Porque continuamos a acreditar e a ter esperança no futuro, João Brazão, CEO da Eureekka, e João Marques da Silva, sócio e CEO da Cateringassiste, são os convidados desta semana do Spe Futuri, Investidores. Entre dois dedos de conversa, ficámos a conhecer história da CateringAssiste, uma empresa que atravessou sérios problemas, mas que fez um “turn around” e conseguiu o “break even” depois de dois duros anos.

A segunda sessão das conversas Spe Futuri, Investidores realizou-se hoje e teve como convidados João Brazão, CEO da Eureekka e Business Angel da BrainTrust, e João Marques da Silva, sócio e CEO da CateringAssiste.

O mote continua a ser “Porque continuamos a acreditar e a ter esperança no futuro” e serviu de ponto de partida para uma conversa conduzida por Ricardo Luz e durante a qual os convidados abordaram a forma como conjuntamente conseguiram  fazer o “turn around” de uma empresa, falaram de como a crise provocada pelo Covid-19 está a afetar os negócios, da atividade de business angels, do tecido empresarial envelhecido que precisa das novas gerações e ainda de como vai ser a recuperação.

Esta nova conversa Spe Futuri, Investidores está disponível no site e nas redes sociais do Link To Leaders (Facebook, YouTube e LinkedIn). Recorde também a primeira sessão com António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit.

Eis alguns das mensagens-chave da conversa de hoje. Veja o vídeo.

Os negócios

“(…) Ainda temos algum capital para investir, mas a verdade é que sinto uma quebra da qualidade dos projetos que nos têm aparecido. E, portanto, digamos que está, na minha opinião, em decréscimo, pelo menos para mim e para o meu grupo, a atividade de business angels. (..) ainda por cima porque também entrou muita gente, com muito mais dinheiro que nós, com capacidade para aceitar valorizações que nós não temos e, portanto, essa parte está a mudar no sentido de decréscimo” –  João Brazão

“Do ponto de vista profissional faz-me um pouco falta esse contacto permanente com as pessoas” – João Pedro Marques da Silva

“Há de facto um tecido empresarial liderado pelos baby boomers que está neste momento a chegar à fase em que necessita de uma sucessão. Os baby boomers têm agora 70, 70 e poucos anos, muitos deles não têm planos de sucessão (…) – João Pedro Marques da Silva

(…) As empresas que foram no passado empresas com história, com prestígio, e que têm uma boa base de clientes, muitas delas, entraram numa fase de algum declínio, por razões várias, entre as quais por inadaptação tecnológica, por falta de uma gestão mais moderna (…)” – João Pedro Marques da Silva

“(…) Em vez de se estar a fazer empresas de raiz e start-ups, que têm o seu mérito, porque não aproveitar empresas que estão no mercado, que estão vivas, mas que estão em dificuldade e que podem ser mais bem geridas (…)” – João Pedro Marques da Silva

“(…) A tecnologia obriga a novos processos e os novos processos só podem ser implementados com mudanças culturais. Esse tem sido o maior desafio, mudar um bocadinho a cabeça das pessoas” – João Pedro Marques da Silva

“Recuperamos a empresa em cerca de dois anos, em 2019 ficámos praticamente no break even, vindo de uma situação muito débil (…) tivemos de fazer um investimento maior ao que estimávamos fazer inicialmente, mas estamos no bom caminho” – João Pedro Marques da Silva

(…) Agora aparece-nos este tsunami, o nosso setor é talvez um dos mais atingidos. Os hotéis estão fechados e adiaram investimentos, a restauração foi obrigada a fechar, e algumas cadeias o que mantêm é atividade de home delivery e takeaway e pouco mais (…)” – João Pedro Marques da Silva

O mercado

(…) Não quero fazer futurologia, acho que ninguém está em condições de o fazer, mas diria que não vamos conseguir retomar a atividade de restauração nos moldes em que a tínhamos a funcionar antes disto, antes de setembro, outubro deste ano e mesmo assim não sei se vai ser a esse nível, e o turismo  provavelmente só vai recuperar daqui a um ano  ( …) – João Pedro Marques da Silva

“(..) Os jovens não se vão intimidar, por vários razões, uma delas porque o Covid, em particular não os afeta tanto como a outras gerações. Acho que esse desejo de futuro não vai esmorecer. O que é acho é que a maneira como todos nós olhamos para a vida do ponto de vista pessoal e profissional isso vai mudar. (..). vamos ter de aprender a viver numa sociedade low touch pelo menos mais um ano e meio até haver uma vacina” – João Pedro Marques da Silva

“Com tudo de mau que nos trouxe o Covid, não haja dúvida que aqui conseguimos zipar um conjunto de evoluções que seriam inevitáveis e que iriam custar imenso a acontecer por via das dinâmicas normais e que de repente tem de ser porque tem de ser. Ganhamos dez anos em 15 dias” – João Brazão

“Acho que teletrabalho veio para ficar. Não apenas por necessidade, mas porque de repente as pessoas perceberam que não precisam de todo quele espaço de escritório que têm. Perceberam que podem poupar em termos imobiliários (…)” – João Pedro Marques da Silva

“Os hábitos vão mudar muito. Acho que há muitos negócios que dificilmente voltaram a ser o que eram nomeadamente, por exemplo, os cinemas.  (…) Vai muita coisa mudar. Isto para a juventude é excelente (…) porque as suas valências são úteis. A juventude não nos vai faltar e não nos vai deixar ficar mal” – João Pedro Marques da Silva

“Nós não vamos poder a continuar a depender tanto da faturação low cost, só de produtos da China, vamos ter de hubs diferentes de produção porque vai diminuir o risco. Vamos ser obrigados a deslocalizar para mais próximo de nós uma série de produções porque não podemos depender deste fecho de fronteiras e de repente deixar de ter acesso a uma série de produtos essenciais deixar de ter acesso. Há aqui um bocadinho de mistura de regresso às origens com uma vertente tecnológica que não havia no passado” – João Brazão

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