-voz da AWS em Portugal e Head of Technology Software & Tech Companies para a Europa do Sul, sobre este reconhecimento.








