Start-up do mês: Specscreen quer ser o “Spotify das ideias” e ligar criadores a empresas
Criada por Pedro Lopes e João Serpa, a start-up açoriana está a desenvolver uma plataforma comunitária onde qualquer pessoa pode partilhar ideias para empresas ou indústrias. O objetivo é dar visibilidade às melhores propostas, permitir que sejam desenvolvidas pela comunidade e fazê-las chegar a quem tem capacidade para as transformar em realidade.
Nome da start-up: Specscreen
Fundadores: Pedro Lopes e João Serpa. “Um designer de produto e um engenheiro informático. A combinação mais clássica do empreendedorismo tecnológico”, segundo os fundadores da start-up que está instalada no NONAGON — Parque de Ciências e Tecnologias de São Miguel, nos Açores.
Atividade: A Specscreen está a criar uma plataforma comunitária através da qual qualquer pessoa pode partilhar uma ideia dirigida a uma empresa ou indústria, permitindo que outros utilizadores a desenvolvam, comentem e votem. O objetivo é dar visibilidade às melhores propostas e fazê-las chegar a quem tem capacidade para as transformar em realidade.
Ao contrário das plataformas de freelance, onde o pagamento acontece antes da criação do trabalho, a Specscreen segue uma lógica inversa. Na plataforma, o conteúdo já está produzido. Primeiro, a marca visualiza. Depois, decide se pretende adquirir ou licenciar.
Volume de negócios: “A plataforma está em fase de lançamento este mês. Enquanto construímos, mantemos a empresa através de projetos de desenvolvimento web e software à medida”, explica Pedro Lopes, cofundador da Specscreen, ao Link to Leaders.
Plano de negócios: Segundo o empreendedor, “pensámos na Specscreen como o Spotify das ideias. Quando um músico coloca uma canção no Spotify, não vende a canção — recebe uma parte cada vez que alguém a ouve. Nós queremos construir um modelo análogo para as ideias: as empresas subscrevem e recebem regularmente um conjunto curado das ideias mais relevantes para a sua indústria ou mesmo para a sua empresa especificamente. E quando uma ideia chega a uma empresa, as pessoas que a publicaram recebem os seus royalties”.
“As empresas já gastam fortunas em consultoras à procura do mesmo: perspetivas novas, de fora da bolha. A Specscreen torna esse processo contínuo, e justo para quem contribui”, reforça.
Porque merece destaque: A ideia da Specscreen nasceu de uma experiência pessoal de Pedro Lopes e da perceção de que muitas boas ideias acabam por nunca sair do papel por falta de um canal que as ligue às empresas certas. O empreendedor recorda que, durante anos, foi registando num caderno propostas para diferentes setores, muitas delas fora da sua área de atuação, até concluir que esse espaço entre quem tem uma ideia e quem a pode concretizar precisava de uma solução.
“Há cerca de dez anos, escrevi num pequeno caderno uma ideia sobre carros. Quando um condutor trava com força, as luzes traseiras acendem com a mesma intensidade de quando apenas afrouxa o pé. Para quem vem atrás, é impossível distinguir um do outro. Com os LEDs, isso poderia mudar: as luzes traseiras poderiam refletir a força da travagem, dando ao condutor atrás uma leitura imediata do perigo. Uma ideia simples. Uma ideia que certamente evitaria acidentes. Escrevi-a. Fechei o caderno. E segui com a vida — porque não sou engenheiro automóvel, e a ideia não tinha para onde ir”, conta.
“Durante oito anos andei com um caderninho no bolso. Ideias sobre indústrias que nunca seriam as minhas, todas com o mesmo destino: a gaveta. A Specscreen nasceu da certeza de que não somos os únicos e de que esse espaço branco entre a pessoa com a ideia e a empresa que precisa dela merece finalmente uma solução”, frisa.
Outra informação relevante: A Specscreen foi selecionada pelo Web Summit para participar na edição de Lisboa, onde apresentou uma versão anterior do projeto, uma oportunidade que acabou por abrir novas portas. De acordo com Pedro Lopes, “durante a presença no evento, uma professora do IPAM reconheceu de imediato o potencial da plataforma, uma vez que o instituto já desenvolve, por vias mais tradicionais, iniciativas semelhantes, aproximando empresas das universidades em busca de novas ideias e perspetivas. Nesse sentido, a Specscreen assume-se como uma ponte contínua, escalável e acessível a qualquer pessoa”.
A empresa está sediada no NONAGON — Parque de Ciências e Tecnologias de São Miguel, nos Açores, ecossistema que acolheu o projeto numa fase decisiva e onde a Specscreen encontrou a sua base.
A ambição, explica o fundador, passa por “criar uma plataforma onde as ideias das pessoas possam gerar valor real: para as empresas que as recebem, para quem as concebeu e, de forma mais ampla, para a sociedade. A Specscreen foi pensada para todos os que têm ideias sobre qualquer indústria, problema ou oportunidade identificada no dia a dia”.







